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Assédio moral: fator de desmotivação organizacional

Publicado em 21 março 2012

Por Alliny Martins Gomes

Assédio Moral ou Violência Moral não é um fenômeno novo, pode-se dizer que é tão antigo quanto o trabalho, a novidade está na intensificação, gravidade e banalização do fenômeno independente do gênero. Os casos vêm crescendo nos últimos anos, porém o que de fato precisa acontecer é a conscientização dos gestores e colaboradores que em sua maioria não sabem do que se trata tampouco como acontece; e como coibir esse fenômeno que torna o ambiente de trabalho um lugar desconfortável?

 A informação através dos conceitos legais, índices demonstrativos e casos que foram alvo de punição serão de grande valia para os colaboradores, gestores e para a organização como um todo, pois tendo o conhecimento sobre o assunto poderão se posicionar contra essa violência. Realizando um trabalho produtivo e competitivo, pois o assédio moral é uma grande ferramenta de desmotivação organizacional, o que leva a perdas imensuráveis. E através deste trabalho informativo e de conscientização será possível elaborar normas técnicas e processos onde será possível punir esses agressores e acabar com a certeza da impunidade que é um grande aliado de quem comete esse crime.

 Alliny Martins Gomes

 Autoras: Alliny Martins e Priscila Araújo alunas formadas no curso de Gestão de Recursos Humanos.

Orientadora: Ana Paula Brandão professora do curso de Gestão de Recursos Humanos.

1. INTRODUÇÃO

Ao abranger o tema "Assédio Moral" nosso objetivo é antes de tudo informativo, com isso desejamos dar visibilidade ao tema, democratizando a informação a fim de contribuir para o avanço das reflexões e discussões dos movimentos sociais sobre o tema; auxiliar as vítimas fornecendo informações que possam ser úteis para solução dos seus problemas, através de conhecimento dessa realidade em nosso país nesta área. Nosso anseio de conscientizar um grupo cada vez maior de pessoas contribuindo para a implantação de um modelo de sociedade mais humana e solidária, desejando um basta ao assédio moral no trabalho.Para isto iremos abordar alguns temas primordiais para o esclarecimento deste assunto tão polemico. É preciso conscientizar a todos para então acabar de vez com este mal e para isso é necessário que todos saibam o que é, e quais são as suas conseqüências. Nosso estudo partiu da necessidade de transformar um mito em realidade, queremos mostrar que o assédio moral existe, mas que também existem formas legais de combatê-lo e que através da conscientização e informação é possível mudar essa realidade de impunidade dos que cometem o assédio moral. Para a elaboração deste artigo foram realizadas pesquisas em livros e sites sobre o tema Assédio Moral e através desta pesquisa e estudo de caso foi elaborada a base teórica para esse trabalho.

2. METODOLOGIA

A escolha do tema justifica-se pela intensidade e banalização do problema, trazer ao gestor e colaborador a importância do conhecimento sobre o assunto, para que saibam como identificar e lidar com o Assédio Moral dentro das organizações. Pois o que contribui para o aumento e impunidade é a falta de conhecimento e assim todos poderão identificar, denunciar, coibir e buscar por seus direitos. O gestor de RH poderá realizar um trabalho sadio com seus colaboradores dentro de um contexto competitivo, melhorando a produtividade e aumentando a motivação, fazendo com que o RH se torne uma ferramenta de combate ao assédio moral dentro das organizações.

3. OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS

Este trabalho visa esclarecer a sociedade sobre o assédio moral, assim como mostrar que o RH pode ser uma ferramenta de desenvolvimento e ajudar a combater esse problema, esclarecendo causa, conseqüências e aspectos. Visamos trazer uma reflexão e discussão sobre o tema, a fim de disseminar o desejo pelo combate a esse fenômeno e conseqüentemente aumentar a motivação dentro da organização.

4. REFERENCIAL TEÓRICO

Abordaremos a parte histórica do assédio moral onde teremos a luz do referencial teórico um esclarecimento amplo e objetivo sobre esse fenômeno equiparar ao acidente de trabalho a ofensa física intencional, inclusive de terceiros, somente quando o motivo de disputa seja relacionado ao trabalho. O objetivo é apresentar e estender o conceito de outras situações equiparadas ao acidente de trabalho. A ofensa moral cada vez mais, vem sendo reconhecida como fator de risco nos ambientes de trabalho, destacando-se o assédio moral e outras formas de violência.

