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G1

Araraquara tem 1.091 casos de dengue confirmados

Publicado em 02 junho 2008

O Serviço Especial de Saúde de Araraquara, a 237 km de São Paulo, confirmou nesta segunda-feira (2) o registro de 1.091 casos de dengue, sendo 1.085 autóctones, originados na própria cidade.

Araraquara vive uma epidemia da doença desde abril, quando foram confirmados 622 casos. O Ministério da Saúde considera epidemia a partir do momento em que são registrados 300 casos por 100 mil habitantes. A cidade no interior de SP possui cerca de 200 mil habitantes.

Além dos 1.091 casos confirmados, ainda existem outros 109 que estão sob análise. Do total de doentes na cidade, 55% são mulheres, ou 596. De acordo com a prefeitura da cidade, a faixa etária mais atingida tem entre 20 e 34 anos (324 casos), depois vem o grupo de 35 a 49 anos (302 casos), seguidos por 50 a 64 anos (183 casos), 15 a 19 anos (91 casos), 65 a 79 (77 casos), 10 a 14 (66 casos), 5 a 9 (27 casos), maiores de 80 anos (11 casos), de 1 a 4 anos (9 casos), e um caso em bebê menor de um ano.

Apesar do total de casos, segundo a prefeitura, o número de registros semanais da doença vem diminuindo há cerca de cinco semanas. No último boletim divulgado, em 26 de maio, foram notificados 1.063 casos autóctones e, esta semana, 1.085, uma diferença de 22 casos. Na 13ª semana da epidemia, haviam sido registrados 125 casos da doença.

Vacina

O Instituto Butantan anunciou nesta segunda que deu início ao desenvolvimento da produção de uma vacina contra dengue. Segundo o presidente da fundação, Isaias Raw, a previsão é que em 2010 o Brasil já possua a vacina para ser utilizada na rede pública de saúde em crianças e em jovens.

O instituto deve passar a produzir entre 20 milhões e 30 milhões de doses da vacina por ano. A vacina será preventiva e tetravalente, protegendo contra quatro tipos de vírus da dengue.

A intenção do instituto é que, com o tempo a vacina passe a fazer parte do calendário de vacinação infantil, com crianças de dois anos recebendo duas doses, em um intervalo que "provavelmente" deve ser de seis meses, para ficarem imunizadas.

De acordo com o presidente do Butantan, há seis meses foram adquiridas as "cepas", ou vacina original, produzidas pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). Essa vacina foi testada em macacos Rhesus e um grupo de pessoas, naquele país, que não possuíam a doença. Pelos testes "foi verificado que esta vacina tem boas chances de ser eficaz".

Nos próximos três meses deverá ser construído um laboratório dentro do Instituto para a produção da vacina em grande escala. "O NIH cedeu a patente para o Butantan, exclusivamente para a América Latina", disse. A estimativa é de que os ensaios clínicos com a vacina produzida no Butantan comecem a ser feitos em seis meses.

Para a construção do laboratório serão liberados inicialmente R$ 5 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e R$ 2 milhões da Fapesp, em parceria com o Ministério da Saúde. Segundo Raw, já foi encomendado um bioreator para a produção das vacinas, avaliado em cerca de 1 milhão de dólares.