Notícia

O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

As Imagens dos negros no Brasil

Publicado em 07 dezembro 2000

O acervo do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP foi a principal fonte da pesquisa que resultou no livro A Travessia da Calunga Grande - Três Séculos de Imagens sobre o Negro no Brasil, de autoria do sociólogo Carlos Eugênio Marcondes. A obra, que integra a Coleção Uspiana - Brasil 500 anos, uma coedição da Edusp e Imprensa Oficial do Estado, também possui registros da biblioteca particular de Guita e José Mindlin. Ao todo, o trabalho consumiu cerca de dois anos e meio de pesquisa sendo patrocinado pela Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) e pela Fundação Guggenheim de Nova Iorque. O autor catalogou 2650 imagens, de onde foram selecionadas 507. Elas retratam o cotidiano da população escrava a partir do ponto de vista de diversos artistas, desde os trazidos pelo Conde Maurício de Nassau, durante a ocupação holandesa no Nordeste do Brasil, no século XVII, aos dos viajantes, artistas contratados pelas missões científicas, comerciantes, diplomatas que percorreram o País até o século XIX. A obra traz, por exemplo, imagens dos desenhistas da expedição comandada pelo sábio baiano Alexandre Rodrigues Ferreira em viagem pela Amazônia no final do século XVIII, além de dezenas de registros de Carlos Julião, um militar de Turim que esteve no Brasil a serviço da Coroa Portuguesa. Segundo o autor, os registros do século XIX que se encontram em revistas ilustradas foram publicados por Angelo Agostini, na Revista Ilustrada, e Henrique Fleiuss na Semana Ilustrada, que circularam no Rio de Janeiro. O livro traz também imagens de estúdio de negros escravos de autoria de Christiano Junior e de negros não escravos de autoria do fotógrafo carioca radicado em São Paulo Militão Augusto de Azevedo. Há flagrantes da violência contra os negros escravos, paisagens urbanas onde eles viviam, escarificações faciais ou marcas de identidade, indicando a filiação a um clã, a uma divindade, adornos, além daquilo que o autor denomina as marcas da brutalidade, feitas a ferro em brasa para identificar a quem o escravo pertencia ou para marcar o fato de terem sido batizados ou que seus donos pagaram os direitos devidos à Coroa. A Travessia da Calunga Grande é o sexto livro da Coleção Uspiana, composta de 12 volumes, que homenageia os 500 anos do descobrimento do Brasil e será relançado no próximo dia 12 de dezembro, a partir das 17 horas, no IEB, durante o evento de encerramento das Comemorações USP-Brasil 500 anos que acontece na Cidade Universitária.