Notícia

O Dia (SP)

As empresas de base tecnológica

Publicado em 25 junho 2008

Por Luís Nassif

Projeto tecnológico de brasileiro depende de apoio para disputar mercado internacional

Desde os anos 90, houve apostas de diversas universidades e fundações de pesquisa em empresas de base tecnológica, nascidas de pesquisadores da própria universidade. O caso da Tech Chrom permite entender um pouco melhor esse processo, como surgem as idéias, como evoluem, onde estão os nichos para os novos produtos e, também, as barreiras.

Há quase 20 anos, o pesquisador José Félix Manfredi desenvolveu um cromatógrafo inovador. Esse equipamento serve para analisar elementos fluidos e identificar a quantidade de ingredientes que o compõem.

Até a Segunda Guerra era um recurso analítico, utilizado especialmente por analistas de petróleo. No final dos anos 40, dois cientistas americanos propuseram a sistematização da cromatografia. Conquistaram o Nobel de Química.

Em 1995, a gigante Perkin-Elmer lançou o primeiro cromatógrafo em escala comercial. Um pouco antes, uma estudante de mestrado, Carol Collins, leu o livro e, com base nele, conseguiu construir um equipamento caseiro para uso próprio. Anos mais tarde, ela viajou o mundo com o marido, também cientista, a convite da ONU, implantando o cromatógrafo em vários paises. Em 1974 vieram ao Brasil.

Com problemas de visão, o marido foi a Campinas, tratar-se no Instituto Penido Burnier. Lá descobriram a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e decidiram ficar. Félix estudou com ela, formou-se, foi contratado pela Unicamp. Depois, foi trabalhar na indústria. Lá surgiu a idéia de criar um cromatógrafo.

O aparelho original é do tamanho de um frigobar. O sistema utiliza um sistema de colunas colocadas no aparelho. Para cada tipo de ingrediente, tem que se usar uma coluna diferente. E cada qual custava mil dólares. O que Félix fez foi criar uma caixa, que batizou de K7, onde pode-se colocar ou tirar cada coluna, sem maiores dificuldades.

Desenvolveu, patenteou no Brasil e nos Estados Unidos. Acabou o dinheiro quando pensava em patentear na Europa. Foi atrás da velha mestra, que nem vacilou: sacou o talão de cheque e se tornou sócia do projeto.

Desenvolvido o projeto, veio a necessidade de investimento. E aí Félix guardou a idéia na mochila por falta d recursos. Em 2002 com a mudança dos ventos, abriram-se novas possibilidades. A Unicamp criou sua incubadora, Félix submeteu o projeto e foi aprovado. Com a chancela da uiversidade, conseguiu apoio da Fapesp e do CNPqhoje, o produto está pronto para ir ao mercado. O projeto está na fila, candidato a um financiamento da Fapesp.o Brasil tem 3% do mercado mundial de instrumentação analítica. Só aqui, esse mercado representa US$ 1 bilhão, sendo o cromatógrafo o equipamento mais relevante. Só que os concorrentes são empresas do porte da Perkin, HP e Varian, gigantes mundiais.

Aí, entra-se no cerne da questão. Produtos inovadores exigem investimento e técnicas inovadoras de venda, ainda mais por mercados dominados por gigantes. A Tech Chrom vai buscar seu nicho nos setores petroquímico, sucroalcooleiro. Mas falta o modelo de negócios e um sócio capaz de prospectar o mundo.

Blog: www.luisnassif.com.br