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Árvores revelam evolução da poluição ambiental em São Paulo

Publicado em 14 agosto 2018

Uma árvore comum em São Paulo está sendo usada para revelar a evolução da poluição ambiental na cidade. O trabalho está sendo feito por um grupo de pesquisadores do Instituto de Biociências e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e tem utilizado a espécie como marcadora dos níveis de poluição da cidade por metais pesados e outros elementos químicos.

A tipuana é uma espécie de árvore de porte avantajado e com copa ampla e densa, que provem sombra e uma série de outros benefícios ambientais. É originária da Bolívia e começou a ser plantada em São Paulo antes de 1950. A árvore é uma das que mais caem em São Paulo e por isso começou a ser substituída por espécies nativas.

A árvore absorve pelas raízes elementos químicos, como metais pesados, presentes na atmosfera e carregados para o solo pela água das chuvas pelas raízes. Esses compostos químicos são transportados junto com a seiva nos vasos da planta e ficam armazenados em sua madeira, nos anéis de crescimento anual, que são círculos na parte interna do tronco, à medida em que ela cresce.

Cada um dos anéis de crescimento representa um ano de vida da planta, sendo os maiores os mais recentes e os menores os mais antigos. Ao analisar a composição química deles, os pesquisadores conseguem medir a concentração de metais pesados no solo de um determinado ambiente no ano em que o anel foi formado. E, ao comparar as concentrações dos anéis, avaliar como a presença desses elementos químicos variou em uma escala de décadas.

Ao analisar a composição química desses anéis e de cascas de exemplares da árvore na capital paulista, os pesquisadores constataram que reduziu a poluição por cádmio, cobre, níquel e chumbo na zona oeste de São Paulo nos últimos 30 anos. “Conseguimos capturar a evolução da poluição por alguns metais pesados na cidade de São Paulo armazenados na madeira da tipuana”, disse o professor do Instituto de Biociências da USP e um dos autores do estudo com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Marcos Buckeridge.

Segundo o pós-doutorando no IB-USP e primeiro autor do estudo, Giuliano Maselli Locosselli, essa espécie de árvore se mostrou a melhor espécie para as análises químicas tanto dos seus anéis de crescimento anual como das cascas. A princípio tinham sido selecionadas três espécies mais comuns na cidade: o alfeneiro, a sibipiruna e a tipuana.

Com a análise das cascas da tipuana, é possível avaliar a concentração de elementos químicos presentes na atmosfera e que se depositaram na parte externa do tronco da árvore. Ao medir a concentração de elementos químicos de amostras de cascas de diversas árvores espalhadas por São Paulo, consegue-se avaliar a variação espacial desses elementos químicos na atmosfera da cidade em escala de anos.

“Como a casca é uma parte mais simples de se obter da planta do que os anéis de crescimento anual e o custo das análises químicas delas também é menor, é possível analisar as cascas de diversas árvores e cobrir uma grande área. Isso permite ver como a poluição por metais pesados e outros elementos químicos se distribui por toda a cidade”, disse Locosselli.