5. O QUE É ASSÉDIO MORAL

Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2003), a palavra "assédio" significa "insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém". O assunto vem sendo discutido amplamente pela sociedade, em particular no movimento sindical e no âmbito do legislativo.Atualmente existem mais de 80 projetos de lei em diferentes municípios do país vários projetos já foram aprovados e, entre eles, destacam-se os âmbitos Federal, Estadual e Municipal.

Percebe-se então que desde maio de 2002, no âmbito estadual Rio de Janeiro, condena esta prática. E existem projetos em tramitação nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraná, Bahia, entre outros. No âmbito federal, há propostas de alteração do Código Penal e outros projetos de lei.

6. O QUE É ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO

Segundo BARRETO 2010, assédio moral no trabalho caracteriza-se como a exposição dos colaboradores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, ou seja, relações desarmônicas em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinados.O que ocasiona a desestabilização da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-a desistir do emprego.Ainda segundo BARRETO 2010, o assédio moral no trabalho, caracteriza-se pela degradação deliberada, das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus colaboradores, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização.A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada e desacreditada diante dos pares.De acordo com ALENCAR, 2007, a humilhação é definida como um rebaixamento moral. E o que ocorre na organização com os pares é que por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados, associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e ritualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o pacto da tolerância e do silêncio no ambiente coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e tornando se frágil até o ponto de sua auto-estima ser prejudicada.BARRETO 2010 diz que um ato isolado de humilhação não é assédio moral. Este pressupõe: repetição sistemática; intencionalidade que é forçar o outro a abrir mão do emprego; direcionalidade que é quando uma pessoa do grupo é escolhida como bode expiatório; temporalidade acontece durante a jornada de trabalho, por dias e meses.

Entretanto devemos combater firmemente por constituir uma violência psicológica, causando danos à saúde física e mental, que podem evoluir para a incapacidade laborativa, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos.Para citar um exemplo de humilhação no trabalho, apresentaremos um processo iniciado na 4a Vara do Trabalho de São Bernardo do Campo, com posterior Recurso Ordinário dirigido ao TRT/SP, no qual a empresa foi condenada a indenizar a reclamante por danos morais.Consta dos autos que a vítima vendia cotas para um consórcio e recebia tratamento desrespeitoso por parte de seus superiores, no intuito de vender e atingir metas. Eles aconselhavam-na a "sair com clientes" ou "vender o corpo", além de agredir verbalmente não só à reclamante, mas também aos vendedores que não alcançavam as metas, fazendo comentários irônicos, aplicando advertências, e tratando-os de forma extremamente grosseira, inclusive com xingamentos. Tudo acontecia na presença de outros funcionários, os quais serviram de testemunha no decorrer do processo. Indiscutivelmente, havendo laudo clínico ou não, a reclamante teve sua saúde psicológica afetada, além de sua vida profissional e privada. Não houve respeito algum por parte dos superiores à sua "dignidade humana", posto ter sido "exposta ao ridículo" e tratada como simples objeto, e não como trabalhadora que era.O assédio moral caracterizado pelo desrespeito à honra, moral e dignidade da trabalhadora. Houve, ainda, patente discriminação à figura da mulher, como se devesse estar à disposição de qualquer demanda do homem. Assim, consagrou-se evidente seu direito em requerer indenização por danos morais, a qual lhe foi concedida no valor de dez vezes o valor recebido normalmente no trabalho. A análise do conceito de assédio moral ressalta que a exposição a esse tipo de situação deve ser "repetitiva e prolongada durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções".

