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Diário do Comércio (MG) online

Áreas degradadas com os dias contados

Publicado em 27 dezembro 2011

São Paulo - O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está desenvolvendo uma pesquisa de caráter interdisciplinar para viabilizar a recuperação de áreas degradadas pela atividade de mineração de agregados para a construção civil - pedra, areia e calcário -, utilizando de forma integrada os conceitos de bioengenharia de solos e serviços ambientais.

A marca inovadora do projeto é a aplicação de técnicas de bioengenharia de solos na recuperação de áreas degradadas pela atividade de mineração e na geração de serviços ambientais. "Essas técnicas são normalmente empregadas na recuperação de rodovias e margens de rios, mas seu uso para recuperar áreas degradadas por mineração é inédito", afirma a pesquisadora do IPT e coordenadora dos trabalhos, Amarilis Gallardo.

O principal alvo do projeto são 250 terrenos localizados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que já não têm mais atividade econômica. Mas a metodologia a ser criada beneficiará também, no futuro, outras áreas que atualmente estão produzindo agregados.

Na prática, a aplicação de técnicas de bioengenharia de solos significa que as áreas não serão recuperadas apenas com o plantio de espécies convencionalmente usadas, como gramíneas e eucaliptos. "Em vez de espécies exóticas, daremos preferência a espécies nativas, priorizando o uso de espécies mais comuns", afirma a pesquisadora Caroline Souza, da Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais do IPT.

O projeto pretende proporcionar uma abordagem mais sustentável para a atividade de mineração. O método a ser desenvolvido poderá ser aplicado em contextos minerários similares, em diferentes regiões do país, e com estudos e adaptações posteriores, também para outras atividades mineradoras.

O estudo conta com orçamento compartilhado entre as instituições participantes, como do próprio IPT, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Vale, que prevê um investimento total de até R$ 40 milhões para o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas nas áreas de mineração, energia, ecoeficiência, biodiversidade e produtos ferrosos para siderurgia.