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Sou Agro

Até o leite pode virar plástico

Publicado em 18 outubro 2011

O plástico de cana-de-açúcar já está no mercado, mas tem gente tentando fazer plástico até de leite. O custo alto e os impactos ambientais do petróleo estão levando empresas e cientistas a buscar fontes renováveis para fabricar plásticos.

O próximo passo pode sair de uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) que estuda a produção de plásticos a partir do ácido lático extraído de resíduos do leite e do açúcar.

Trata-se de um complexo processo químico que está sendo investigado por pesquisadores do Laboratório de Microbiologia Industrial do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro, com recursos de um acordo de cooperação entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Braskem/Ideom. O acordo é voltado à busca por materiais similares aos derivados de petróleo, mas com menor impacto no meio ambiente.

O material pesquisado apresenta potencial para ser utilizado na produção de bioplásticos e poderia ser empregado na fabricação de diversos produtos, da indústria de embalagens para alimentos, remédios e cosméticos e até o uso em aplicações biomédicas, como cápsulas para medicamentos e em implantes ortopédicos.

O processo de recuperação e purificação do ácido lático que está sendo estudado ainda é caro, o que levou os pesquisadores a buscar matérias-primas alternativas, explica o coordenador da pesquisa, Jonas Contiero. É por isso que as fontes de nitrogênio e carbono necessários ao processo estão sendo buscadas em resíduos da indústria sucroalcooleira e queijeira.

Usando esses materiais de baixo valor, Contiero afirma que o processo é uma alternativa mais barata que sistemas que estão sendo desenvolvidos hoje nos Estados Unidos e na Bélgica. Essas outras pesquisas usam o amido de milho e o açúcar de beterraba, respectivamente, como fontes para a obtenção do plástico, o polilactato.

“A quantidade de fibras dos resíduos ou subprodutos da agroindústria da cana-de-açúcar, representada pelo bagaço e pela palha, dá a ela uma vantagem competitiva inigualável em relação às outras fontes de carbono, uma vez que este resíduo pode ser utilizado para geração de energia para a operação da planta de produção”, afirma o pesquisador.

* Com informações da Fapesp