7. DESMOTIVAÇÃO: CONSEQÜÊNCIA DO ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO

RECINELLA 2005, afirma que motivação é o ato de motivar; exposição de motivos ou causas; conjunto de fatores psicológicos, conscientes ou não, de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, que determinam certo tipo de conduta em alguém. Sendo assim motivação está intimamente ligado aos motivos a um fator que leva uma pessoa a algum estado ou atividade. Logo podemos pensar que para exercer suas atividades diárias o individuo precisa de algo que o motive.E ao mencionarmos o ambiente laborativo podemos imaginar vários fatores que motivam e desmotivam um colaborador. Alguns estudiosos acreditam que a motivação é interna e que não é possível motivar alguém se este não quer ser motivado, outros já acreditam que qualquer pessoa pode ser motivada se usados os meios motivacionais corretos.Dentro de uma organização temos vários fatores que podem motivar um funcionário como, por exemplo: salários, benefícios, ambiente saudável, planos de carreira entre outros e podemos também encontrar muitos fatores desmotivacionais sejam eles: falta de materiais adequados ao trabalho ou função, baixos salários, cobranças excessivas, perseguição, falta de comunicação, má distribuição de funções.Ao analisarmos alguns pontos desmotivacionais encontramos alguns fatos que se tornam repetitivos em que alguns colaboradores são alvo de perseguição. E isso faz com que este esteja constantemente desmotivado assim como aqueles que presenciam e testemunham tais desmandos. Essas perseguições como vimos caracteriza-se como assédio moral e é vivenciado dentro de algumas organizações, mas isso não é prejudicial apenas para o colaborador, a organização também é prejudicada.

8. CONSEQÜÊNCIAS PARA A ORGANIZAÇÃO

Um ambiente laboral sadio é fruto das pessoas que nele estão inseridas, do relacionamento pessoal, do entrosamento, da motivação e da união de forças em prol de um objetivo comum que é a realização do trabalho. Com isso, afirma-se que a qualidade do ambiente de trabalho, sob o aspecto pessoal, muito mais do que relacionamentos meramente produtivos, exige integração entre todos os envolvidos. Esta integração, todavia, está irremediavelmente comprometida quando os empregados são desmotivados e assediados moralmente. O assédio moral inevitavelmente instala um clima desfavorável na empresa, de tensão, de apreensão, de competição. Segundo Zimmermann (2002), as estatísticas feitas pelos estudiosos no assunto apontam que a primeira conseqüência a ser sentida é a queda da produtividade, seguida pela redução da qualidade do serviço, ambas geradas pela instabilidade que o empregado sente no posto de trabalho. Essas situações somadas causam diversas conseqüências, falaremos mais adiante especificando algumas delas, mas o que chama atenção é a possibilidade de adoecer por conta dessas ações, porque o assédio moral é uma forma de violência psicológica.Porém é muito difícil identificar um grupo, todo mundo pode ser assediado moralmente isso é um problema associado à organização do trabalho, aos modos de gestão, e a estrutura da empresa.Todas essas variáveis são importantes e estão na base do assédio moral é uma forma de violência que pode atingir do lavador de carro ao médico ultra-especializado assim não há um perfil de quem seja mais ou menos assediado.O que a difere é que ela não deixa traços visíveis no indivíduo, mas, com certeza, é uma violência que destrói, e muitas vezes muito mais que a violência física. Os efeitos psicológicos são devastadores para a pessoa que vive o assédio moral.Trabalhando a parte de perfil e dependendo deste o empregado assediado pode se tornar absenteísta e presenteísta, acomodado numa situação constrangedora, suportada apenas pela necessidade de se manter no emprego ou então não se sujeita a tal situação, preferindo retirar-se da empresa e postular a reparação do dano na via judicial.De toda sorte, as duas hipóteses deságuam na mesma conseqüência: prejuízos econômicos para o empregador. Isto sem mencionar o comprometimento da imagem externa da empresa, a sua reputação junto ao público consumidor e ao próprio mercado de trabalho.

9. CONSEQÜÊNCIAS PARA O ASSEDIADO

As conseqüências que irá sofrer o assediado dependem muito de seu perfil psicológico. Encontrando terreno fértil, o terror psicológico provoca na vítima danos físicos, mentais e psicossomáticos. Zimmermann (2002), afirma que:

"Todos os quadros apresentados como efeitos à saúde física e mental podem surgir nos trabalhadores vítimas de assédio moral, devendo, ser, evidentemente, consideradas como doenças do trabalho". Os primeiros sintomas são problemas clínicos devido ao estresse [...]. Depois, começa a ser afetada a parte psicológica [...]. A auto-estima da pessoa começa a entrar em declínio [...].

