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Revista Amazônia

Asteroides recebem nomes de pesquisadores da Unesp

Publicado em 03 maio 2017

Por Maria Fernanda Ziegler, da Agência FAPESP

Foi anunciado no congresso Asteroid, Comets, and Meteors, realizado no Uruguai em 14 de abril, que três asteroides terão os nomes dos pesquisadores Silvia Giuliatti Winter, Othon Winter e Valerio Carruba, todos da Faculdade de Engenharia (FEG) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Guaratinguetá. São os asteroides (10741) Valeriocarruba, (10696) Giuliattiwinter e (10697) Othonwinter.

“Nunca imaginei isso, nem em sonho. Quando fiquei sabendo, fiquei muito contente”, disse Silvia Winter à Agência FAPESP. A professora do Departamento de Matemática recebeu a homenagem por seus estudos sobre anéis planetários e dinâmica do sistema de Plutão.

A divulgação dos novos nomes dos asteroides foi feita no jantar de encerramento do congresso. “Parecia um carnaval, quando falavam o nome de alguém que estava no jantar, os presentes gritavam em comemoração. Anunciaram primeiro o nome do Valerio Carruba e depois foi o da Silvia e o meu juntos. Nós somos casados, os asteroides são sequenciais e o anúncio foi feito de modo diferente dos outros. Fizeram também um comentário romântico de que estaríamos para sempre juntos”, disse Othon Winter, homenageado pelos estudos em dinâmica orbital com aplicações a estabilidade de sistemas de asteroides múltiplos.

Cabe à União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) regular a nomeação de asteroides. Os primeiros receberam nomes mitológicos como Ceres, Juno, Pallas e Vesta. Atualmente, as opções se ampliaram, permitindo, por exemplo, homenagear cientistas de destaque, mas impedindo que as nomeações façam referência a atividades políticas ou militares recentes.

Outra premissa é que o asteroide ganhe nome somente depois de ter sido observado por um período suficiente para que a órbita seja determinada com grau de precisão. E isso pode levar anos. Mas, quando ocorre, o corpo celeste recebe uma designação permanente, com número emitido em sequência numérica.

Carruba foi homenageado pelos estudos sobre famílias de asteroides. O asteroide (10741) Valeriocarruba foi descoberto em 1988 pelo astrônomo norte-americano Bobby Bus.

“Ele está bem longe daqui, no cinturão central, depois da ressonância com Júpiter 3/1. Não é membro da Família Maria [grupo que orbita o Sol com distâncias entre cerca de 2,5 e 2,706 unidades astronômicas], mas quase: dependendo de como se define a Família Maria ele pode entrar ou não”, disse Carruba.

No momento, há quase um milhão de asteroides novos para serem nomeados pela IAU. A cada três anos, na conferência Asteroid, Comets, and Meteors, pesquisadores da área às vezes são homenageados, batizando com seu nome alguns desses objetos.

A escolha dos asteroides do casal Winter não foi apenas sequencial: eles estão muito próximos no espaço. Ambos ficam também no cinturão central. O (10967) Othonwinter tem órbita inclinada em 15 graus e razoavelmente excêntrica. Para dar a volta ao redor do Sol este asteroide leva cerca de 4,3 anos. Já o (10966) Giuliattiwinter está a 2.32 unidades astronômicas do Sol e leva aproximadamente 3,5 anos para dar uma volta completa ao redor dele.

Agência FAPESP