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Araraquarenses desenvolvem técnica de clareamento dentario

Publicado em 11 janeiro 2009

Por Richard Selestrino

Três pesquisadores araraquarenses desenvolveram uma técnica inovadora que deve trazer uma nova dinâmica aos tratamentos de clareamento dentário, resultando na redução dos riscos de dor e danos à dentição devido à reaplicação dos produtos antes do tempo correto. A pesquisa durou mais de cinco anos e foi realizada em parceria entre a Faculdade de Odontologia da Unesp e Faculdade Logatti.

O estudo, que custou R$ 250 mil, foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) através do Programa Pipe, que prevê parceria entre pesquisador e uma empresa privada.

Os pesquisadores realizaram testes em aproximadamente cem pacientes, que responderam bem ao tratamento proposto. Eles criaram um software que detalha com exatidão o grau de coloração do dente e a cor que ele atingirá ao receber o tratamento. Atualmente, essa aferição é feita a olho nu ou com auxílio de um espectrofotômetro, aparelho muito caro e nem sempre acessível a todos profissionais da área.

Ganhos

Na avaliação do pesquisador Osmir Batista de Oliveira Júnior, coordenador de Pós-Graduação em Dentística Restauradora da Faculdade de Odontologia da Unesp de Araraquara, o procedimento traz ganhos tanto para os odontologistas quanto aos pacientes. "Muitos pacientes chegam ao consultório dentário com a ilusão de que vai sair do local com os dentes completamente brancos como aparece nas revistas, mas esse não é um resultado obtido através do clareamento", explica. De acordo com ele, com o vizualizador  o resultado que será obtido e também saberá se o tratamento lhe trará dor. "Em alguns casos o paciente pode sentir dor durante o tratamento e isso também pode ser previsto pelo software", diz.

A ideia, segundo o pesquisador Fábio Papini Fornazari, docente na área de Ciências da Computação, que também participou do estudo, é de que a nova ferramenta seja acessível a todo profissional. A comercialização está em estudo por uma empresa de São Carlos. "Nós pretendemos que o custo do software seja o equivalente a um tratamento de clareamento ou 11 vezes menor que o preço do espectrofotômetro", afirma. Um espectrofotômetro custa entre R$ 12 e R$ 15 mil. Outro aspecto positivo salientado pelo grupo de pesquisadores, que também conta com Diego Corrêa dos Santos, é o fato de o desenvolvimento de um software reforçar o perfil que a cidade está desenvolvendo na área de Tecnologia de Informação (TI). "O software foi desenvolvido em cerca de dois anos", conta.

O projeto desenvolvido pelos pesquisadores será apresentado para aproximadamente 40 mil profissionais, público esperado pelo Congresso Internacional de Odontologia, que ocorre daqui duas semanas em São Paulo. Na próxima semana também será levado para o Encontro Nacional do Grupo Brasileiro de Professores de Dentística, em Foz do Iguaçu (PR).

Pesquisador recomenda cuidados

Apesar das novidades que surgem a cada ano no mercado, a pessoa deve tomar precauções ao procurar um tratamento deste tipo, já que mexe com o esmalte do dente, responsável por sua proteção. De acordo com especialistas da área, a maioria dos clareadores tem como base o peróxido de hidrogênio que funciona pela oxidação que remove a mancha por liberação de oxigênio e ação mecânica.

Durante o processo, ele se decompõe em dois subprodutos a água (H20) e o oxigênio nascente (O-), oriundo dessa reação química são responsáveis pelo clareamento. O processo leva de duas a quatro semanas e depende do método utilizado pelo dentista. Neste processo, podem ocorrer problemas relacionados à hipersensibilidade do dente, irritação da gengiva, irritação gástrica e gosto desagradável. Ao sentir algum desses desconfortos a pessoa deve procurar o dentista. O tratamento dura, em média, três anos, mas o prazo pode diminuir devido ao consumo de alimentos com corantes, cigarros e café.

Para Osmir Batista de Oliveira Júnior, coordenador de Pós-Graduação em Dentística Restauradora da Faculdade de Odontologia da Unesp de Araraquara, é fundamental que a pessoa se informe antes de iniciar um tratamento. "O primeiro de tudo é ela procurar um profissional qualificado e registrado no CRO [Conselho Regional de Odontologia]", orienta. Ele ainda recomenda que o paciente converse bastante com o dentista antes de começar o tratamento, explique o que espera do tratamento. "E muito importante porque muitas pessoas vem ao consultório com expectativa fora da realidade. Também tem gente que pode fazer o tratamento e tem gente que não é recomendado", conclui.