HIRIGOYEN, 2002, registra que quando o assédio moral é recente existe ainda uma possibilidade de reação, os sintomas no inicio, são parecidos com os sintomas de estresse, o que os médicos classificam de perturbações funcionais como exemplo listamos: cansaço, nervosismo, distúrbios do sono, enxaquecas, distúrbios digestivos, dores na coluna. É a autodefesa do organismo uma hiperestimulação, é a tentativa da pessoa de adaptar-se para enfrentar a situação. Mas, se o assédio moral se prolonga por mais tempo ou agravar-se a um estado depressivo mais forte pode se solidificar.HELOANI 2007, diz que a pessoa assediada automaticamente perde o interesse por seu ambiente laborativo, suas atribuições apresentam: apatia, tristeza, complexo de culpa, obsessão e até desinteresse por seus próprios valores, esta se torna um colaborador desmotivado, não só por seu trabalho mas também por sua própria vida.

Segundo Heloani, o assédio não é uma doença ou um problema ético da classe trabalhadora. "É uma patologia organizacional, um problema social. Ou modificamos a forma de organizar o trabalho ou teremos de conviver ainda por muito tempo com o assédio moral", disse ele.(SG)

A seguir o  uma comparação, onde é possível observar o grau de comprometimento da saúde de acordo com o gênero, mas também deixa claro que independente de ser homem ou mulher o assédio moral causa danos que são irreparáveis, pois além de comprometer a saúde do individuo, afeta suas atividades normais, atinge a área da alma o psicológico, e quando não há um tratamento a vítima sem instrução procura se privar muita das vezes, e numa tentativa de se proteger acaba furtando-se do convívio de familiares e amigos e ainda de suas atividades profissionais : 

classificação por gênero de sintomas que mais se evidenciam em situações de assédio moral.

Mulheres:

Crises de choro 100 -

Dores generalizadas 80 80

Palpitações, tremores 80 40

Sentimento de inutilidade 72 40

Insônia ou sonolência excessiva 69,6 63,6

Depressão 60 70

Diminuição da libido 60

Homens:

Crises de choro 0 -

Dores generalizadas  80

Palpitações, tremores  40

Sentimento de inutilidade 40

Insônia ou sonolência excessiva 63,6

Depressão  70

Diminuição da libido 15

Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.10. 

 

10. O QUE A VÍTIMA DEVE FAZER

De acordo com um estudo do Psicólogo Roberto Heloani ele ensina ferramentas que a vítima pode utilizar para seu beneficio são elas:

Registrar e anotar com detalhes todas as humilhações sofridas mencionando dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário;

Dar visibilidade procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor;

Organizar o apoio é fundamental dentro e fora da empresa;

Evitar conversas com o agressor, sem testemunhas, ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical;

Exigir formalizando por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao Departamento Pessoal ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo;

Procurar o sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos;

Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo;

Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.

11. O RH NO COMBATE AO ASSÉDIO MORAL: FATOR DE DESENVOLVIMENTO

O RH tem o papel de fazer a integração entre empregado e empregador, e na maioria das vezes age como se devessem apenas fazer isto, e acabam agindo de maneira neutra, sem intervir em algumas situações, como as de assédio moral que é uma problemática séria e que traz opiniões e posturas diferenciadas.Sabemos que a maioria dos gestores de RH desconhece até mesmo o que é e como combater, mas sabemos que a real responsabilidade do gestor de RH vai além de suas obrigações burocráticas, ele tem total incumbência pelo capital intelectual da empresa, e deve zelar pelo seu desenvolvimento.

O RH deve agir em favor do bom desenvolvimento organizacional se portando como ferramenta de desenvolvimento para que através dessa ferramenta seus colaboradores consigam então iniciar uma campanha de combate ao assédio moral, logo que percebido e constatado sua ocorrência, a fim de se evitar danos maiores para a empresa e para o assediado. É muito difícil para o RH se posicionar em um caso como este, mas também não deve se omitir, pois na maioria das vezes não tem autonomia para agir neste sentido e é por esta razão que medidas preventivas devem ser elaboradas e um código de ética deve ser implantado, campanhas de conscientização e esclarecimento devem ser feitas periodicamente com o intuito de inibir a ação desse contraventor em suas investidas de assédio.É importante ressaltar que o RH estratégico trabalha para antever os problemas, sendo assim é de suma importância que ao iniciar esse trabalho fique claro para a alta gerência, assim como para toda a organização que o projeto é preventivo, motivacional e para desenvolvimento coletivo, para instruir a todos alcançando qualquer esfera de nível hierárquico.

