Notícia

Jornal de Piracicaba

Aumento de máquinas reduz homens nos canaviais da região

Publicado em 11 maio 2007

O aumento de dez colheitadeiras de cana-de-açúcar em propriedades da macrorregião de Piracicaba — composta por 37 municípios e 22 indústrias — retirou cerca de 1.200 trabalhadores da safra deste ano, em relação ao ano passado. O cálculo é baseado em uma estimativa de José Coral, presidente da Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba e Região), que informa que cada máquina faz o trabalho de 120 cortadores. As usinas aumentaram a frota de colheitadeiras de 18, no ano passado, para 28 máquinas este ano, ampliando o corte da cana crua.
A tendência, segundo Coral, é de que haja um acréscimo de mais dez colheitadeiras até o final deste ano. Isso ocorre porque as usinas precisam se preparar para ampliar o corte da cana crua e atender uma lei estadual, que estabelece para 2015 o fim das queimadas em áreas mecanizáveis e para 2020 nas não-mecanizadas."
"Só não estamos mais mecanizados por falta de equipamentos e por dependermos de mudanças em toda a estrutura operacional, como carregamento, transporte, entre outras ações", afirma Coral. Se isso ocorre, outros 1.200 postos de trabalho serão extintos.
Na macrorregião, enfatiza o representante do setor, serão 22 mil cortadores contratados este ano e na micro, 6.500 trabalhadores. Há poucos anos, segundo Coral, eram 37 mil na macro e cerca de 16 mil trabalhadores na microrregião.
Este ano, somente o Grupo Cosan trouxe pouco mais de 900 trabalhadores para atuar na Usina Costa Pinto —— única usina em Piracicaba —— segundo Aparecida de Jesus Pino Camargo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piracicaba e Saltinho. A assessoria de imprensa do Grupo Cosan não confirma a informação, uma vez que não divulga dados isolados por unidade. Mas na safra de 2006 foram 37 mil colaboradores contratados para atuar em todas as 17 usinas do grupo. A 18ª usina foi comprada no início deste ano.
Ainda segundo Aparecida, a maioria dos trabalhadores é de Minas Gerais, Ceará e Pará. "Há pessoas de outros Estados também, mas em menor número", conta. Ela afirma, ainda, que esta safra tem um maior número de profissionais que vêm atuar pela primeira vez no corte da cana, em relação ao ano passado.
"Eles nos dizem que na terra deles não havia o que fazer e que a situação da lavoura é péssima. Por isso correm para São Paulo em busca de dinheiro", afirma Aparecida.
O salário base hoje de um cortador de cana é de R$ 415, para os que não atingem a meta estabelecida pela empresa. "Em geral eles ganham um salário médio de R$ 800, como no ano passado", conta Aparecida. A média de um cortador com alta produtividade, segundo a presidente do sindicato, é a de 10 a 12 toneladas por dia na lavoura.

Maquina para áreas em declive
O professor Oscar Braun beck, da Feagri (Faculdade de Engenharia Agrícola), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), desenvolveu uma máquina para o corte de cana que atua em áreas de declive. O pedido da patente pela Unicamp, segundo o professor, ainda esta em processo de decisão.
— Para finalizar o projeto, segundo Braunbeck, e preciso de outros recursos, solicitados a Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo), "Com um recurso é possível terminá-la rapidamente", conta.
Segundo o, professor, o custo do protótipo é de R$ 200 mil.
De acordo com o professor Edgar Gomes Ferreira Beauclair do departamento de produção vegetal da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), a universidade em Piracicaba auxilia o estudo por meio do testes, realizados em áreas de duas usinas do Grupo Cosan — Costa Pinto Santa Helena. "Nos testamos este e outros equipamentos, mas principalmente no setor da mecanização", lembra Beauclair.
A decisão sobre a patente da máquina ocorre, segundo ele, devido a uma disputa de registros com uma empresa americana. "A empresa argumentou que o projeto brasileiro era unia cópia do deles", conta Beauclair.
A previsão, segundo Beauclair é de que a máquina especificamente seja utilizada no corte em áreas abaixo de 45% de declividade. Para Beauclair á intenção é a dê que com a liberação por parte da Unicamp, indústrias de Piracicaba possam participar da 'produção. "Ha várias metalúrgicas que podem fazê-la, uma vez que não é um equipamento sofisticado", diz. Ele lembra, também, que o preço final da máquina tende a cair ao entrar nu ma linha de produção.