Notícia

Toda Fruta

ATRAENTES E REPELENTES BIOLÓGICOS

Publicado em 26 julho 2015

DINORAH ERENO - Pesquisa FAPESP

 

As duas grandes linhas de pesquisa do INCT de Semioquímicos são a obtenção de novos feromônios de insetos e estudos envolvendo substâncias voláteis de plantas que engloba os compostos químicos produzidos por elas e suas interações com insetos nocivos à agricultura e inimigos naturais. Uma das pesquisas recentes com voláteis vegetais resultou, após manipulação genética, em uma planta repelente para a Diaphorina citri, um inseto do tamanho de um grão de arroz que suga os ramos de laranjeiras e é o vetor do greening, atualmente a mais devastadora doença dos citros, grupo que abrange laranjas, limões, tangerinas e limas. Na Ásia ela é chamada dehuanglongbing, ou HLB, que significa doença do dragão amarelo, por deixar as folhas amareladas. Um composto repelente encontrado na goiabeira foi inserido nos genes de uma linhagem de laranjeira que está em testes em uma casa de vegetação no Fundo de Defesa da Citricultura, o Fundecitrus, explica Bento. O início da descoberta remonta a uma visita feita em 2004 por pesquisadores brasileiros a países asiáticos produtores de citros, época em que se descobriu que a praga havia chegado ao Brasil. Como ela já estava espalhada na Ásia havia algum tempo, muitos produtores plantavam goiabeiras intercaladas com pés de laranja, para substituir os citros.

 

Nas visitas aos pomares, os pesquisadores notaram que, nas áreas onde havia goiabas, as laranjas não manifestavam a doença ou levavam mais tempo para manifestar, relata. Ao saber disso, Bento, que na época já trabalhava com voláteis de plantas, pensou na possibilidade da liberação de algum composto químico que poderia estar interferindo no comportamento do inseto na área. Estudamos os voláteis da goiaba e descobrimos que havia um composto altamente repelente para a praga dos citros, diz. Em parceria com um grupo de pesquisadores do Instituto Valenciano de Investigações Agrárias, da Espanha, o gene foi superexpressado por meio de manipulação genética nos citros neles havia a presença do composto, mas em baixa quantidade. As plantas manipuladas geneticamente estão sendo testadas para avaliar se realmente repelem os insetos. Como os citros são culturas perenes, a pesquisa pode levar até uma década para ser concluída. Mas o potencial da planta repelente, que já foi patenteada pelo grupo de pesquisadores brasileiros, espanhóis e pela Fundecitrus, representa um grande avanço nas estratégias de combate à praga. Além da Espanha, outras instituições do exterior são parceiras nas pesquisas, como a Universidade da Califórnia em Davis e a Universidade Estadual da Pensilvânia, ambas nos Estados Unidos, o Instituto Max Planck, na Alemanha, a Universidade de Neuchatel, na Suíça, e mais recentemente a Universidade Wageningen, na Holanda. Essas parcerias envolvem colaboração e intercâmbio de alunos para treinamento.

Para revisar a matéria completa ir ao enlace:

http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/04/24/atraentes-e-repelentes-biologicos/?