Haja vista que prevenir é a melhor forma de combater, e estando todos de posse da informação correta e tendo o devido conhecimento sobre o que é sobre suas causas e conseqüências para a organização e também para o colaborador, de fato será mais fácil combater possíveis casos de assédio moral no trabalho.Desta forma o RH terá os próprios colaboradores e gestores como aliados, pois estes não terão medo em denunciar o agressor, já que saberão que realmente poderão contar com a ajuda do seu RH, mesmo que este agressor seja um gestor, mas para que tudo isso funcione é preciso à implantação deste projeto para que então a tão sonhada erradicação ao assédio moral seja possível.

12. O PERFIL DO "NOVO" TRABALHADOR

Já entramos no século XXI, um novo tempo que nos exige de capacidades e competências no mundo do trabalho e na vida. Querer viver melhor é preparar-se para exigências que se renovam constantemente. Qualidades pessoais ética,criatividade, dinamismo, versatilidade, espírito de cooperação tornaram-se o algo mais que o mercado de trabalho procura e exige dia-a-dia de cada um de nós. Sobreviver, portanto, é ordem do dia e isso significa estar atento às mudanças do hoje e do amanhã.Hoje, entretanto, quem não sabe ler, compreender textos, números e imagens está longe de conseguir algo, qualquer coisa, por mais banal que seja, precisa da leitura e da escrita. Por isso, ela deve ser estimulada desde cedo, outro exemplo podemos citar a capacidade de fazer cálculos e de resolver problemas no dia-a-dia e no trabalho, são necessárias muitas habilidade com os números, raciocínio lógico, livre-iniciativa e jogo de cintura para superar dificuldades, positivamente, ou seja, respeitando os outros.Interpretar é super importante como exemplo, citamos que saber observar, analisar, e expor pensamentos expor suas idéias, de forma clara, direta, lógica e eficiente, oralmente ou por escrito, interpretando entendendo e fazendo entender mensagens dados, códigos e outras formas de representar, porque sempre se é testado pelas novas tecnologias.

A questão da cidadania é fundamental saber o que acontece na sua comunidade, cidade, país e até mesmo no mundo, para melhorá-lo caracteriza um caráter sensato e humano.Transformar problemas em chances procurando organizar para defender seus interesses e também aceitar as diferenças aprendendo com elas, assim crescerá com o país e ele com você.Não ter um olhar crítico em relação às mídias para não ser manipulado, ter opinião própria é importante para obter educação básica e profissional de qualidade atualizar-se sempre, pois a competição é crescente.Pesquisar e usar a informação adquirida sabendo organizar e manejar bem a informação encontrada.Saber planejar, saber organizar a vida o trabalho, pois as empresas procuram quem sabe analisar situações, definir estratégias, solucionar problemas e avaliar resultados.

Falar bem tão importante quanto planejar é indispensável na hora de apresentar um projeto ter bom argumento, boa dicção e bom atendimento são importantes para abrir portas.Versatilidade ter várias habilidades e experiências se quiser sobreviver no mercado atual o mercado é muito ativo e, por isso, é bom procurar se especializar no que faz, e entender de outros assuntos. Ser limitado, jamais.Aplicar-se em falar outras línguas é certeza de estar um passo à frente no mercado de trabalho. Isto é um diferencial no currículo.Aprender sempre no mundo de hoje, as novas tecnologias vem sendo rapidamente substituídas por outras. Por isso, estudar e se atualizar sempre é muito importante. Um profissional pode estar "enferrujado" dentro de pouco tempo, se não estiver, atento às inovações do mercadoTrabalhar num grupo unido e integrado faz a diferença na concretização de um projeto um profissional se destaca dos outros quando sabe trabalhar em equipe. E trabalhar em grupo requer: assiduidade e pontualidade isso mostrará que você é responsável e consciente. Qualquer um vê com bons olhos uma pessoa com estas qualidades.

