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As metrópoles e o aquecimento global

Publicado em 23 outubro 2007

Por Mario Eugênio Saturno

A Agência FAPESP divulgou uma síntese da 6ª Conferência Municipal de Produção Mais Limpa de São Paulo, realizada em agosto, em que o pesquisador norte-americano Ira Magaziner, diretor da Iniciativa de Mudanças Climáticas da Fundação Clinton, defendeu que as maiores cidades do mundo precisam se unir para diminuir, com urgência, o uso de energia nas áreas urbanas.

Ele destacou que as cidades são responsáveis por 75% da energia consumida no planeta e que, nas 40 maiores metrópoles, até 50% dessa energia é desperdiçada por ineficiência das edificações. E cerca de metade da energia consumida pelos edifícios é gasta com ar-condicionado e com luzes ligadas sem necessidade.

São Paulo faz parte do Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades, conhecido como C-40, que foi criado em 2005, o grupo reúne as 40 maiores cidades do mundo com o objetivo de combater o aquecimento global. Hoje, metade da população mundial vive em cidades.

Foi lançado um programa de eficiência energética em edifícios, com a orientação de criação, pelas cidades, de códigos de construção para edificações mais eficientes. Mas, é fundamental que os prédios antigos melhorem a iluminação e ventilação naturais e automatizem sistemas de ar-condicionado e de iluminação.

É preciso garantir ao proprietário dos prédios um retorno financeiro. Os proprietários são estimulados a aderir quando não precisam investir recurso próprio, isso tornará o programa possível.

No evento, o meteorologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, afirmou que não é mais possível reverter o aquecimento global. Pode-se reduzir seu impacto e evitar uma catástrofe se for reduzido perto de 70% das emissões globais. No cenário mais otimista, podemos estabilizar o aquecimento entre 2ºC e 3ºC.

Melhorar a eficiência energética poderá reduzir até 10% das emissões. Assim, reduzir emissões é essencial. E o Brasil tem que saber o que fazer para enfrentar as mudanças climáticas que virão. Por ser um país desigual, com altos índices de pobreza, está entre os mais vulneráveis às mudanças, principalmente nas grandes cidades.

A cidade de São Paulo deve dar o exemplo e liderar o processo, ter a menor emissão per capita do mundo e aumentar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Para isso, Nobre recomenda a redução de densidade de construções, a mudança de altitude das edificações, o aumento de ventilação natural nos prédios, a criação de sombras na cidade - com mais árvores e vegetação - e o uso de materiais refletores nas edificações.

Será preciso ainda fazer restrições ao tráfego de veículos, reduzir vazamentos e criar sistemas de aviso de risco de enchentes e deslizamentos. E, ainda, investir em estudos sobre as vulnerabilidades climáticas.

Enfim, agora é o momento de tomar as decisões corretas para que salvemos alguma coisa do nosso futuro, ações que também podem ser seguidas pelas cidades médias. Uma decisão para políticos e cidadãos.


Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. (Email:
mariosaturno@uol.com.br)