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Aula experimental de química ganha destaque em revista internacional

Publicado em 14 fevereiro 2012

Agência FAPESP - Com o objetivo de envolver os alunos no processo de aprendizagem e torná-lo mais instigante, um grupo do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) vem lecionando, há alguns anos, aulas experimentais de maneira diferente. "Adotamos o enfoque construtivista, centrado no aluno. Deixamos que eles planejem a experiência, em vez de distribuir receitas prontas", conta o professor Omar El Seoud, coordenador da equipe. O time também conta com dois alunos de pós-graduação, uma pós-doutoranda e o professor alemão Christian Reichardt, especialista em solventes.

Outra preocupação é incluir nas aulas temas ligados ao desenvolvimento sustentável, como uso racional dos recursos naturais, reciclagem, uso eficiente da energia e emprego de matéria-prima de fontes renováveis. A última experiência do gênero, realizada com alunos da disciplina de Espectroscopia no quinto semestre da graduação, foi publicada na revista Chemical Education Research and Practice, da Royal Chemical Society, numa edição temática sobre "Desenvolvimento sustentável e química verde na educação de química".

"Os biocombustíveis foram o tema escolhido. Sabemos que a adulteração do etanol é notícia recorrente e que o teor de álcool na gasolina oscila de acordo com sua oferta no mercado. Então perguntamos aos alunos como medir o teor de álcool no etanol hidratado e na gasolina vendidos na bomba", contou Seoud, que coordena o Projeto Temático "Solventes "verdes": química e aplicações de líquidos iônicos em catálise, colóides e derivatização de biopolímeros", apoiado pela FAPESP. Como se trata da disciplina de Espectroscopia, que usa, entre outros recursos, a absorção de luz para investigar características de determinados materiais, a análise dos combustíveis deveria ser feita usando um corante.

Antes de iniciar a experiência, porém, os alunos tiveram de pesquisar sobre biocombustíveis na literatura científica. Em seguida, responderam a um questionário que abordava, entre outros assuntos, aspectos históricos do uso de etanol no Brasil e seu processo de produção na indústria. Os alunos então sugeriram três corantes para serem usados nas análises: vermelho de Congo, azul de índigo e azul de metileno. "A ideia estava correta, mas nenhum dos três corantes funcionou adequadamente. Sugerimos então usar outro desenvolvido pelos próprios alunos de pós-graduação em nossas pesquisas. Sabíamos que ia funcionar", disse o professor.

Após a conclusão do experimento, a correlação entre as cores e a composição do combustível foi explicada pelos professores. As vezes a parte experimental é dada sem muita ligação com a parte teórica", criticou. O processo durou 12 horas, distribuídas em três aulas. O receio inicial dos alunos, segundo El Seoud, foi dando lugar ao entusiasmo a medida que ficavam responsáveis por tomar as decisões.

"Em um mundo tão visual e interativo como o de hoje, não dá para entusiasmar muito alunos que recebem informações passivamente." Outro aspecto que o professor considera importante foi a troca de conhecimentos entre alunos de graduação e pós-graduação. "Dá muito trabalho para a equipe montar a experiência; sua execução demanda tempo, mas torna o aprendizado bem mais interessante."

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fonte: Agência Fapesp

 

 

 

 

Autor: Redação