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Eco Informe

Aumento do consumo de álcool vai empregar 170 mil

Publicado em 05 abril 2010

Com o crescimento da frota brasileira, tendo mais de um milhão de carros flex, além dos antigos movidos a álcool, calcula-se que a produção de álcool deverá crescer em 15% para atender a demanda. Com isto, segundo a Agência Fapesp, em análise feita pelo repórter Fábio Reynol, o setor deverá gerar cerca de 170 mil empregos em toda cadeia produtiva. Além disso, está aumentando a qualificação deste postos de trabalho.

Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), falou na Convenção Latino-Americana do Projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada na semana passada em São Paulo, e destacou a cultura da cana-de-açúcar:

"A cana-de-açúcar é a cultura que mais emprega no Brasil, sendo responsável atualmente por 629 mil postos de trabalho, o que equivale a mais de um quinto da mão de obra empregada na agricultura do País".

Mesmo com a mecanização da lavoura, o número de postos de trabalho aumentou no período de 1981 a 2008, especialmente por conta da expansão do setor a fim de abastecer o mercado de combustíveis. Atualmente, cerca de metade da produção agrícola é mecanizada enquanto o restante permanece com técnicas manuais.

A Lei estadual número 11.241 determina que em 2031 não poderá mais haver queima na colheita da cana. Isto deverá levar a uma perda considerável de postos de trabalho. Márcia calcula que haverá a perda de oito vagas para cada máquina adquirida. Isto significa um corte entre 50 mil e 100 mil postos de trabalho.

Mesmo assim, o aumento da produção de álcool deve suplantar essas perdas, gerando 170 mil postos de trabalho nos próximos anos, o que equivaleria a um aumento de R$ 236 milhões na economia.

O estudo feito pela pesquisadora também comparou os impactos sociais com os da indústria do petróleo, que empregava 73 mil trabalhadores no ano de 2007. "É um número seis vezes menor do que os empregados da cana-de-açúcar, que eram 465 mil naquele ano", disse Márcia.

Além de mais numerosos, os empregos gerados pela cana são mais bem distribuídos pelo país em comparação aos do petróleo. Enquanto a produção petrolífera se concentra em uma parte da faixa litorânea, a indústria da cana está espalhada por vários estados brasileiros.

Mas há muita desigualdade salarial: no Estado de São Paulo o trabalhador recebe em média R$ 820,00 por mês e no Nordeste R$ 630,00.

Segundo a professora, a cana-de-açúcar tem 81% de seus trabalhadores formalmente contratados. Ela diz que o trabalho infantil no setor também foi praticamente erradicado desde 1981, quando 15,3% dos trabalhadores da cultura de cana-de-açúcar tinham entre 10 e 15 anos de idade.