Sensibilidade procure ver tudo o que você faz como parte de si mesmoHabilidade e conhecimento profundo somados a prática no trabalho que realiza assim, errará menos. Parceria procure ver a direção da empresa como uma companheira de trabalho, nunca uma inimiga sobre a ética depois de uma possível saída, procurar não falar mal das pessoas e lugares que trabalhou. Em relação ao cumprimento de metas sendo responsável, fazendo todas as tarefas dentro do prazo combinado. O bom relacionamento é sempre bem aceito em qualquer lugar.A criatividade é fundamental porque não basta apenas saber apertar parafusos; tem que ter criatividade para inventar meios de trabalhar melhor.

13. DESCRIÇÃO DO ESTUDO DE CASO

Este trabalho abordará uma pesquisa em uma empresa no Rio de Janeiro, todavia os nomes dos envolvidos e da empresa são fictícios a fim de preservar a imagem dos mesmos.

A organização escolhida foi a WSR Consultoria empresa no ramo de engenharia e informática, é uma empresa consideravelmente grande com sede em Brasília e agora se expandindo no Rio de Janeiro, é responsável pela contratação de funcionários qualificados para assumirem os projetos que gerenciam.A empresa conta com um quadro de aproximadamente 50 funcionários na filial Rio de Janeiro. Em sua administração conta com o Diretor Executivo Sr. José Paulo.

A pesquisa foi realizada na Av. Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio onde se situa o escritório administrativo e onde ocorrem os casos mais absurdos de assédio moral que são cometidos pelo diretor executivo da empresa acima citado.A empresa em questão a um longo período de tempo vem passando por problemas provenientes de assédios cometidos pelo diretor executivo da empresa a seus colaboradores, o que resultou em demissões forçadas de 7 colaboradores no período de apenas 1 ano e 10 meses.

A pesquisa foi realizada apenas na sede Rio de Janeiro o que impossibilita afirmar que isso é uma cultura da empresa como um todo, desta forma o que se pode analisar é que existe um problema persistente dentro da filial Rio de Janeiro.Os colaboradores da empresa concordaram em prestar depoimento e responder ao questionário proposto, para isso foi mantido total sigilo das informações recebidas, nomes e funções a fim de não comprometer qualquer um destes colaboradores, os mesmos colaboraram, pois tem um grande interesse em melhorar o ambiente de trabalho que hoje é hostil e desmotivador.

14. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA

O conteúdo do questionário que se encontra em anexo tem por objetivo evidenciar os atos ocorridos dentro da organização de acordo com a função e área de atividade, através das respostas obtidas foi possível verificar que o nexo causal é evidente e não se pode negar, visto que todos os colaboradores entrevistados têm reclamações e relatos de abusos cometidos pelo agressor.Foi possível comprovar que de fato este diretor vem cometendo assédio moral e que isto além de prejudicar a empresa financeiramente, através da rotatividade e absenteísmo, também prejudica o bom desenvolvimento das atividades no ambiente laboral, já que todos os colaboradores encontram-se desmotivados o que comprova que o assédio moral é um grande fator de desmotivação organizacional.

Podemos perceber que a maioria destes colaboradores não tinha informações sobre assédio moral, porém ao tomarem ciência do assunto identificaram muitos casos. Podemos verificar que todos os colaboradores responderam já terem passado por alguma situação de assédio.Um dos colaboradores que responderam a este questionário chama-se Joaquim dos Santos, assistente administrativo, que acaba de pedir demissão da empresa por sérias pressões psicológicas cometidas pelo atual diretor executivo da empresa.

Além de Joaquim outra colaboradora Ana Cristina não conseguiu permanecer por mais de um mês nesta organização e acabou pedindo para ser dispensada do estágio que fazia após ter sido chamada de mentirosa na frente de outras pessoas ao ter ido ao médico, seu chefe a questionou sobre a veracidade da informação e exigiu o atestado médico. Ana ainda relata que passou por incompetente várias vezes, foi cobrada por tarefas que não foi designada a fazer entre outros desmandos tudo isso sempre com gritos e pressões, os ocorridos são constantes segundo os colaboradores que responderam a essa pesquisa.Observando todos esses depoimentos feitos através do questionário que foi elaborado pelas pesquisadoras do artigo, fica claro que dentro desta organização têm ocorrido vários casos de assédio moral e que o resultado desses assédios é a total desmotivação dos trabalhadores levando na maioria das vezes a demissão.

