Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Atraindo cérebros de fora

Publicado em 11 junho 2012

As melhores instituições de ensino superior no mundo, tanto as seculares como as novatas que têm despontado como potências acadêmicas, buscam atrair professores estrangeiros para integrar seu quadro docente. A vocação cosmopolita sempre foi uma das características da Unicamp, desde sua fundação até os dias de hoje, com a adoção de programas que visam recrutar professores de outros países.

A professora Doris Kowaltowski, do Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) foi contratada pela Unicamp em 1988, quando a instituição lançou o Programa Qualidade, com o objetivo de aumentar o número de doutores docentes.

Doris, que nasceu na Alemanha e se formou em arquitetura na Austrália, em 1969, havia concluído o doutorado nos Estados Unidos, na Universidade de Berkeley, onde conheceu e se casou com um brasileiro que, na ocasião, também fazia doutorado na mesma instituição, na área de computação.

Ela conta que, ao desembarcar no Brasil, não havia planejado ser professora universitária. Morou primeiramente em São Paulo, até seu marido ser contratado pela Unicamp. Em Campinas, chegou a trabalhar como arquiteta autônoma e no Laboratório de Luz Síncroton, até ser, como ela mesma conta, “descoberta” pela Unicamp.

Segundo Doris, a Universidade, em razão do Programa Qualidade, pretendia contratar doutores. O diretor da Faculdade de Engenharia Civil – na época o curso funcionava no campus de Limeira – soube que havia uma “mocinha” com PhD em arquitetura em Berkeley circulando pela Unicamp. Depois de chamá-la para uma entrevista, acabou contratando-a. “Éramos quatro arquitetos como professores nas áreas de desenho, planejamento urbano e projeto arquitetônico, porque o engenheiro civil precisa ter uma base destas questões também”, relata.

De acordo com Doris, na ocasião já circulavam boatos sobre a criação de um curso de Arquitetura. Logo que obteve esta informação, ela reuniu-se com os outros arquitetos professores da Engenharia Civil e elaborou a proposta do curso que, conforme explica, foi rejeitada principalmente porque a Engenharia Civil estava sediada na cidade de Limeira. “Havia um movimento para trazer o curso para Campinas, já que era importante que os alunos dos cursos de engenharia civil tivessem contato com estudantes de outras engenharias e da Matemática. Principalmente por este motivo, a proposta do curso de Arquitetura em Limeira não vingou”, afirma.

Um ano depois de ter sido contratada, a Engenharia Civil foi transferida para Campinas, e Doris começou a fazer pesquisas, não só na área de arquitetura. Com outras pessoas, desenvolveu o primeiro projeto pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), formando um grupo com espírito de pesquisa. “Sempre tive o intuito de fazer pesquisa em grupo, porque considero que há um bom retorno. A crítica, propiciada pelo conjunto, melhora o resultado final”, argumenta.

Conforme Doris, quando o grupo passou a realizar pesquisas na área de arquitetura, mesmo que envolvendo físicos e engenheiros, veio à tona novamente a proposta do curso de Arquitetura na graduação.

Quando surgiu a proposta dos cursos noturnos – a legislação determina um terço das vagas de graduação em cursos à noite –, novamente Doris, com mais três docentes do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas (IFCH) e do Instituto de Artes (IA), propôs a criação do curso noturno de Arquitetura.

“O reitor nos deu três semanas para apresentar a proposta, que foi aprovada. Houve muita discussão. Alguns achavam que era muita ousadia, quatro pessoas lançando um curso de arquitetura. E à noite. Em 1999, nasceu o curso e os resultados da primeira turma foram tão bons que ninguém mais protestou. Os primeiros cinco anos não foram fáceis. Foi uma luta para defender e consolidar a proposta. Eu tive papel interessante nesta luta. Sinto-me feliz e recompensada”, comemora Doris.

O curso de Arquitetura tornou-se tão popular que, por várias vezes, foi o segundo mais procurado no vestibular. Depois, quando o curso de graduação se consolidou, Doris também contribuiu para a criação do programa de pós-graduação na área. “Fizemos pesquisas e orientamos alunos da Engenharia Civil no âmbito das áreas de engenharia e construção”, relembra.

