Notícia

Indústria Têxtil e do Vestuário - Textile Industry

Arte têxtil: entre tramas e resistências

Publicado em 16 março 2017

Por Romildo de Paula Leite

Programa

Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.

Historicamente as artes têxteis têm sido consideradas como uma arte "menor", relegada ao ambiente privado, na maioria das vezes sendo executadas por mulheres, que ao longo dos anos transmitiram as técnicas através da oralidade. Apesar deste cenário, sempre foram encontradas brechas pelas quais resistências e inovações foram realizadas. A proposta deste ciclo de palestra é discutir o lugar das artes têxteis na história da arte e seu atual resgate por jovens artistas.

25/04. Arte Têxtil: uma arte menor?

Abordagem sobre o modo com que a história da arte pode ser vista como uma disciplina perpassada pela dimensão do gênero, particularmente em se tratando das obras de arte têxteis, as quais tradicionalmente foram menos valorizadas por serem associadas a faturas e meios "naturalmente" femininos.

Com Ana Paula Cavalcanti Simioni.

27/04. Uma possível história da estamparia

A história da estamparia será abordada através da perspectiva de Autores & Projetos. Desde o primeiro projeto de design proposto por Phillipe Oberkampf ao final do século XVIII até a experiência brasileira da Arte Nativa Aplicada, capitaneada por Maria Henriqueta Gomes, vários autores renovaram o design de pattern com propostas audaciosas, não apenas atraentes, mas também trabalhando a função principal da estampa: a informação.

Com Celso Lima.

02/05. Contracosturas

Inspirado pelas zonas de experimentação da arte feminista dos anos 70, esta palestra busca refletir sobre a obra de algumas artistas à luz de questionamentos levantados por Virginia Woolf sobre a imaginação criadora da mulher.

Com Carla Cristina Garcia.

04/05. Arpilleras: arte têxtil como resistência

A partir de um resgate histórico das ARPILLERAS, será abordado o caráter transgressor desta técnica têxtil popular chilena, analisando algumas das caraterísticas do seu uso e apropriação por parte das mulheres parentes de desaparecidos/as durante a ditadura militar chilena (1973 - 1990).

Com Esther Vital.

09/05. Bordado Contemporâneo

O surgimento de coletivos jovens e urbanos traz novos temas e propósitos ao ato de bordar. Discutir este novo cenário e a importância do resgate de uma técnica tão tradicional é o objetivo deste encontro. Além disso, haverá uma vivência na qual os participantes aprenderão 2 pontos básicos do bordado livre, assim como dicas de processos e acabamentos.

Com Clube do Bordado.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Palestrantes

Carla Cristina Garcia

Doutora em Ciências Sociais pela PUCSP com pós-doutorado pelo Instituto José Maria Mora (México, DF). É professora da PUC-SP e autora dos livros Ovelhas na Névoa: um estudo sobre as mulheres e a loucura (Ed. Rosa dos Tempos/Record), Produzindo Monografia (Ed. Limiar), entre outros.

Ana Paula Cavalcanti Simioni

Professora do IEB/USP, autora entre outros de: “Profissão artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras, 1884-1922” (EDUSP/ FAPESP, 2008). Desenvolve pesquisas sobre as relações entre arte e gênero no Brasil.

Celso Lima

Iniciou sua carreira como ilustrador para revistas e jornais. Em 1990 começou pesquisa de fibras naturais e pigmentos têxteis. Atua como multiplicador dessas técnicas históricas de estamparia, assim como criador, pesquisador e professor em projetos para design de superfície.

Esther Vital

Psicóloga e mestre em transformação de conflitos pela Universidade de Dublin. Desde 2008 trabalha pesquisando e promovendo processos de documentação e empoderamento através da técnica têxtil popular chilena chamada arpilleras.

Clube do Bordado

Coletivo que desde 2013 busca fomentar a cultura do bordado entre atuantes e simpatizantes do feito à mão. O coletivo é formado por seis sócias-bordadeiras – Vanessa Israel, Laís Souza, Amanda Zacarkim, Renata Dania, Camila Gomes Lopes e Marina Dini - que criam ilustrações e bordados contemporâneos, promovem encontros abertos e dão cursos e oficinas pelo Brasil e pela Europa.