15. ANÁLISE DOS RESULTADOS À LUZ DO REFERENCIAL TEÓRICO

Analisando os casos ocorridos dentro da organização e o que foi apresentado no referencial teórico fica claro a coação e perseguição a esses colaboradores, fica evidente que não se trata de um caso isolado, podemos perceber que esses casos tornaram-se parte das atividades cotidianas de todos dentro da organização. A pressão psicológica e as fortes agressões são facilmente identificadas nos depoimentos dos colaboradores e também percebidas nos corredores da empresa, identifica-se a necessidade de um plano de ação dentro da empresa através de palestras motivacionais, fóruns e debates sobre este assunto. E a sugestão é que seja elaborado um código de ética, para que haja parâmetros e regras a serem seguidas o que ainda não existe. Também realizar um projeto de desenvolvimento que possibilite o aumento da motivação e conseqüentemente a redução do absenteísmo e da rotatividade; seria o primeiro passo para a conscientização da alta gerencia a principio que é o mais importante, a fim de que minimize os possíveis prejuízos a organização. Haja a vista o colaborador ter a cobertura da lei para se defender de casos de assédio moral no trabalho.

16. CONCLUSÕES, RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES PARA FUTURA PESQUISA

Em virtude dos fatos mencionados é possível entender que o Assédio Moral não é um ato isolado, este pressupõe repetições de humilhação e constrangimento, causando sérios danos psicológicos afetando a saúde física e mental de quem sofre e testemunha esse tipo de violência, pois passam a conviver com a depressão e outros males que afetam o desempenho do individuo podendo levá-lo até mesmo ao suicídio.Mas como acabar ou reduzir esses casos no âmbito organizacional, para que os trabalhadores possam ter uma vida saudável em seu ambiente laborativo? É muito difícil, pois não depende apenas da boa vontade dos colaboradores e RH, entretanto quando há uma política de esclarecimento visando o desenvolvimento organizacional através do desenvolvimento de seus colaboradores, existe um esclarecimento sobre o assunto e tudo se torna mais fácil, pois a prevenção passa a fazer parte da cultura da empresa. Fica claro então que o que falta na empresa que serviu como objeto da pesquisa, é um projeto de desenvolvimento de seus colaboradores, onde esse e outros assuntos pertinentes como ética, comportamento e cultura organizacional entre outros possam ser expostos, divulgados e debatidos, através de fóruns, palestras e treinamentos, para que todas as dúvidas pertinentes ao assunto sejam sanadas e assim se desenvolva uma relação de confiança dentro desta organização.Sabemos é claro que o que pode funcionar em uma empresa pode não ser tão eficaz em outra, já que sua cultura e valores são diferentes, entretanto o mais importante de fato é a conscientização e a prevenção para que se alcance uma qualidade no desempenho dos colaboradores assim como da organização, tornando o ambiente saudável e amistoso.

REFERÊNCIAS

BARRETO, Margarida Maria Silveira. Violência, saúde, trabalho - Uma jornada de humilhações. São Paulo: EDUC - EDITORA DA PUC-SP, 2000.

BARRETO, Margarida Maria Silveira. Uma jornada de humilhações. 2000. 266p Dissertação mestrado em Psicologia Social - Faculdade de Psicologia - Pontifica Universidade de São Paulo - SP

BARRETO, Margarida Maria Silveira. Assédio moral : a violência sutil - ánalise epidemiológica e psicossosial no trabalho no Brasil, 2005 Tese de Doutorado em Psicologia Social - Faculdade de Psicologia - Pontifica Universidade de São Paulo - SP

UOL Houaiss. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Disponível em: _Acesso em 09 mai 2010

HIRIGOYEN, Marie- France, El Acoso Moral En El Trabajo: Distinguir Lo Verdadero De Lo Falso _ Colecção: CONTEXTOS _ Nº Edição:1ª 2001