A falar dessa iniciativa, a professora observa que o contando parece simples, mas as críticas foram muitas. Alguns chegavam a questionar como era possível um aluno da engenharia civil pesquisar “coisas esquisitas” da arquitetura. Mas Doris foi categórica e defendeu a “importância da multidisciplinaridade na contemporaneidade”.

Ela avalia que teve um papel importante na Universidade. Por várias vezes foi coordenadora do curso de Arquitetura. E diz que o reconhecimento extrapola os muros da Universidade. Atualmente, é coordenadora de projeto Fapesp e líder de grupo de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de integrar grupo de trabalho da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac). “Tudo isso mostra que a arquitetura pode desenvolver pesquisa científica e não apenas discursos e projetos”, diz.

Também lançou dois livros, um dos quais ela organizou. Neste momento, faz pesquisa em arquitetura escolar. “Sou convidada a dar palestras em todos os lugares. É gratificante. As pessoas estão conhecendo nosso trabalho e reconhecendo a Unicamp”, afirma.

Sobre o fato de ter vindo de fora, ela diz que isso proporciona uma visão mais aberta. “Ao conhecer outras culturas, você não tem tantos preconceitos. Tem mais abertura para observar, olhar, ver mais coisas positivas que negativas. Ajuda o fato de falar outras línguas, conhecer outros países”, diz. Segundo Doris, a Unicamp tem feito um esforço para se internacionalizar, o que, no seu entender, “é muito bom porque a Universidade tem que se inserir no mundo globalizado”.

Dos EUA

Diferentemente da alemã Doris, Carol Collins, professora titular do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, conta que veio dos Estados Unidos para o Brasil especialmente para dar aulas na Unicamp. Ela chegou com o marido em 1974. Os dois vieram como professores convidados para pesquisar cada um em sua área de atuação. Carol desenvolve pesquisa sobre métodos cromatográficos de separação, com destaque para cromatografias líquida e gasosa. Também atua em química radioanalítica, sendo professora titular do Instituto desde 1988. A trajetória de Carol na Unicamp ganhou mais um capítulo com o título de professora emérita recebido no último dia 14 de maio, em cerimônia realizada no Conselho Universitário (Consu).

Ela conta que sua vinda para a Unicamp foi resultado de uma conjunção de fatores. “Primeiro, porque nos Estados Unidos as universidades costumam proibir marido e mulher ou pais e filhos de trabalharem na mesma instituição. Eu e meu marido, também professor, queríamos atuar na mesma universidade. Segundo, porque na época a Unicamp estava trazendo gente de fora do Brasil. E também porque meu orientador se envolveu num programa de intercâmbio.”

“Minha vinda demorou um ano para se concretizar. Quando chegamos, não havia laboratório nem biblioteca. Nós montamos os laboratórios. Foram vários anos de dificuldades. Cada vez que íamos para os Estados Unidos, trazíamos duas malas cheias de produtos importados, inclusive reagentes. Meu primeiro aluno veio de Manaus. Cheguei a dar aulas para um ou dois alunos”, diz.

Ao rever o caminho percorrido, ela afirma, sem dúvidas, que valeu a pena. “Meu marido e eu fomos aceitos, trabalhamos em coisas de que gostamos”, afirma. No total, Carol já orientou 24 alunos no mestrado e 34 no doutorado. Vários são professores universitários, sendo dois da própria Unicamp.
Sobre a Universidade, ela garante que a trajetória foi “impressionante”, ainda mais por ser uma instituição ainda jovem. “Estamos bem. Hoje tem curso noturno, dez vezes mais alunos de pós-graduação do que em 1975. Os professores doutores triplicaram. A Unicamp me deu liberdade para implantar uma linha de pesquisa própria, da qual muito me orgulho, sobretudo por tê-la iniciado”, afirma.

Proposta

Roy Bruns, que também recebeu o título de professor emérito dia 14 de maio, chegou ao Instituto de Química da Unicamp em 1971. Recém-formado, com doutorado e pós-doutorado nos Estados Unidos, ele estava procurando um emprego em universidade e queria formar seu próprio grupo de pesquisa.

