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Correio Popular online

As eleições no pólo de ensino e a pesquisa

Publicado em 17 março 2005

A densidade da importância da Unicamp, como excelência em ensino e pesquisa universitária, confere à eleição para reitor um significado incomum
Hoje se completa a eleição, ou consulta à comunidade acadêmica, em primeiro turno, para o processo de escolha do novo reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Tal eleição foi antecipada em um ano, em decorrência da renúncia do reitor atual, Carlos Henrique de Brito Cruz, que vai assumir a diretoria científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
São três os candidatos que estão disputando a reitoria: José Tadeu Jorge, atual vice-reitor; Antônio Celso Arruda Fonseca, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica, e Edson Moschim, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica.
Se nenhum dos três obtiver 50% dos votos mais um, haverá segundo turno nos dias 30 e 31 de março.
Apurado o resultado, o Conselho Universitário (Consu) irá elaborar a lista tríplice para encaminhar ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), que nomeará um deles para gerir a universidade por 4 anos. Conforme o Estatuto da Unicamp, os votos terão peso na seguinte proporcionalidade: os votos dos docentes valerão 3/5; os dos funcionários 1/5 e os votos dos alunos também 1/5.
Destacamos abaixo as três características, ou três atributos principais, da Unicamp, que marcam a sua compleição como pólo universitário de peso nacional e internacional e que, portanto, conferem à eleição para reitor uma importância incomum.
O primeiro aspecto a marcar o peso da Unicamp como centro de ensino e pesquisa, no País, é a sua tradição de excelência, nessas duas vertentes da atuação universitária. É indiscutivelmente uma referência no cenário do ensino de terceiro grau, no País.
A segunda característica, que é quantitativa de um processo qualitativo ponderável, é o fato de sua produção se destacar, no cotejo com as demais universidades brasileiras. A Unicamp detém 15% da produção científica do País e 10% das teses de mestrado e doutorado defendidas no Brasil.
O terceiro aspecto, mas não o menos importante, que marca de maneira altamente positiva a atuação da Unicamp, é exatamente seu vínculo operativo com a sociedade, por meio de serviços continuamente prestados, inclusive e principalmente na área da Saúde: a universidade mantém dois hospitais (HC e Sumaré) e várias unidades complementares, entre eles o centro destinado ao atendimento da mulher, o Caism, todos servindo à população de toda a Região Metropolitana de Campinas.
Tem 56 cursos de graduação, com 16.313 alunos, e 125 cursos de pós-graduação, com 14.763 alunos.
Um pólo de dinamização da cultura com tais características e tal importância, evidentemente requer um administrador — o reitor — que o conduza assegurando essa tradição de desempenho. Por isso mesmo a indicação decorrente da eleição, que hoje se faz em primeiro turno, é de óbvia importância, da mesma forma como será, se necessária, a eleição em segundo turno.
Os atributos dos candidatos que se apresentaram à comunidade acadêmica são suficientes para postular o cargo. Os professores, os funcionários e os alunos, pelo voto, determinarão a posição de cada um, na escala de preferência, para a indicação final do governador do Estado.
Seja quem for o vitorioso, a Unicamp não pode deixar de lado sua missão mais importante: oferecer sua contribuição científica à comunidade.