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Araçatuba lidera consórcio internacional para sequenciar genoma zebuíno

Publicado em 24 abril 2012

Portal Unesp

 

 

 

A Faculdade de Medicina Veterinária, Câmpus de Araçatuba, lidera um consórcio internacional de cientistas que deverá concluir, ainda no primeiro semestre de 2012, o sequenciamento do genoma de referência bovino da subespécie zebuína (Bos indicus). A linhagem originária da Índia inclui as raças nelore e gir, voltadas para a produção de carne e que, por isso, são de interesse comercial do Brasil e de outros países de clima tropical.

Mas, antes de o trabalho ser finalizado, pesquisadores do grupo já fazem comparações preliminares com o genoma da subespécie taurina (Bos taurus), um trabalho que foi finalizado em 2009. Pertencem à subspécie raças chamadas de europeias, como a angus e a holandesa, direcionadas tanto para produção de leite como de carne.

O professor José Fernando Garcia, da Unesp de Araçatuba, participou do sequenciamento do genoma taurino e lidera o grupo de cientistas que se dedica à conclusão do sequenciamento do genoma do zebuíno. O cientista coordena um projeto de pesquisa apoiado pela Fapesp (Fundação de amparo à Pesquisa do Estado de são Paulo).

Um grupo coordenado por pesquisadores do Laboratório de Genômica Funcional de Bovinos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) comparou o genoma de cinco animais, sendo três da raça angus, um da raça holandesa e um nelore.

De acordo com Garcia, as descobertas do estudo possibilitarão explicar melhor as diferenças entre os animais e criar as bases para realizar um melhoramento genético de bovinos mais apurado e com maior precisão do que se faz hoje.

“O que vimos e já esperávamos é que vários genes relacionados à adaptabilidade animal estão duplicados ou em maior quantidade no animal da raça nelore, da subespécie zebuína, que vive em condições mais rústicas e suporta altas temperaturas”, disse Garcia, à Agência Fapesp. “Os genes relacionados ao transporte e metabolismo de lipídios, que proporcionam uma carne com mais gordura, por exemplo, estão em maior número de cópias nos animais taurinos, que são selecionados para clima temperado, como o europeu e o norte-americano”, explicou.

Resultados

Os pesquisadores identificaram por meio do estudo 1,265 mil variações no número de cópias de genes (CNV, na sigla em inglês de copy number variations) – perdas e ganhos de sequências completas de DNA entre indivíduos da mesma espécie. Utilizando novas tecnologias de sequenciamento de genoma, os pesquisadores observaram alterações no número de cópias de genes dos animais, sendo muitas delas inéditas, relacionadas a fatores como adaptação e metabolismo.

Vários genes relacionados à adaptabilidade animal estão duplicados ou em maior quantidade no animal da raça nelore, da subespécie zebuína, que vive em condições mais rústicas e suporta altas temperaturas. Os genes ligados ao transporte e metabolismo de lipídios, que proporcionam uma carne com mais gordura, por exemplo, estão em maior número de cópias nos animais taurinos, que são selecionados para clima temperado, como o europeu e o norte-americano.

A pesquisa representa uma exploração funcional do genoma bovino, comparando os genomas das subespécies, como pretende fazer em maior escala outro projeto em andamento que tem o objetivo de sequenciar o gene completo de mil bovinos. Os resultados foram publicados na revista Genome Research e está disponível para assinantes do periódico emhttp://genome.cshlp.org/content/22/4/778 .

Previsto para ser concluído nos próximos anos, o projeto deverá ganhar impulso com a conclusão do sequenciamento do genoma de zebuínos nos próximos meses. O primeiro rascunho está pronto, mas ainda deverá demorar alguns meses para ser publicado.

Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp com informações da Agência Fapesp