Notícia

DarkSide Books

As mulheres que estão enfrentando a pandemia no laboratório

Publicado em 11 fevereiro 2021

Por DarkSide

No ano em que completaria seu centenário, Rosalind Franklin teve seu legado utilizado para ajudar a encontrar soluções para uma pandemia sem precedentes. O estudo do DNA do novo coronavírus (Sars-CoV-2) só foi possível graças ao trabalho de Franklin, que teve papel crucial na descoberta da estrutura do DNA.

Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a Caveira lista apenas algumas das milhares de mulheres envolvidas no combate à pandemia, seja no laboratório ou no consultório. Munidas de microscópios, conhecimento e a sede de descoberta característica dos melhores cientistas, elas estão investigando o vírus para que a humanidade possa compreendê-lo e, então, combatê-lo por meio de vacinas, fármacos realmente eficazes e nossa arma secreta: o conhecimento científico.

1. Ester Sabino

A brasileira Ester Sabino é diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP e coordena o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde). Em seu trabalho no Cadde, Sabino atua em estudos realizados em tempo real de epidemias de arboviroses, como é o caso de vírus como o da zika e da dengue.

A pesquisa que contou com a participação de Sabino determinou a sequência completa do genoma viral do novo coronavírus encontrado no Brasil. “Ao sequenciar o genoma do vírus, ficamos mais perto de saber a origem da epidemia”, apontou a cientista à Agência Fapesp.

Neste estudo, foi observado que a sequência analisada no Brasil era bem diferente daquela detectada em Wuhan, onde acredita-se que tenham originado os primeiros surtos. A amostra analisada no Brasil era mais próxima àquelas encontradas na Alemanha no final de janeiro de 2020. “Esse é um vírus que sofre poucas mutações: em média uma por mês. Por esse motivo, não adianta sequenciar trechos pequenos do genoma. Para entender como está ocorrendo a disseminação e como o vírus está evoluindo, é preciso mapear o genoma completo”, declarou Sabino.

2. Jaqueline Goes de Jesus

A pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP, Jaqueline Goes de Jesus, liderou a equipe que fez o sequenciamento do genoma viral ao lado de Claudio Tavares Sacchi, responsável pelo Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz. Goes de Jesus tem ampla experiência na área por desenvolver pesquisas com arboviroses emergentes, além de fazer parte de um projeto de mapeamento genômico do vírus da zika no Brasil.

Durante seu doutorado, a cientista contribuiu para melhorar os protocolos de sequenciamento de genomas completos através da tecnologia de nanoporos dos vírus da zika e do HIV. Jaqueline Goes de Jesus, em entrevista ao G1, elucidou que há diferenças cruciais entre os vírus e suas mutações: “Alguns vírus são mais estáveis e outros, como os respiratórios, acabam mutando muito. É o que acontece com o vírus da gripe: todo ano a gente tem uma vacina nova porque há muitas mutações”.

3. Qian Zhang

Na China, a médica Qian Zhang pesquisa diferenças de suscetibilidade a infecções em crianças. Por meio de amostras de pacientes, ela busca mutações que possam determinar a gravidade da infecção viral de acordo com o indivíduo.

A hipótese da Dra. Zhang para a covid-19 é de que pacientes mais suscetíveis a outros vírus respiratórios menos graves também serão mais suscetíveis ao Sars-CoV-2. Porém, desta vez ela e seus colegas sabem que estão pisando em território desconhecido.

A pesquisadora estuda os vírus em crianças justamente porque a infância é a fase em que a maioria das pessoas é infectada por vírus pela primeira vez. Mas a infecção pelo novo coronavírus é uma novidade para pessoas de todas as faixas etárias.

Por já ter liderado pesquisas com o vírus influenza, causador da gripe, conduzir as investigações acerca do novo coronavírus foi uma mudança lógica. Sua equipe, assim como muitas outras ao redor do mundo, adaptou o trabalho à pandemia. O principal desafio é a ausência de dados, como taxa de mortalidade, por exemplo. “Temos que mudar as nossas análises conforme as informações chegam”, explica Zhang.

4. Akiko Iwasaki

Doutora e professora de imunobiologia e biologia molecular, celular e desenvolvimentista na faculdade de Medicina de Yale, Akiko Iwasaki passou os últimos meses tentando entender a resposta imune de pacientes com covid-19. Seu laboratório trabalha em análises em tempo real de marcadores de imunidade que podem aprimorar a avaliação em pacientes e até mesmo auxiliar na decisão de tratamentos.

O principal objetivo de Iwasaki é entender que tipo de resposta imune causa produção imunológica aos tipos de vírus que resultam na doença – um passo importantíssimo até mesmo no desenvolvimento de vacinas. Além disso, este amplo estudo de amostras e de acompanhamento da trajetória de pacientes também pode ajudar a direcionar tratamentos mais assertivos para cada pessoa infectada, levando em consideração suas particularidades fisiológicas.

5. Emma B. Hodcroft

A pesquisadora de pós-doutorado Emma B. Hodcroft começou sua participação nos estudos da Sars-CoV-2 para dar continuidade ao projeto de seu supervisor enquanto ele estava viajando. Ela trabalha com filogenética, um ramo que ela considera “particularmente problemático” porque, por mais que se possa analisar dezenas de milhares de amostras, ainda estará excluindo aquelas não cadastradas no sistema.

Estudos realizados neste sistema já existem desde 2014, rastreando a diversidade de vírus da gripe e ajudando a prever as próximas cepas do vírus. Com a reabertura das fronteiras, a variedade de amostras do novo coronavírus deve se tornar mais rica, permitindo descobrir detalhes sobre a transmissão e as rotas de determinadas variações.

6. Rachel Graham

Desde que se formou em 2002, a Dra. Rachel Graham trabalha em um laboratório especializado em coronavírus. Desde a descoberta da Sars-CoV-2 sua rotina ficou muito mais atribulada.

Graham analisa extensas sequências de DNA para estudar como esta programação contribui para a reprodução e virulência do vírus. Ela acredita que, conforme as populações adquirirem imunidade de rebanho, os pesquisadores podem passar a identificar muitas diferenças de transcrições no vírus, o que pode acarretar mudanças na virulência.

7. Lisa Gralinski

A doutora e assistente de professor de epidemiologia Lisa Gralinski estuda diferentes espécies de coronavírus há mais de 12 anos. Atualmente, ela trabalha focada na interação dos hospedeiros com os vírus, especialmente com camundongos transgênicos. Desenvolvido durante a epidemia de Sars na metade dos anos 2000, o camundongo foi rapidamente adaptado para a situação da covid-19.

8. Anne L. Wyllie

Uma das frustrações no começo da pandemia era a falta de precisão em alguns testes conduzidos na população infectada – principalmente nos casos assintomáticos. A Dra. Anne L. Wyllie, uma pesquisadora e epidemiologia em Yale, chamou a atenção dos colegas para um método utilizado por ela para diagnosticar um tipo específico de pneumonia a partir de amostras de saliva de pacientes sem sintomas.

Em comparação com as metodologias dos colegas, a técnica de Anne se mostrou muito mais eficaz. Além do método da cientista ter se tornado a escolha padrão do laboratório onde ela trabalha, além de Wyllie ter passado a liderar pesquisas sobre covid-19 nesta área.