RECINELLA, Roberto - Eu sou o obstáculo - Editora: Impetus 2005ALENCAR, Heloisa Moulin de I; TAILLE, Yves de La Humilhação: o desrespeito no rebaixamento moral Arquivos Brasileiros de Psicologia, Vol. 59, No 2 (2007)ZIMMERMANN, Silvia Maria; RODRIGUES, Teresa Cristina Dunka; LIMA, Wilma Coral Mendes de. "Assédio moral". Disponível em: . Acesso em: 29 julho 2011

ÁVILA, R.P.de . As conseqüências do assédio moral no ambiente de trabalho, 2008, 148p Dissertação ( Mestrado em Direito) Universidade Caxias do Sul - Caxias do Sul

SITES

http://www.brasil.gov.br/ acessado em 14 de abril de 2011http://www.assediomoral.org.br/ acessado em 18 de julho de 2011http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/o-que-e-motivacao/11360/ acessado em 15/08/2011http://blog.mte.gov.br/?tag=roberto-heloani acessado em 23/09/2011

Questionário para Pesquisa de Campo-TCC - Artigo

Informações Importantes

v Idade:

v Sexo:

v Estado Civil:

v Etnia/raça:

v Estado onde nasceu:

v Estado onde reside atualmente:

v Pais:

v Profissão:

v Área de atividade:

( ) Industria ( ) Comércio ( ) Administrativo

v Tipo de empresa:

( ) familiar ( ) privada ( ) multinacional ( )publica

v Número de pessoas que trabalham na sua empresa:

( ) menor que 50 ( ) De 50 a 200 pessoas ( ) Acima de 200 pessoas

v Número de pessoas que trabalham no seu departamento:

( ) menor que 5 ( ) De 5 a 10 pessoas ( ) Acima de 10 pessoas

v Marque abaixo as situações que já sofreu ou sofre em seu ambiente de trabalho:

1. Seu chefe/sua chefe

( ) Não lhe cumprimenta mais ou não fala com você.

( ) Atribui a você erros fantasiosos.

( ) Bloqueia o andamento dos seu trabalho

( ) Impõe horários injustificados

( ) Pede trabalhos urgentes sem nenhuma necessidade

( ) Fala mal de você em publico

( ) Faz circular maldades e calunias sobre você

( ) Transfere você de setor para lhe isolar

( ) Impede que você converse ou se relacione com os colegas de trabalho/almoce com eles.

( ) Agride você somente quando esta a sós com ele

( ) Insinua ou faz correr boatos de que você esta com problemas mentais ou familiar.

( ) Força a pedir demissão através de pressões psicológicas.

( ) Prejudica seu bem estar e saúde.

2. Em geral você e seus colegas consideram que:

A organização no posto de trabalho favorece um bom trabalho?

( ) Sim ( ) não

As tarefas são bem definidas cada um sabe o que tem que fazer?

( ) Sim ( ) não

A iluminação do posto de trabalho é adequada?

( ) Sim ( ) não

O local de trabalho é suficientemente calmo para a execução de um trabalho satisfatório?

( ) Sim ( ) não

3. Como seu chefe toma decisões?

( ) Decide sem consultar os subordinados.

( ) Somente algumas decisões sem importância são passadas para algumas pessoas.

( ) A decisão é tomada conjuntamente pelo chefe e subordinados.

( ) Seu chefe lhe da oportunidade de opinar e aceita as opiniões.

4. Qual o estilo do seu chefe?

( ) Ele dá muita importância à produção e demonstra interesse mínimo pelo individuo.

( ) Ele dá muita importância ao individuo e demonstra interesse mínimo pela produção.

( ) Ele demonstra muito interesse pelo individuo.

( ) Ele demonstra muito interesse pela produção.

( ) Ele demonstra muito interesse pelo trabalhador e pela produção.

( ) Ele demonstra interesse igual pelo trabalhador e pela produção.

5. Você julga que o controle do seu trabalho pelo seu chefe é:

( ) Permanente ( ) Normal ( ) Fraco ( ) Nenhum

6. Você já ouviu falar sobre assédio moral?

( ) Sim ( ) não

7. Já sofreu este tipo de assédio?

( ) Sim ( ) não

8. Como você reagiu?

9. Conhece alguém que já sofreu esse tipo de assédio?

( ) Sim ( ) não

10. Como a pessoa reagiu?