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Atlas de serpentes brasileiras: Onde estão no Brasil?

Publicado em 03 março 2020

Por Bruno de Pierro / Pesquisa FAPESP

De cor laranja-avermelhada e tamanho modesto (não passa de 50 centímetros), a serpente da espécie Phalotris lativittatus é naturalmente rara e de distribuição geográfica bastante restrita.

Bothrops bilineata , encontrada na Amazônia e nas matas do Leste do Brasil.

Como se não bastasse, sua incidência no estado de São Paulo, onde é endêmica (só existe ali), vem diminuindo cada vez mais devido à perda de hábitat em remanescentes do Cerrado paulista – fragmentado e degradado nas últimas décadas pelo avanço das cidades, da agricultura e da pecuária.

Estima-se que a área de ocorrência da serpente seja um pouco maior que 2 mil quilômetros quadrados (km²), agravando sua situação de espécie quase ameaçada de extinção na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza ( IUCN ).

Phalotris lativittatus é uma das 412 espécies registradas no Atlas de serpentes brasileiras, publicado na forma de artigo científico em edição especial da revista South American Journal of Herpetology, de dezembro de 2019.

Crotalus durissus, a cascavel.

Com 274 páginas e assinado por 32 pesquisadores, a maioria do Brasil, o trabalho descreve em detalhe a distribuição geográfica de todas as espécies de serpentes encontradas até agora no país, com base em mais de 163 mil exemplares preservados desde o século XVIII em 140 coleções biológicas de universidades e museus de história natural e coleções biológicas do Brasil e do mundo.

“Foram aproximadamente nove anos organizando e georreferenciando uma síntese de informações produzidas ao longo de muitas décadas sobre uma das faunas de serpentes mais ricas do planeta”, diz o biólogo Cristiano Nogueira, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e coordenador do trabalho.

Onde estão as serpentes brasileiras

Por trás da publicação está uma base de dados que reúne todos os registros conhecidos e validados das espécies em todo o continente sul-americano, e pode servir como ferramenta para novos estudos em biogeografia e biodiversidade. “O atlas reúne um esforço inigualável de amostragem feito por gerações de pesquisadores e instituições”, observa Nogueira.

Bothrops jararaca – Encontrada da Bahia ao Rio Grande do Sul e de importância médica

Resultados preliminares , divulgados em 2015 por Pesquisa FAPESP, já indicavam que algumas espécies haviam perdido até 80% da área de floresta ou campos que ocupavam três décadas antes. Agora, com o mapeamento concluído, é possível ter uma visão mais abrangente e atual do problema, afirma o biólogo, ressaltando que os mapas localizam detalhadamente onde estão as serpentes nos diversos biomas brasileiros.

A maior parte das espécies tem distribuição restrita no país e no continente sul-americano. São localizadas em poucos pontos dentro de zonas relativamente pequenas, como a já mencionada Phalotris lativittatus ou Philodryas arnaldoi, endêmica das florestas de araucária. As espécies de distribuição restrita, diz Nogueira, são as mais sensíveis aos impactos humanos – é mais fácil provocar a extinção de um animal que existe apenas em uma área pequena.

>> Para ler todo o texto, acesse o artigo completo da Revista Fapesp > Onde estão as serpentes brasileiras https://revistapesquisa.fapesp.br/onde-estao-as-serpentes-brasileiras/

 

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