Notícia

Organics News Brasil

Até 2100, temperaturas do Pantanal podem aumentar em 7ºC

Publicado em 10 abril 2016

Um estudo, realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), concluiu que as temperaturas médias anuais do Pantanal correm o risco de serem elevadas em até 7º C, até 2100.

Para chegar nesta projeção, a equipe comandada pelo hidrologista e meteorologista José Antonio Marengo Orsini utilizou os modelos climáticos globais propostos no 5º Relatório de Avaliação (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2014.

O documento propõe um aumento na temperatura média global em 2100 de 3,7ºC a 4,8ºC. Ao utilizar estes parâmetros para analisar o clima do Pantanal, os pesquisadores concluíram que até 2040, as temperaturas médias devem subir de 2ºC a 3ºC; até 2070, o crescimento poderá ser de 4ºC a 5ºC e até 2100, terá um aumento superior a 6ºC, em relação à temperatura registrada atualmente.

Localizado no Paraguai, na Bolívia e nos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, o Pantanal é uma região semiárida de 150 mil km², com temperatura média anual de 24ºC, composto por uma rica biodiversidade e influenciado diretamente pelos biomas da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica.

Considerado a maior planície alagada do mundo, o bioma é um grande reservatório que armazena águas que escoam dos planaltos circundantes e que, durante a estação chuvosa, tem 70% da sua planície alagada com o transbordamento dos rios. E durante a estação seca, as águas refluem para a calha dos rios e os rios banhados são parcialmente drenados.

Como consequência do aumento da temperatura, o regime de chuvas da região seria reduzido drasticamente, principalmente no inverno, fazendo com que aumentasse a evaporação no Pantanal e, consequentemente, o volume de água represada desaparecesse.

Para o pesquisador José Antonio Marengo Orsini, “um aumento da temperatura média de 5ºC a 6ºC implicaria em deficiência hídrica, o que afetaria a biodiversidade e a população”, afirmou.

Com a desregulação do Pantanal, várias espécies da fauna e da flora correm o risco de extinção ou de migrar para outras regiões, afetando diretamente todos os nichos da cadeira alimentar.

Segundo Marengo, como o Pantanal está no centro da América do Sul e longe da influência marítima, o aumento da temperatura na região tende a ser mais intenso. “O dia mais quente do ano pode vir a ser até 10 °C mais quente do que hoje (atualmente a temperatura passa dos 40ºC)”, afirmou o pesquisador.

Para ler o trabalho “Climate Change Scenarious in the Pantanal” na íntegra (em inglês), acesse: http://link.springer.com/chapter/10.1007/698_2015_357

** Com informações da Agência FAPESP