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O Povo

Aumenta número de furacões mais intensos

Publicado em 10 outubro 2005

Cientistas norte-americanos identificaram um aumento no número de furacões de intensidade elevada nos últimos 35 anos. Segundo o estudo, na década de 1970, a média anual era de 10 furacões de intensidade elevada. Na década de 1990, essa média passou para 18 por ano
Tal qual os terremotos, que são medidos pela escala Richter, os furacões também são classificados. Com base na intensidade, a escala Saffir-Simpson classifica o fenômeno em números de 1 a 5, baseado no potencial de destruição esperado. A velocidade é o fator determinante da escala.
O Katrina, que alagou Nova Orleans e a parte do sul dos Estados Unidos no fim de agosto, era da categoria 5, a mais forte de todas - com ventos superiores a 249 quilômetros por hora. Foi o quarto da categoria no país desde que os furacões começaram a ser medidos. O último havia sido o Andrew, que matou pelo menos 43 pessoas em 1992, na Flórida.
Um novo estudo indica que os furacões estão cada vez mais fortes. Segundo a pesquisa, feita por cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech) e do Centro Nacional para Pesquisas Atmosféricas (NCAR), o número de furacões das categorias 4 e 5 praticamente dobrou em todo o mundo nos últimos 35 anos.
O estudo também mostra que o total de furacões diminuiu desde 1990 e que o aumento na quantidade de exemplos nas categorias mais fortes coincide com a elevação nas temperaturas da superfície oceânica. Os resultados da análise estão publicados na edição de 16 de setembro da revista Science. Os autores são Peter Webster, Judith Curry e Hai-Ru Chang, do Georgia Tech, e Gred Holland, do NCAR. Eles estudaram o número, a duração e a intensidade de furacões registrados em todo o mundo de 1970 a 2004. O estudo teve apoio do National Science Foundation (NSF).
''Os resultados são perturbadores. Na década de 1970, temos uma média anual de dez furacões nas categorias 4 e 5, em todo o mundo. Desde 1990, o número praticamente dobrou, para 18'', disse Webster, em comunicado conjunto da NCAR, Georgia Tech e NSF. A quantidade de furacões mais fortes em relação ao total também tem aumentado. ''Os das categorias 4 e 5 respondiam por 20% do total nos anos 70, mas na última década somaram 35%', conta Judith Curry.
Segundo os autores do estudo, há uma estreita relação entre o aumento nas temperaturas oceânicas e nas intensidades dos furacões.''Mas não é uma relação simples, pois é difícil explicar por que o total de furacões e sua longevidade diminuíram na última década'', disse Judith.
Os cientistas trabalham agora para tentar determinar o papel dos furacões no clima global. ''O que eles mais fazem é esfriar os oceanos, ao evaporar a água e redistribuir o calor para altitudes mais elevadas'', explica Webster. Segundo o pesquisador, o problema é que não se sabe como funciona a evaporação oceânica em casos em que os ventos sopram a mais de 160 quilômetros por hora, como nos furacões. Esse entendimento, diz, é fundamental para relacionar as variações nas intensidades do fenômeno com as mudanças climáticas.

Agência Fapesp