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As experiências transgênicas

Publicado em 05 novembro 2010

O céu parecia o limite para as experiências transgênicas. Mas é possível que o céu tenha ficado para trás quando o cientista japonês Akira Iritani, professor de Engenharia Genética da Universidade Kinki, nas proximidades de Osaka, anunciou a inserção de genes de espinafre em óvulos fertilizados de porcos. Ao cruzar mamíferos e plantas, Iritani abria a possibilidade de comer carne de porco ingerindo as mesmas calorias de um prato de espinafre.

Diante dessa ousadia transgênica, tudo o que vier no campo da biotecnologia não causará mais tanta surpresa. Mas uma experiência desenvolvida no Brasil, reunindo genes de eucaliptos com ervilhas, apresenta um potencial econômico ainda maior que o porco-espinafre japonês.

A finalidade da parceria científica entre a prestigiada Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e a empresa Suzano projeta um eucalipto com gene de ervilha para desenvolver maior quantidade de celulose, que é a matéria-prima do papel.

Carlos Alberto Labate, professor do Departamento de Genética da (Esalq), setor da Universidade de São Paulo (USP), e sua equipe de pesquisadores já comemoram os primeiros resultados de um projeto iniciado há quase três anos: a produção de eucaliptos modificados com um gene de ervilha para obter árvores com maior biomassa e maior rendimento de celulose.

O projeto interessa diretamente à Companhia Suzano de Papel e Celulose, parceira nesse projeto desenvolvido no âmbito do Programa Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

"Já temos as primeiras plantas transgênicas", afirma Labate. "No momento, estamos avaliando essas plantas modificadas que contêm o gene Lhcb1*2 da ervilha (Pisum sativum)". A seu favor, ele conta com o próprio comportamento do objeto de sua pesquisa: o eucalipto tem a vantagem de crescer rapidamente e apresentar alta capacidade de brotação, o que permite obter um grande número de clones em pouco tempo. Nos experimentos, foram utilizadas a espécie Eucalyptus grandis e o híbrido Eucalyptus grandis com Eucalyptus urophylla .