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Arte em construção

Publicado em 09 maio 2007

FAPESP divulga acordo de cooperação com The Museum of Fine Arts, Houston para apoiar pesquisa de documentos sobre a produção artística latino-americana

 Um convênio de cooperação entre a FAPESP e o norte-americano The Museum of Fine Arts, Houston (MFAH) foi divulgado na manhã de quinta-feira (3/5), no auditório da Fundação, na capital paulista.

O objetivo da parceria é o desenvolvimento do projeto Arte no Brasil: textos críticos do século 20, de apoio a pesquisas sobre a análise de textos raros produzidos por artistas brasileiros no período.

A iniciativa, conduzida por um grupo coordenado por Ana Maria Belluzzo, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), integra o projeto Documentos do século 20 - arte latino-americana e latino-norte-americana, coordenado desde 2003 pelo MFAH na Argentina, Chile, México, Colômbia, Peru e Venezuela, além dos Estados Unidos.

O projeto integra as atividades do Centro Internacional para as Artes do Continente (ICAA, na sigla em inglês), criado em 2001 por uma das 20 curadoras do MFAH, Mari Carmen Ramirez. A proposta do centro é disseminar a arte produzida nos países da América Latina e promover a elaboração de publicações, a organização de seminários e o estímulo a projetos de pesquisa na área.

"Recentemente, os Estados Unidos passaram a olhar mais detalhadamente para a arte produzida nos países latino-americanos. Não é para menos: são mais de 20 nações com uma ampla variedade de etnias e tradições culturais, que compartilharam uma história de colonização e das quais queremos, agora, entender melhor seu desenvolvimento artístico. Nossa idéia é estabelecer uma base comparativa da história da arte nesses países", disse Mari Carmen durante a cerimônia de assinatura do convênio.

"Esse é um projeto extremamente ambicioso, bem estruturado e bem organizado. Os documentos que serão reunidos permitirão enxergar a arte latino-americana de maneira mais clara e, ao mesmo tempo, mais complexa, fornecendo condições para o desenvolvimento de atividades didáticas e pedagógicas nas instituições de ensino dos países participantes. Esse é mais um exemplo de que educação e cultura jamais se separam", disse Carlos Vogt, presidente da FAPESP.

História digitalizada

Mari Carmen ressaltou que o projeto lida essencialmente com documentos originais. "São textos escritos pelos próprios artistas, seja em forma de correspondência, manifesto ou de artigos de jornal, que mostram o componente intelectual por trás das obras produzidas. Não estamos incluindo interpretações secundárias sobre os artistas e suas obras." Até o fim do ano, a estimativa é de que o projeto reúna cerca de 6 mil documentos nos países participantes.

Segundo a curadora do MFAH, Documentos do século 20 - arte latino-americana e latino-norte-americana não é um projeto de arquivo, uma vez que a quantidade de papéis envolvida com o trabalho será cada vez menor. "Trata-se de um projeto editorial baseado em tecnologias digitais, no qual todos os documentos serão escaneados e as imagens estarão acessíveis na internet", disse.

A apresentação dos conteúdos será dividida em dois componentes: um banco de dados de acesso público e uma coletânea de livros, em inglês, espanhol e português, que estará disponível em livrarias e bibliotecas dos países participantes. A previsão de lançamento do site do projeto é em 2008.

"As instituições culturais no Brasil têm dificuldade para reunir um conjunto de obras em tópicos fundamentais da história da arte. Essa é a oportunidade de consolidarmos o processo de tratamento dos documentos de artistas nacionais de modo que, concentrados em uma única base de dados, eles possam ser utilizados como ferramenta de ensino e de pesquisa", disse a coordenadora da versão brasileira do projeto, Ana Maria Belluzzo.

O valor do investimento da parceria é de cerca de R$ 1,3 milhão nos primeiros dois anos de vigência do acordo, valor a ser dividido entre FAPESP e MFAH. O museu foi fundado em 1900 no sudeste do estado do Texas. Mais de 2 milhões de pessoas freqüentam as cerca de 40 exposições realizadas anualmente pela instituição, a quinta nos Estados Unidos em visitação.

Fonte: Site FAPESP