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Araraquara usa nanopartículas para criar pino odontológico

Publicado em 16 maio 2012

Uma parceria entre o Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), uma unidade de pesquisa financiada pela Fapesp e instalada no Instituto de Química (IQ) da Unesp de Araraquara, e a empresa Angelus, de Londrina (PR), resultou no desenvolvimento de um pino odontológico translúcido.

O produto, já disponível no mercado, diminui de 5 minutos para no máximo 30 segundos o tempo de endurecimento de resinas e cimentos usados na restauração dentária. Ele é composto de 80% de fibra de vidro e 20% de resina epóxi, dopada com nanopartículas de molibdato de cálcio. Tem cerca de 2 centímetros de comprimento e 1,4 milímetro de diâmetro em sua parte mais espessa.

Além dos pinos, que geraram uma patente, a parceria rendeu a criação de uma embalagem antimicrobiana para os mesmos pinos. Em formato de um pequeno tubo, com 5 centímetros de comprimento, ela é feita de 98,5% de polipropileno e 1,5% de agentes antimicrobianos.

O conhecimento que permitiu o desenvolvimento do pino foi gerado durante a tese de doutorado do pesquisador Valdemir dos Santos, defendida na Universidade Federal de são Carlos (UFSCar). Ele teve a orientação de Elson Longo, coordenador do CMDMC e professor da Unesp de Araraquara.

Luz

Pinos, de uma maneira geral, são usados há bastante tempo na endodontia para fixar o dente fragilizado após a remoção de tecido deteriorado por cáries ou outros microorganismos ou, ainda, após um trauma. Os mais usados são feitos de metal (zircônio, aço inoxidável ou titânio). Eles apresentam desvantagens, como propriedades mecânicas diferentes da estrutura do dente e o fato de estarem sujeitos à corrosão e oxidação, além de conduzir calor.

Mais recentemente começaram a surgir os pinos não metálicos, feitos de carbono ou fibra de vidro. Eles têm um comportamento mais semelhante à estrutura dental, são mais resistentes à corrosão e são facilmente removíveis.

Longo explica que os pinos desenvolvidos pela Angelus e a CMDMC permitem a passagem de 12% da luz incidente até as regiões mais fundas do dente, quantidade suficiente para a polimerização dos materiais usados nas restaurações – por isso o processo de endurecimento é mais rápido, o que não ocorre com os pinos opacos. Para os pesquisadores, essas características devem dar mais segurança aos dentistas.


Assessoria de Comunicação e Imprensa, com informações da revista Pesquisa Fapesp