“Entre as propostas, a da Unicamp foi a melhor. Cheguei no primeiro dia em que o IQ ocupou este espaço em que estamos até hoje. Só havia uma dezena de professores, e eu tinha muita dúvida sobre o sucesso desta empreitada. Não havia nem biblioteca nem facilidades de computação, fundamentais na minha área de pesquisa. Eu ia entre duas a três vezes por semana para a USP, em São Paulo, que na época era o centro mais importante em química. Sem a Universidade de São Paulo, eu não teria feito nada por pelo menos dois anos”, afirma.

Bruns diz que o contexto político do Brasil, sob ditadura militar, também era complicado quando ele chegou. Ele recorda que era uma época difícil, em que não havia como prever o que estava por vir. Tudo começou a melhorar, segundo ele, quando o professor José Aristodemo Pinotti foi reitor. E, depois dessa época, ele avalia que, gradualmente, tudo foi mudando para melhor. “Inclusive, nos últimos 20 anos, a Unicamp e o Brasil melhoraram muito. Tenho muita esperança no futuro, sinto-me realizado. Já formei mais de 50 alunos mestres e doutores e sei onde cada um está”, diz, com a convicção de que o bom professor deve saber o que aconteceu com cada um de seus discípulos. “Meus alunos conseguiram empregos muito bons, a maioria no sistema universitário. E conseguiram fazer bom trabalho. Eu tenho orgulho disso”, afirma.

Sobre a trajetória da Unicamp, ele considera que, em termos de pesquisa, de ciência em química, a Universidade é uma escola de “muito vigor”. Ressalta que é possível constatar o resultado pelo número de artigos científicos publicados, além da competência dos alunos formados na instituição.

O professor Bruns considera que vir para a Unicamp, para o Brasil, apesar das limitações, foi muito bom. Ele conta que, na época em que chegou, nos Estados Unidos a situação também era difícil. Ele era bolsista da Nasa, que havia dispensado metade do pessoal.

“Quando cheguei, pensei: fico dois anos. Se não der certo, volto. Mas tudo funcionou e acabei criando laços com o país, família, etc. Agora, quando vou aos Estados Unidos e fico mais do que dez dias lá, já sinto saudades do Brasil.”

As melhores instituições de ensino superior no mundo, tanto as seculares como as novatas que têm despontado como potências acadêmicas, buscam atrair professores estrangeiros para integrar seu quadro docente. A vocação cosmopolita sempre foi um das características da Unicamp, desde sua fundação até os dias de hoje, com a adoção de programas que visam recrutar professores de outros países.

A professora Doris Kowaltowski, do Departamento de Arquitetura e Construção da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) foi contratada pela Unicamp em 1988, quando a instituição lançou o Programa Qualidade, com o objetivo de aumentar o número de doutores docentes.

Doris, que nasceu na Alemanha e se formou em arquitetura na Austrália, em 1969, havia concluído o doutorado nos Estados Unidos, na Universidade de Berkeley, onde conheceu e se casou com um brasileiro que, na ocasião, também fazia doutorado na mesma instituição, na área de computação.

Ela conta que, ao desembarcar no Brasil, não havia planejado ser professora universitária. Morou primeiramente em São Paulo, até seu marido ser contratado pela Unicamp. Em Campinas, chegou a trabalhar como arquiteta autônoma e no Laboratório de Luz Síncroton, até ser, como ela mesma conta, “descoberta” pela Unicamp.

Segundo Doris, a Universidade, em razão do Programa Qualidade, pretendia contratar doutores. O diretor da Faculdade de Engenharia Civil – na época o curso funcionava no campus de Limeira – soube que havia uma “mocinha” com PhD em arquitetura em Berkeley circulando pela Unicamp. Depois de chamá-la para uma entrevista, acabou contratando-a. “Éramos quatro arquitetos como professores nas áreas de desenho, planejamento urbano e projeto arquitetônico, porque o engenheiro civil precisa ter uma base destas questões também”, relata.

De acordo com Doris, na ocasião já circulavam boatos sobre a criação de um curso de Arquitetura. Logo que obteve esta informação, ela reuniu-se com os outros arquitetos professores da Engenharia Civil e elaborou a proposta do curso que, conforme explica, foi rejeitada principalmente porque a Engenharia Civil estava sediada na cidade de Limeira. “Havia um movimento para trazer o curso para Campinas, já que era importante que os alunos dos cursos de engenharia civil tivessem contato com estudantes de outras engenharias e da Matemática. Principalmente por este motivo, a proposta do curso de Arquitetura em Limeira não vingou”, afirma.

