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Cosmetics

Assuntos cosméticos e ciências toxicológicas

Publicado em 09 abril 2012

Algumas pessoas, em determinados momentos da vida, podem se sentir desconfortáveis e/ou acuadas em seu próprio ambiente; consequentemente, podem ser levadas a pensar em novos caminhos e procedimentos, especialmente aqueles regidos pelo tempo ou modismos sazonais.

Lembrando velho e respeitado conceito “saúde é o completo bem-estar físico, social e mental” pode-se assegurar que aparência pessoal traz sentimentos de bem-estar pessoal e facilita um bom e duradouro dia de trabalho. Os cosméticos seguramente são coadjuvantes destes processos, tanto para os jovens que não querem ser velhos quanto para os velhos que querem ser mais jovens.

A segurança de um produto cosmético depende do ingrediente, do produto acabado e, notadamente, da via de exposição, representada pelo complexo sistema anatômico - a pele - que preconiza e exige sólidos fundamentos e conhecimentos de dermatotoxicologia, possíveis interações com os sistemas nervoso central, autônomo e endocrinológico (Experimental Dermatology 15:692-704,2006; Nursing Philosophy 6:131-143,2005; Int J Cosm Sc 27,343-349, 2005).

O crescente aumento do uso de cosméticos tem exigido a participação de uma verdadeira equipe de trabalho, de caráter multiprofissional e disciplinar, colocando em campo farmacêuticos, médicos, biologistas, químicos e outras importantes áreas onde o centro de interesse deve estar focado na segurança da formulação que será posta no mercado.

Quanto se fala na segurança de ingredientes e produtos cosméticos - a Toxicologia - expandida como Ciências Toxicológicas, esta área passa por incríveis alcances científicos que procuram objetivos e fins pertinentes à avaliação do risco e, desta forma, minimizar os presumíveis efeitos adversos ocasionados por eles.

Conhecimentos de toxicologia e genética têm facilitado a avaliação da toxicidade na descoberta de novas entidades moleculares para uso cosmético - divulgadas diariamente - exigindo apreciáveis recursos financeiros para a realização destes ensaios. Os Estados Unidos implantaram em 2002 o National Center for Toxicogenomics que vem prestando excelentes serviços imprescindíveis à segurança de substâncias químicas, incluindo-se os ingredientes cosméticos. Nesta linha de pensamento também têm sido publicados estudos conhecidos como metabolomics and metabonomic, cuja finalidade está voltada para a avaliação de respostas metabólicas ao estímulo patofisiológico ou modificações genéticas (Rev Toxicol 22:153-161, 2005, Toxicology 157-246, 2007).

O desenvolvimento da bioinformática e os modelos computacionais estão impulsionando e alimentando esperanças para o desenvolvimento da toxicologia preditiva, especialmente os assuntos relacionados à estrutura-atividade.

O intercâmbio científico deve ser utilizado como ferramenta de trabalho capaz de manter a plena comunicação entre a academia, os órgãos regulatórios e o setor regulado e, para isso, nada melhor do que contar com bons bancos de dados, já presentes em países desenvolvidos (Reg Toxicol and Pharmacol 49:208-216, 2007).

Além disso, possíveis diversas razões estão exigindo urgente processo de harmonização: classificação de ingredientes e produtos cosméticos, restrições de uso, dizeres de rotulagem etc., e, porque não dizer, desprendimento de vaidades nacionalistas que podem alimentar pressuposta verdades, por vezes capazes de dificultar a harmonização regulatória (Toxicology 160:237-241, 2001).

A comunidade científica tem avaliado, com sucesso, novos corolários, resultando conquistas notáveis à segurança de ingredientes e produtos cosméticos. O assunto em pauta ainda poderia ser acrescentado de outros importantes valores, intimamente relacionadas à segurança dos cosméticos, acerto que pode ser facilmente avaliado através de milhares de publicações, presentes em periódicos de alto impacto. Estas publicações continuarão a desafiar o conhecimento.

Philip Hanawalt, descobridor do mecanismo de reparo do DNA, professor de Stanford University, que defende a criatividade na pesquisa, de forma brilhante escreveu “o que não se sabe é o mais importante na Ciência” (Pesquisa Fapesp 157:8-13, 2009).

Dermeval de Carvalho

Prof. Titular de Toxicologia pela USP, Membro das Câmaras Técnicas de Cosméticos da SVS e ANVISA de 1995 a 2007 e Diretor Científico da Biotox