Notícia

Gazeta de Limeira online

Arqueólogo começa a procura por objetos de 10 mil anos em Limeira

Publicado em 04 julho 2010

Entre dois e três metros de profundidade da região em que vivemos podem ser encontradas relíquias arqueológicas de cerca de dez mil anos. E a procura por elas começa este mês, coordenada pelo pesquisador Astolfo Gomes de Mello Araujo, arqueólogo e geólogo do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa, intitulada "A Ocupação Paleoíndia no Estado de São Paulo: Uma Abordagem Geoarqueológica", abrange os municípios de Limeira, Rio Claro, Araras, Ipeúna e Charqueada, e deverá durar pelo menos dois anos. Em entrevista à Gazeta, Araujo explica que o foco do estudo é encontrar peças datadas entre oito mil e dez mil anos, época denominada paleoíndia, mas outros artigos mais "novos" que vierem a ser encontrados deverão ser catalogados.

A escolha da região se deve a sítios arqueológicos já conhecidos, como o Alice Boer, em Rio Claro. "A partir daí resolvemos ampliar a área de estudo pelo relevo, que conta também com muitas lagoas naturais, onde podem ser encontradas coisas interessantes", diz.

Entende-se por sítio arqueológico qualquer local que conserve vestígios, artefatos ou instrumentos feitos por índios. Araujo explica que objetos de cerâmica feitos por tribos são menos antigos, por exemplo, do que os de pedra lascada.

Passos para o passado

Ele frisa que a pesquisa não envolve desapropriações, tombamento ou coisas do tipo. Pelo contrário: o trabalho, para ser executado, precisa de autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Iphan , aval dado no início do mês. A pesquisa terá financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Também será necessária a autorização de proprietários para as pesquisas. O trabalho é feito com escavação cuidadosa, devido à importância da localização exata. Encontradas as peças, que podem estar enterradas pelo menos a dois metros, é feita a catalogação e estudo. E a terra é recolocada, sem prejuízo ao proprietário.

"Pedimos, inclusive, que quem tiver alguma informação ou artigo, como ponta de uma flecha, entrem em contato. É uma forma de identificar os locais que possam ter materiais", diz. Lembra, no entanto, que o comércio dessas peças é proibido por lei. "Mas as pessoas podem doar para museus, que é uma forma de não perdê-las com o tempo, conforme passam as gerações".

Na região, Araujo já encontrou sítios em Araras, embora o trabalho não fosse acadêmico. Para o início da pesquisa, embora haja locais mapeados, deverão ser buscadas informações das áreas com maior potencial arqueológico. O trabalho será feito com cavadeira, além de peneiras para a terra e outros equipamentos. Quanto melhor enterrado, maior a dificuldade.

A equipe, que terá de cinco a oito pessoas, mas pode chegar entre 10 e 15 quando houver escavações, se revezará entre os locais. Farão parte do grupo alunos da USP e Unesp. "É possível que contratemos trabalhadores da região para ajudar", acrescenta o pesquisador. Dependendo do que for encontrado, o projeto pode se estender além dos dois anos previstos. Poucos anos que levarão a uma viagem longa no tempo para revelar o que usavam e quem eram os longínquos moradores das terras em que agora habitamos.

DL