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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Arquivo Edgard Leuenroth ganha uma sede à altura da importância que conquistou

Publicado em 12 novembro 2009

Será inaugurada nesta sexta-feira (13), às 14h30, a nova sede do Arquivo Edgard Leuenroth (AEL), que possui um dos mais importantes acervos documentais ligados à história social, política e cultural do Brasil e da América Latina - e que está vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. Antes, às 9h30, no auditório do IFCH, será promovida uma mesa-redonda comemorativa com a presença dos fundadores do AEL, professores Marco Aurélio Garcia, Michael Hall e Paulo Sergio Pinheiro, que darão nome a três salas do prédio.

A área construída de 1.432 m2 (contra 498 m2 atuais) permitirá quadruplicar um atendimento que já impressiona: em 2008, 2.593 usuários (entre graduandos, mestrandos, doutorandos e outros) consultaram 4.027 rolos de microfilmes, 2.735 manuscritos e 3.000 jornais brasileiros, sem considerar a procura por livros, folhetos, revistas brasileiras e estrangeiras, jornais estrangeiros, áudios, vídeos e outros documentos.

A nova sala de consultas terá 44 leitoras de microfilmes à disposição dos pesquisadores, que antes contavam com 16; eles contarão também com duas saletas isoladas, uma para áudio e outra para vídeo. Na recepção haverá um local para os usuários deixarem seus pertences, sendo que o mesmo espaço, brevemente, estará adaptado para propiciar um descanso em meio à pesquisa, abrigando ainda uma exposição em painéis de acrílico.

Elaine Zanatta, diretora técnica do AEL, ressalta que o foco está mesmo no usuário, que terá sempre a equipe técnica a seu lado. "O atendimento de arquivo é muito diferenciado de uma biblioteca, onde o usuário tem acesso à coleção para uma busca por conta própria. Aqui, este acesso não é possível, tendo que se recorrer a relatórios de pesquisa. Nosso atendimento é fundamental, pois os funcionários conhecem o acervo e podem indicar fontes e ajudar no uso das leitoras".

A expansão

Fundado em 1974, a partir da aquisição do acervo documental do militante anarquista Edgard Leuenroth, o AEL tinha como proposta inicial preservar e divulgar a memória operária do Brasil Republicano. Entretanto, a crescente doação de fundos e coleções documentais levou à ampliação da temática - atualmente são 550 metros lineares de manuscritos. "O antigo prédio foi pensado para abrigar salas de aula, ao passo que este é planejado para um arquivo. Já estamos mudando os acervos, sem interromper o atendimento aos usuários", afirma o professor Alvaro Bianchi, diretor adjunto do AEL.

Segundo Elaine Zanatta, a falta de espaço obrigou os funcionários a trabalharem em meio ao acervo, trazendo implicações inclusive à saúde. Houve um momento crítico envolvendo o Ibope, que doou um primeiro lote da sua documentação nos anos 1980; quando o Instituto começou a enviar o restante, o AEL teve que solicitar salas em outras unidades da Unicamp, que passariam depois a pleiteá-las de volta. A solução foi construir um pequeno prédio no terreno da nova sede, fora do projeto original.

A área de guarda de acervo na nova sede possui 460 m2 e sobra espaço para absorção de mais documentação. O Fundo Ibope, que está entre os mais consultados do AEL juntamente com a Coleção Brasil Nunca Mais, foi o primeiro a ser transferido, ocupando grandes estantes deslizantes com controle eletrônico. "Esse armário foi adquirido há seis anos, graças a recursos da Fapesp, mas só agora está montado também porque não havia espaço", comenta a diretora.

Digitalização

O térreo da nova sede abriga também o setor de controle de insetos em documentos adicionados ao acervo, além das salas da diretoria técnica e de apoio em informática. Na parte superior, as salas dos diretores docentes e outras mais amplas destinadas aos técnicos que trabalham diretamente com o fundo documental. Um espaço já está reservado para viabilizar a ideia do "AEL digital". "Pretendemos adquirir um escâner planetário para a digitalização de documentação em papel, promovendo o acesso cada vez mais virtual ao acervo", adianta Elaine Zanatta.

Visitação

Os interessados podem agendar visitas monitoradas à sede do AEL. O acompanhamento é feito por estagiários do curso de história, como Miriam Frassetto e Tarcila Trigeiro, que estudaram todo o histórico do Arquivo e os detalhes do novo prédio.