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Diário do Sul

Astrônomo contribui com estudo

Publicado em 24 junho 2017

O lagunense Daniel May Nicolazzi, atualmente morador de São Paulo, está contribuindo com um estudo que desvenda como surge o vento de buracos negros. Ele é formado em Física pela UFSC e mestre e doutor em Astronomia pela USP.

O estudo, de autoria dos astrônomos Daniel May e João Steiner, ambos da USP, foi publicado na revista inglesa “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”.

O trabalho se baseou na galáxia NGC 1068, a primeira na qual um núcleo ativo foi descoberto, por ser o mais brilhante do céu. Para a realização desse trabalho, eles usaram dados obtidos com óptica adaptativa no infravermelho, nos telescópios de oito metros de abertura do Very Large Telescope (VLT) e do Gemini Norte. A pesquisa recebeu apoio da Fapesp.

Os pesquisadores mostraram que o vento é formado em dois estágios. No primeiro, a forte radiação eletromagnética proveniente do disco na vizinhança do buraco negro – vento primário – impacta o toro de poeira localizado a três anos-luz do buraco negro. Esse impacto evapora o toro, ionizando e acelerando para fora parte do gás nele contido.

A segunda etapa de formação do vento, considerada a “mais dramática”, ocorre quando o vento primário e um poderoso jato de partículas atingem uma grande nuvem de gás molecular, composto principalmente por moléculas de dois átomos de hidrogênio. Essa nuvem está localizada a 100 anos-luz de distância do buraco negro, ainda no centro da galáxia – que tem um diâmetro de 100 mil anos-luz.

“Sabe-se há muito tempo que os ventos [em buracos negros] existem. Mas o mecanismo e a localização exata não eram conhecidos. Este trabalho mostra isso, pela primeira vez”, diz.