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Biólogo

Árvores milenares no Brasil

Publicado em 16 setembro 2020

Por Carlos Fioravanti | Revista Pesquisa FAPESP

Árvores milenares no Brasil: Não se sabe ao certo quantas árvores milenares existem no Brasil, ou mesmo se de fato existem.

Isto porque para saber precisamente a idade de uma árvore, é preciso contar seus anéis de crescimento, o que não é simples para um espécime vivo. Mas o Brasil, apesar do desmatamento, ainda tem árvores que viviam aqui antes da chegada de Cabral.

Árvores milenares no Brasil

16/9/2020 :: por Carlos Fioravanti/Pesquisa FAPESP. CC BY-ND 4.0

“No estado de São Paulo, apesar do desmatamento intenso, ainda é possível encontrar árvores monumentais e históricas”, diz o engenheiro-agrônomo Mario Tomazello Filho, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), que estuda a idade das árvores desde a década de 1980.

Dendrologia

Segundo ele, erros de cálculo de idade são comuns. Inicialmente estimada em 3 mil anos, a dos jequitibás-rosa gigantes de Vassununga foi depois reavaliada para 600 a 800 anos por meio da dendrocronologia, uma técnica de datação das árvores pela análise dos anéis de crescimento anuais do tronco.

Essa metodologia levou à identificação de imbuia (Phoebe porosa) e de araucária (Araucaria angustifolia) com 400 a 500 anos no Brasil, de alerces (Fitzroya cupressoides) com 3.622 anos no Chile e de pinheiros (Pinus longaeva) com 4.847 anos nos Estados Unidos.

Araucaria angustifolia

Árvores anciãs

“Na região Sul do Brasil”, diz Scipioni, “as araucárias de maior porte são remanescentes das grandes florestas do passado”. No Nordeste também. O ecólogo Marcelo Tabarelli, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), encontrou pela primeira vez no início de agosto algumas das grandes árvores da Caatinga, ambiente que ele estuda há 20 anos.

Eram tamboris (Enterolobium contortisiliquum) com 2 m de diâmetro e angicos (Anadenanthera colubrina), aroeiras (Myracrodruom urundeuva), jatobás (Hymenaea courbaril) e paus-ferro (Libidibia ferrea) com pelo menos 1 m de diâmetro, quase todas com cerca de 25 m altura, o que é muito para esse ambiente, em florestas preservadas em fazendas do sertão da Paraíba. “É uma região muito seca, onde chove no máximo 500 milímetros por ano”, observa.

Tabarelli estima que o Brasil deva abrigar pelo menos 200 das cerca de 1.500 espécies de árvores gigantes já identificadas no mundo, embora as espécies tropicais sejam bem menos estudadas que as de clima temperado da América do Norte e Europa.

A mais alta de uma floresta tropical já identificada é uma meranti-amarela (Shorea faguetiana), com 100,8 m, na Malásia. A mais alta do mundo é uma sequoia vermelha (Sequoia sempervirens) com 115,6 m, em uma área de clima temperado no norte da Califórnia, Estados Unidos.

Responsáveis, por causa do tamanho, por metade da biomassa das florestas, embora respondam por menos de 5% do número total de árvores, as mega-árvores têm um grande papel ecológico, detalhado pelo grupo da UFPE em um artigo publicado em março na Advances in Ecological Research.

Sumaúma (Ceiba pentandra) © Geoff Gallice

De acordo com esse estudo, os galhos das gigantes servem de suporte para orquídeas e bromélias que dependem de condições microambientais específicas de luminosidade e umidade não encontradas em árvores de menor porte. Por sua vez, aves, primatas, morcegos, anfíbios, répteis, aranhas e insetos usam suas cavidades como abrigo ou ninhos.

“O declínio de grandes árvores em florestas tropicais representa a perda de uma série de funções ecossistêmicas, muitas delas relacionadas a uma complexa rede de interações ecológicas”, afirma Bruno Pinho, pesquisador da UFPE e principal autor do artigo.

Os pesquisadores observaram que as raízes que saem da terra quando as árvores tombam formam crateras que se enchem de água de chuva e são ocupadas por porcos selvagens e girinos.

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