Um ano depois de ter sido contratada, a Engenharia Civil foi transferida para Campinas, e Doris começou a fazer pesquisas, não só na área de arquitetura. Com outras pessoas, desenvolveu o primeiro projeto pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), formando um grupo com espírito de pesquisa. “Sempre tive o intuito de fazer pesquisa em grupo, porque considero que há um bom retorno. A crítica, propiciada pelo conjunto, melhora o resultado final”, argumenta.

Conforme Doris, quando o grupo passou a realizar pesquisas na área de arquitetura, mesmo que envolvendo físicos e engenheiros, veio à tona novamente a proposta do curso de Arquitetura na graduação.

Quando surgiu a proposta dos cursos noturnos – a legislação determina um terço das vagas de graduação em cursos à noite –, novamente Doris, com mais três docentes do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas (IFCH) e do Instituto de Artes (IA), propôs a criação do curso noturno de Arquitetura.

“O reitor nos deu três semanas para apresentar a proposta, que foi aprovada. Houve muita discussão. Alguns achavam que era muita ousadia, quatro pessoas lançando um curso de arquitetura. E à noite. Em 1999, nasceu o curso e os resultados da primeira turma foram tão bons que ninguém mais protestou. Os primeiros cinco anos não foram fáceis. Foi uma luta para defender e consolidar a proposta. Eu tive papel interessante nesta luta. Sinto-me feliz e recompensada”, comemora Doris.

O curso de Arquitetura tornou-se tão popular que, por várias vezes, foi o segundo mais procurado no vestibular. Depois, quando o curso de graduação se consolidou, Doris também contribuiu para a criação do programa de pós-graduação na área. “Fizemos pesquisas e orientamos alunos da Engenharia Civil no âmbito das áreas de engenharia e construção”, relembra.

A falar dessa iniciativa, a professora observa que o contando parece simples, mas as críticas foram muitas. Alguns chegavam a questionar como era possível um aluno da engenharia civil pesquisar “coisas esquisitas” da arquitetura. Mas Doris foi categórica e defendeu a “importância da multidisciplinaridade na contemporaneidade”.

Ela avalia que teve um papel importante na Universidade. Por várias vezes foi coordenadora do curso de Arquitetura. E diz que o reconhecimento extrapola os muros da Universidade. Atualmente, é coordenadora de projeto Fapesp e líder de grupo de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de integrar grupo de trabalho da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído (Antac). “Tudo isso mostra que a arquitetura pode desenvolver pesquisa científica e não apenas discursos e projetos”, diz.

Também lançou dois livros, um dos quais ela organizou. Neste momento, faz pesquisa em arquitetura escolar. “Sou convidada a dar palestras em todos os lugares. É gratificante. As pessoas estão conhecendo nosso trabalho e reconhecendo a Unicamp”, afirma.

Sobre o fato de ter vindo de fora, ela diz que isso proporciona uma visão mais aberta. “Ao conhecer outras culturas, você não tem tantos preconceitos. Tem mais abertura para observar, olhar, ver mais coisas positivas que negativas. Ajuda o fato de falar outras línguas, conhecer outros países”, diz. Segundo Doris, a Unicamp tem feito um esforço para se internacionalizar, o que, no seu entender, “é muito bom porque a Universidade tem que se inserir no mundo globalizado”.

Dos EUA

Diferentemente da alemã Doris, Carol Collins, professora titular do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, conta que veio dos Estados Unidos para o Brasil especialmente para dar aulas na Unicamp. Ela chegou com o marido em 1974. Os dois vieram como professores convidados para pesquisar cada um em sua área de atuação. Carol desenvolve pesquisa sobre métodos cromatográficos de separação, com destaque para cromatografias líquida e gasosa. Também atua em química radioanalítica, sendo professora titular do Instituto desde 1988. A trajetória de Carol na Unicamp ganhou mais um capítulo com o título de professora emérita recebido no último dia 14 de maio, em cerimônia realizada no Conselho Universitário (Consu).

