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Esalq - USP

Aula inaugural da PG abordou a pesquisa no Estado de São Paulo

Publicado em 20 março 2013

Por Caio Albuquerque

Na última segunda-feira, 18/3, o Salão Nobre da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) esteve lotado por conta da aula inaugural da pós-graduação. Professores, alunos e servidores acompanharam, na oportunidade, a palestra “A Fapesp e a pesquisa em São Paulo”, ministrada por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), principal agência de fomento à pesquisa paulista.

Após a exibição de um vídeo de boas vindas do diretor da Escola, José Vicente Caixeta Filho, Brito Cruz foi recepcionado pela vice-diretora, Marisa A. B. Regitano d’Arce, pelo presidente da Comissão de Pós-graduação, Luis Eduardo Aranha Camargo e pelo professor José Roberto Postali Parra, do Departamento de Entomologia e Acarologia (LEA), que também atua como consultor da Fapesp.

Brito Cruz abriu sua fala apresentando o escopo da Fapesp, ressaltando que, ao contrário de agências de fomento similares norte-americanas e europeias. “A Fundação atende todas as áreas do conhecimento e, por isso, em 2012, recebemos mais de 21 mil solicitações de apoio, de cerca de 9,4 mil solicitantes”. Na sequência, o diretor da Fapesp mostrou o fluxograma de análise e seleção das propostas, lembrando que a atuação dos pareceristas contempla uma análise qualitativa, valorizando o detalhamento das justificativas e o apontamento de pontos positivos e negativos de cada projeto. “Nossos assessores de fato ajudam a Fapesp a decidir e a ação de cada um deles contribui para agilidade desse processo. Na média, cada processo leva cerca de 65 dias para ser avaliado e, além disso, nossa taxa de sucesso gira em torno de 60%, o que é um índice elevadíssimo. Nos EUA e na Europa, uma proposta demanda, no mínimo, seis meses aproximadamente para ter sua análise finalizada”.  

Orçamento – Com repasse de 1% do tesouro do estado de São Paulo, em 2012 a Fapesp somou orçamento de R$ 1,014 bilhão, dos quais 37% são destinados para bolsas, 44% para auxílios, 15% para programas especiais, 8% para programas especiais de inovação, 4,1% para custeio e 0.5% para despesas de capital. No entanto, apesar de vultoso montante, Brito Cruz aponta um empecilho para a melhoria na pesquisa paulista. “Atendemos cerca de 12 mil bolsistas e, entre eles, tem crescido o número de pós-doutorados. No entanto, para que a pesquisa no estado tenha elevado seu patamar de qualidade precisamos aumentar nossos índices de colaboração internacional”.

Tendências – Outro ponto tocado por Brito Cruz foi a necessidade de repensarmos nossa maneira de desenvolver pesquisa. “Não é por falta de aporte que nossa ciência não deslancha para figurar entre as principais do mundo. Em termos percentuais, o investimento em pesquisa no estado de São Paulo tem números próximos aos da Espanha, da Itália, da Rússia e, no Brasil, São Paulo é responsável por 50% da produção científica”. De acordo com o diretor da Fapesp, precisamos dar margem para que o pesquisador descubra coisas novas. “Fazemos ciência com uma tendência utilitária, ou seja, objetivamos que o pobre fique rico, que o doente seja curado e que as empresas sejam competitivas. Na Fapesp, temos como propósito também que o mundo melhore seu nível de conhecimento. Temos que pensar no impacto que nossa ciência pode causar, seja intelectualmente, por meio de citações, seja socialmente ou economicamente”, concluiu.

ESALQ e Fapesp – Em 2012, a ESALQ apresentou 460 solicitações de apoio/auxílio à Fapesp, das quais 300 foram aprovadas, o que representa uma taxa de sucesso de 65%, aproximadamente. Na prática, cerca de R$21 milhões foram repassados à ESALQ pela Fundação. Entre 2008 e 2012, a ESALQ já foi contemplada, via Fapesp, com mais de 500 bolsas de mestrado, 300 de doutorado e 40 de pós-doutorado. A ESALQ possui, atualmente, 13 programas de pós-graduação (PPG), um PPG Internacional e 2 PPGs Interunidades. Desde 1966, ano da primeira defesa, a Escola já outorgou 7.875 títulos, sendo 5.322 de mestrado e 2.553 de doutorado.

O palestrante – Carlos Henrique de Brito Cruz é professor no Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Graduou-se em Engenharia de Eletrônica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 1978. Obteve os títulos de Mestre em Ciências (1980) e Doutor em Ciências (1983) no Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp. Foi pesquisador convidado do Instituto Ítalo Latino Americano na Universitá degli Studi, em Roma (Itália), visitante residente nos Laboratórios Bell da AT&T, em Holmdel (NJ, EUA), e professor visitante na Université Pierre et Marie Curie, em Paris (França). Brito Cruz foi também diretor do Instituto de Física Gleb Wataghin (1991 a 1994 e 1998 a 2002) e pró-reitor de Pesquisa da Unicamp (1994 a 1998). Foi reitor da Unicamp de abril de 2002 a abril de 2005 e presidente da Fapesp de 1996 a 2002. É membro da Academia Brasileira de Ciências desde 2000 e diretor científico da Fapesp desde abril de 2005.