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Asteroides “invisíveis” próximos de Vênus podem representar ameaça à Terra, aponta estudo (58 notícias)

Publicado em 13 de agosto de 2025

Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

identificou uma ameaça pouco conhecida, mas potencialmente perigosa: asteroides

que compartilham a órbita de Vênus e permanecem invisíveis para

as atuais campanhas de observação.

Segundo a pesquisa, publicada na

revista Astronomy & Astrophysics, esses corpos celestes

podem atingir a Terra em escalas de milhares de anos, com impactos capazes de

devastar grandes cidades.

Esses asteroides orbitam o Sol e

não fazem parte do conhecido Cinturão de Asteroides, situado

entre Marte e Júpiter. Eles estão mais próximos do

planeta Vênus, completando uma volta ao redor do Sol no mesmo tempo que ele, em

uma configuração chamada de ressonância 1:1. “Nosso estudo mostra

que há uma população de asteroides potencialmente perigosa que não conseguimos

detectar com os telescópios atuais”, afirmou à Agência FAPESP o

astrônomo Valerio Carruba, professor da Faculdade de

Engenharia da Unesp em Guaratinguetá e primeiro autor

do estudo.

Ao contrário dos chamados

troianos de Júpiter, que são relativamente estáveis, os coorbitais de Vênus

conhecidos são altamente excêntricos e instáveis. Eles alternam entre

diferentes configurações orbitais em ciclos de aproximadamente 12 mil

anos, o que os faz, em certos momentos, se aproximarem perigosamente da

Terra.

Atualmente, há apenas 20

asteroides catalogados nessa região, todos — com exceção de um — com

excentricidade acima de 0,38, o que facilita sua detecção, já que

se afastam mais do Sol no céu. Entretanto, simulações apontam que existe uma

quantidade muito maior de objetos com excentricidade menor, mais difíceis de

serem observados da Terra. “A ausência desses objetos no catálogo é claramente

resultado de um viés observacional”, explica Carruba.

Os asteroides mais preocupantes

seriam aqueles com cerca de 300 metros de diâmetro, capazes de

causar crateras de até 4,5 quilômetros e liberar energia

equivalente a centenas de megatons. Simulações mostraram que alguns desses

objetos podem se aproximar da Terra a distâncias extremamente pequenas, com

impactos quase certos em escalas de milênios.

Os pesquisadores testaram a

possibilidade de detecção com o Observatório Vera Rubin (LSST),

no Chile, mas as simulações indicam que mesmo os asteroides mais brilhantes só

seriam visíveis em curtos períodos de uma a duas semanas e apenas quando

estivessem acima de 20 graus no horizonte. “Eles podem ficar meses ou anos

invisíveis e aparecer por poucos dias em condições muito específicas”, afirmou

Valerio.

Como solução, o estudo aponta que

missões espaciais, como a Neo Surveyor (NASA) e a

proposta Crown (China), poderiam monitorar esses objetos a

partir de regiões próximas ao Sol, melhorando a vigilância sobre essa população

oculta. “A defesa planetária precisa considerar não só o que conseguimos ver,

mas também o que ainda não conseguimos detectar”, reforça o pesquisador.

A origem desses asteroides

estaria ligada ao Cinturão Principal, sendo remanescentes do

processo de formação do Sistema Solar. Com o tempo, influências gravitacionais

de Júpiter e Saturno teriam desviado esses objetos para órbitas internas, onde

são temporariamente capturados pela ressonância com Vênus antes de

possivelmente migrarem para trajetórias próximas à Terra ou até serem ejetados

do Sistema Solar.

O trabalho foi conduzido

pelo Grupo de Dinâmica Orbital e Planetologia (GDOP) da Unesp,

com apoio da FAPESP. A equipe contou ainda com Gabriel

Antonio Caritá, doutorando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).