Notícia

Galileu

As promessas da biotecnologia

Publicado em 01 agosto 2001

Os jornais não param de anunciar as grandes realizações da biotecnologia, um setor avançado do conhecimento científico que une as realizações da engenharia, da informática e da biologia molecular à agricultura, medicina, genética, química, farmacêutica etc. De fato, as expectativas nesse campo são enormes, mas não são fáceis de atingir. É preciso estudar, e estudar bastante. As pessoas que desejam se destacar nessa área devem se preparar para fazer faculdade, pós-graduação e vários cursos de especialização. Em compensação, o retorno é certo. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, a biotecnologia terá um crescimento médio de 13% ao ano na próxima década. Isso representa mais vagas e investimento no setor. Outra vantagem da biotecnologia é o seu caráter multidisciplinar. Físicos, químicos, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, médicos, agrônomos e veterinários trabalham no setor. "Geralmente, são áreas ligadas à ciência da vida", diz Marie Anne Van Sluys, uma das coordenadoras do Projeto Genoma Xylella, relacionado especificamente à bactéria que ataca videiras. "Mas muitos preferem fazer algum tipo de especialização em biologia molecular." De olho no potencial da área, Leandro Márcio Moreira (foto), 24 anos, decidiu abandonar sua carreira de professor de biologia. "Achei que tinha mais futuro? diz. BIOINFORMÁTICA PEGOU CARONA NO GENOMA Uma carreira que está crescendo graças à biotecnologia é a bioinformática, importante área de apoio à pesquisa genética. Imagine que os genes são como pecas de quebra-cabeça. Há milhões dessas peças. O computador ajuda a colocá-las em ordem. Como a área ainda é nova, não há cursos de bioinformática no país. "Temos biólogos que estão aprendendo computação na marra e programadores que estão conhecendo a biologia aos poucos", diz João Meidanis, um dos coordenadores de bioinformática dos projetos de genoma em São Paulo. "Precisamos de um curso que misture as duas áreas."