Ela conta que sua vinda para a Unicamp foi resultado de uma conjunção de fatores. “Primeiro, porque nos Estados Unidos as universidades costumam proibir marido e mulher ou pais e filhos de trabalharem na mesma instituição. Eu e meu marido, também professor, queríamos atuar na mesma universidade. Segundo, porque na época a Unicamp estava trazendo gente de fora do Brasil. E também porque meu orientador se envolveu num programa de intercâmbio.”

“Minha vinda demorou um ano para se concretizar. Quando chegamos, não havia laboratório nem biblioteca. Nós montamos os laboratórios. Foram vários anos de dificuldades. Cada vez que íamos para os Estados Unidos, trazíamos duas malas cheias de produtos importados, inclusive reagentes. Meu primeiro aluno veio de Manaus. Cheguei a dar aulas para um ou dois alunos”, diz.

Ao rever o caminho percorrido, ela afirma, sem dúvidas, que valeu a pena. “Meu marido e eu fomos aceitos, trabalhamos em coisas de que gostamos”, afirma. No total, Carol já orientou 24 alunos no mestrado e 34 no doutorado. Vários são professores universitários, sendo dois da própria Unicamp.
Sobre a Universidade, ela garante que a trajetória foi “impressionante”, ainda mais por ser uma instituição ainda jovem. “Estamos bem. Hoje tem curso noturno, dez vezes mais alunos de pós-graduação do que em 1975. Os professores doutores triplicaram. A Unicamp me deu liberdade para implantar uma linha de pesquisa própria, da qual muito me orgulho, sobretudo por tê-la iniciado”, afirma.

Proposta

Roy Bruns, que também recebeu o título de professor emérito dia 14 de maio, chegou ao Instituto de Química da Unicamp em 1971. Recém-formado, com doutorado e pós-doutorado nos Estados Unidos, ele estava procurando um emprego em universidade e queria formar seu próprio grupo de pesquisa.

“Entre as propostas, a da Unicamp foi a melhor. Cheguei no primeiro dia em que o IQ ocupou este espaço em que estamos até hoje. Só havia uma dezena de professores, e eu tinha muita dúvida sobre o sucesso desta empreitada. Não havia nem biblioteca nem facilidades de computação, fundamentais na minha área de pesquisa. Eu ia entre duas a três vezes por semana para a USP, em São Paulo, que na época era o centro mais importante em química. Sem a Universidade de São Paulo, eu não teria feito nada por pelo menos dois anos”, afirma.

Bruns diz que o contexto político do Brasil, sob ditadura militar, também era complicado quando ele chegou. Ele recorda que era uma época difícil, em que não havia como prever o que estava por vir. Tudo começou a melhorar, segundo ele, quando o professor José Aristodemo Pinotti foi reitor. E, depois dessa época, ele avalia que, gradualmente, tudo foi mudando para melhor. “Inclusive, nos últimos 20 anos, a Unicamp e o Brasil melhoraram muito. Tenho muita esperança no futuro, sinto-me realizado. Já formei mais de 50 alunos mestres e doutores e sei onde cada um está”, diz, com a convicção de que o bom professor deve saber o que aconteceu com cada um de seus discípulos. “Meus alunos conseguiram empregos muito bons, a maioria no sistema universitário. E conseguiram fazer bom trabalho. Eu tenho orgulho disso”, afirma.

Sobre a trajetória da Unicamp, ele considera que, em termos de pesquisa, de ciência em química, a Universidade é uma escola de “muito vigor”. Ressalta que é possível constatar o resultado pelo número de artigos científicos publicados, além da competência dos alunos formados na instituição.

O professor Bruns considera que vir para a Unicamp, para o Brasil, apesar das limitações, foi muito bom. Ele conta que, na época em que chegou, nos Estados Unidos a situação também era difícil. Ele era bolsista da Nasa, que havia dispensado metade do pessoal.

“Quando cheguei, pensei: fico dois anos. Se não der certo, volto. Mas tudo funcionou e acabei criando laços com o país, família, etc. Agora, quando vou aos Estados Unidos e fico mais do que dez dias lá, já sinto saudades do Brasil.”