Notícia

Panorama Farmacêutico

As barreiras contra a vacinação em massa

Publicado em 15 março 2021

O Brasil demonstra um padrão na aquisição de vacinas contra a covid-19: muitas promessas de novos acordos, mas pouca efetividade no cumprimento dos prazos divulgados pelas autoridades federais. Na contramão da lentidão vista na prática, especialistas são categóricos em afirmar que a velocidade da vacinação é fundamental para conter a epidemia e reduzir a alta mortalidade. Com apenas 4,57% da população imunizada com a primeira dose, pesquisadores estimam que a vacinação em massa só ocorrerá em agosto, atraso que resultará em quase 130 mil mortes a mais do que se o ritmo necessário tivesse sido alcançado ainda no fim de janeiro.

O cálculo na redução das mortes faz parte do artigo produzido por um grupo de estudiosos da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Instituto Butantan, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O estudo estima que aproximadamente 127 mil vidas seriam poupadas até o fim de 2021 se o Brasil tivesse começado a vacinar em massa no dia 21 de janeiro, algo em torno de 2 milhões de doses aplicadas ao dia — isso sem considerar as novas variantes brasileiras.

Bem distante disso, a média atual do Brasil é de 200 mil pessoas imunizadas diariamente, o que representa 10% do considerado ideal pelos pesquisadores, com base no potencial demonstrado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em campanhas anteriores. “A vacinação em massa no Brasil só deve começar de fato em agosto, isso se o Instituto Butantan e a Fiocruz cumprirem a promessa de entregar 150 milhões de doses até julho”, afirma Eduardo Massad, principal autor do artigo. “Para que um cenário diferente fosse possível, essa negociação deveria ter sido feita já no ano passado”, completa o pesquisador.

Até ontem, 9.667.997 de pessoas haviam recebido a primeira dose da vacina, o que soma menos de 5% da população. Pouco mais de 3,5 milhões de brasileiros receberam a segunda dose (1,67% da população). Mas os recordes de mortes e internações pela doença apontam para um cenário ainda mais trágico. “Com a chegada das novas cepas do SARS-CoV-2, a curva epidêmica tornou-se muito mais acentuada. Essa projeção de mortes em um cenário sem vacinação, no atual contexto, provavelmente ultrapassaria 400 mil óbitos até 31 de dezembro”, diz Massad.

“Quanto mais vacinas forem adquiridas, melhor. Não há justificativa para não fazer. Vacinar rápido é fundamental para evitar mortes e também para barrar o surgimento de novas cepas ainda mais agressivas”, afirma Thomas Vilches, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também publicou artigo relacionando à velocidade da vacinação à redução de mortes pela covid-19.

Adiamento de entregas

A estimativa dada pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de que a vacinação brasileira sofreria uma virada em março está cada vez mais distante, sobretudo pela sequência de adiamento de entregas. Mesmo com os atrasos na importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para a finalização da Covishield (mais conhecida como vacina de Oxford/AstraZeneca) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), inicialmente prevista para o fim de janeiro, o cronograma divulgado em meados de fevereiro previa a entrega de 15 milhões de doses em março. Agora, o número caiu para 3,8 milhões, uma redução de quase 75% para o mês.

Em meio aos entraves, a projeção é de se conseguir iniciar a produção inteiramente independente somente a partir do segundo semestre. Até lá, qualquer cronograma da Fiocruz corre o risco de ser novamente alterado.

A boa notícia, por outro lado, é a aprovação do registro da Covishield pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), primeira vacina contra covid-19 com produção nacional aprovada no país. Com a novidade, a expectativa é que órgão regulador autorize a liberação dos primeiros lotes ainda hoje, para que a Fiocruz possa entregar ao Programa Nacional de Imunização (PNI) o primeiro milhão de doses produzidas pela fundação ao longo da semana.

CoronaVac

As incertezas sobre a execução do PNI abarcam outra gama de candidatas, incluindo a CoronaVac, outra iniciativa que conta com a transferência tecnológica para o Instituto Butantan. Apesar de, atualmente, representar mais de 73% da oferta de doses do país, a vacina chinesa também falhou com a previsão, pelas dificuldades de importação. Em fevereiro, quando planejava entregar 9,3 milhões de doses, o instituto paulista só conseguiu honrar com pouco mais da metade.

Dos três milhões de doses esperados para este mês por meio do mecanismo multilateral Covax Facility, o governo federal não viu nada. Para completar, das outras duas farmacêuticas que possuem contrato firmado com o Ministério da Saúde, não há iminência de qualquer liberação por parte da Anvisa para o uso do imunizante na população, ainda que as entregas sejam honradas.

Já a Sputnik V não chega antes de abril, uma vez que o contrato só foi firmado esta semana. Ontem, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), presidente do Consórcio Nordeste, anunciou, que a iniciativa deve contribuir para a inclusão de mais 37 milhões de doses da vacina russa ao PNI, montante que, anteriormente, ficaria restrito aos nove estados do consórcio.

Fonte: Correio Braziliense

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