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Forbes Brasil

As empresas mais inovadoras do Brasil

Publicado em 09 novembro 2020

Por Décio Galina / José Vicente Bernardo / Solange Guimarães

O Brasil está “disruptando”. O neologismo largamente usado pelos entusiastas da inovação ganhou ainda mais força em 2020. Empresas de diversos setores tiveram que romper com o seguimento normal de seus negócios para fazer frente às inesperadas demandas surgidas com a pandernia. A urgência da crise sanitária e econômica impulsionou transformações importantes e acelerou a implantação de projetos que estavam “no forno” de startups e departamentos de transformação digital de grandes corporações. Mais. O caos mundial também levou a reflexões sobre a forma como as pessoas consomem, trabalham, estudam, fazem negócios, se relacionam entre si e com o planeta.

“Existem setores e empresas que estão prosperando em plena crise e há outros setores que vão prosperar fortemente com as mudanças dos modelos mentais e comportamentais (los consumidores a partir das experiências testadas na pandemia”, analisa o professor Moacir de Miranda Oliveira Júnior, diretor do departamento de Administração da FEA-USP e membro do comitê de direção do C4AI (Center for Artificial Inteiligence), uma parceria IBM com a USP e a Fapesp.

Para o professor, três grandes temas vão direcionar a competitividade dos negócios entre 2020 e 2030: a transformação digital, a gestão dc um ecossistema de inovação e a indústria 4.0. “Pela transformação digital, que vale para absolutamente tudo, ninguém escapa”, diz. Sobre a gestão do ecossistema de inovação, Oliveira Júnioi’ ressalta que “a inovação não é mais algo que se consegue controlar e desenvolver apenas internamente. E preciso ter relacionamento com startups, universidades, centros de pesquisas e ter flexibilidade para fazer alianças estratégicas e par- cenas com outras empresas (eventualmente, até concorrentes), além de fornecedores e clientes”.

Ser uma indústria 4.0 significa incorporar inteligência artificial, machine learning, data science e realidade aunwntada com aplicação cm qualquer setor da economia. “Hoje estamos trabalhando projetos de agro 4.0, hospital 4.0 e começamos agora um projeto para a Fapesp que é o Amazônia 4.0, no qual buscamos modelos alternativos, tecnológicos e sustentáveis de desenvolvimento de uma bioeconomia baseada na floresta em pé”, afirma. Outros critérios também entram na conta. “Inovação, a partir da realidade que vemos hoje, deve ter três eixos: qual o impacto dos produtos para o planeta; se a forma como são produzidos é inclusiva; e qual é a sua visão de longo prazo”, diz Carolina da Costa, professora de inovação e pensamento crítico da escola de negócios Insper e sócia da Mauá Capital. “Se gênero, raça, condição socioeconômica, impacto no planeta e novas formas de produção não estiverem na agenda de uma empresa, não adianta saber o quanto ela é desenvolvida tecnologicamente — porque ela não vai usar a tecnologia a serviço dessa agenda de transformação para um capitalismo de longo prazo.

” Por esses critérios, são inovadoras as empresas que cuidam de suas cadeias de produção e que trabalham a questão da economia circular, a redução de carbono, o melhor uso de matérias-primas, que sejam inclusivas, dando espaço para pequenos produtores e para pequenos negócios, de forma a gerar empregos e fazer a economia girar com múltiplos atores. “Ser inovador é se adiantar, é olhar na frente e entender as dores da sociedade para que eu cumpra meu papel social como empresa. Mesmo que eu estabeleça que corno empresa meu papel social seja apenas empregar. Mesmo que seja só isso, ainda assim eu preciso empregar com inclusão, com responsabilidade, com diversidade, com consciência”, completa Carolina.

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