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Gente e Mercado

Artigo: Modelo de inovação

Publicado em 02 junho 2012

Por Luiz Gonzaga Bertelli

Ozires Silva é um ícone do empreendedorismo e da inovação em um país cuja base econômica foi essencialmente agrária até o início do século passado. Em recente entrevista, o fundador da Embraer conta como presenciou o nascimento de outra gigante, a Xerox, a partir de um programa privado e nada complexo de concessão de crédito para pesquisa. E no Brasil? “Experimente ir ao seu gerente de banco com uma patente para ver se você sai com um real”, com para . De fato, o país perde royalties e possibilidades de gerar patentes por não apostar na indústria de inovação.

Algumas exceções, porém, confirmam a regra. Dessas, a mais notável é a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), órgão que está completando meio século de atividades. É um modelo pioneiro de agência de fomento à ciência que atingiu importantes marcos, como o sequenciamento dos genes de uma bactéria – feito que rendeu destaque na Nature, importante publicação científica estrangeira –; o apoio aos estudos precursores do biólogo Paulo Vanzolini, Professor Emérito CIEE / Estadão 2004, sobre a evolução e distribuição geográfica de répteis e anfíbios; e até mesmo no desenvolvimento de projetos de equipamentos para aviões com a Embraer, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre muitos outros avanços.

Entretanto, a engrenagem poderia estar mais bem azeitada, especialmente na integração entre universidades e empresas, de acordo com Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap). A análise é compartilhada pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), com base em quase meio século atuando como elo de ligação entre esses dois universos na estratégica questão da inserção profissional dos jovens estudantes Afinal, não é de hoje que o descompasso a academia e os setores produtivos pode ser visto como um dos freio ao desenvolvimento nacional.

Enquanto a Fapesp investe na criação de um sistema empresarial de pesquisa, o CIEE tece uma trama entre os segmentos, facilitando a inclusão de universitários nas empresas, fomentando o diálogo e a circulação de ideias por intermédio dos programas de estágio. Os jovens em treinamento prático constituem um canal privilegiado de comunicação com as instituições de ensino, trazendo não só pontos de vista oxigenados de quem não tem vícios profissionais como também as novidades ministradas em aulas e técnicas e/ou processos em fase embrionária que poderiam, se bem aproveitadas, ser o diferencial competitivo que falta aos negócios de grande número de empresas. O assunto, portanto, não pode – e nem deve – se esgotar aqui, afinal o brasileiro é reconhecido internacionalmente por sua criatividade e imensa capacidade de adaptação: há verdadeiras minas de oportunidades a serem descobertas.

 

*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.