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Atenção deve ser redobrada quando o assunto envolve amizade e dinheiro

Publicado em 21 novembro 2011

UOL Economia

SÃO PAULO – Diz o ditado: “Amigos, amigos. Negócios à parte”. Contudo, a realidade não é tão simples assim, o que faz com que a atenção precise ser redobrada quando a questão envolve amizade e dinheiro.

De acordo com estudo realizado pelo Laboratório de Neurociência Cognitiva e Social da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), pela doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento Camila Campanhã, com coordenação do professor e coordenador do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde do Mackenzie, Paulo Boggio, a amizade interfere nas decisões econômicas de um cidadão.

O estudo mostra que as pessoas tendem a aceitar mais ofertas economicamente injustas de um amigo do que de outra pessoa qualquer, apontando que a capacidade de julgamento é, muitas vezes, modulada pelo grau de confiança.

“O estudo foi feito por meio de games, onde as pessoas eram apresentadas a ofertas de divisão financeira feitas por amigos e por desconhecidos (…) Geralmente, as pessoas rejeitam ofertas injustas mesmo que isso signifique ficar sem nada. Entretanto, as pessoas julgaram que os amigos foram mais justos”, explica Boggio.

Informação
A conclusão da pesquisa do Mackenzie vai ao encontro com a análise da doutora em psicologia econômica, professora da Fipecafi e autora do livro A Cabeça do Investidor (editora Évora), Vera Rita de Mello Ferreira, que explica que as pessoas tendem a confiar mais em uma opinião única de conhecidos, visto que procuram referências que parecem conhecidas.

Assim, explica, as pessoas precisam buscar informações para fazer escolhas mais conscientes, além de procurarem se autoconhecer.

“Vale a pena sempre ir atrás de mais informação. Ir atrás daqueles dados que não confirmam”, diz Vera, que acrescenta: “é importante expor a si mesmo a opiniões diferentes, especialmente ao perceber que no grupo todos pensam igual”.

Além de confiar mais nas ofertas e indicações dos amigos, finaliza Vera, a influência das amizades nas decisões econômicas se dá pela troca de experiências, por imitação e como exemplo negativo, ou seja, serve de modelo daquilo que não se quer seguir.