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GCN

Ar mais limpo na capital

Publicado em 26 novembro 2014

O senso comum afirma que o ar que o paulistano respira é cada vez mais poluído e há argumentos empíricos para isso, principalmente o aumento da frota de veículos em circulação. Mas não é a conclusão dos cientistas quando saem a campo para fazer as medições e comparar com décadas passadas. Na verdade, o ar na capital paulista está cada vez menos poluído, dizem eles.

Vários estudos nos últimos anos foram nessa direção. O último deles acaba de ser publicado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo) revelam que, em 30 anos, caiu consideravelmente a concentração de acetaldeído na atmosfera da Região Metropolitana de São Paulo. Esse componente provoca irritação nas mucosas, olhos e vias respiratórias e é responsável por sintomas asmáticos, além de ser substância carcinogênica em potencial.

De acordo com o último número da revista Fapesp, em texto intitulado Ar mais limpo assinado por Yuri Vasconcelos, a melhora se deve ao aperfeiçoamento da tecnologia de motores automotivos e ao controle da poluição emitida via escapamentos dos veículos. Os resultados, que estão publicados na edição on-line da revista Fuel, poderão servir de parâmetros para se avaliar o ar que se respira em cidades médias do Interior Paulista, que também sofrem a expansão da frota de veículos e do crescimento demográfico e precisam conhecer o nível de poluentes respirado pela sua população, preocupação que inexistia em décadas anteriores.

O poluente vilão dos problemas respiratórios é liberado principalmente pelos veículos movidos a etanol. E nos últimos anos aumentou o número de veículos movidos por esse tipo de combustível. Os carros com tecnologia flex já são maioria em circulação. Seria de esperar em tese um agravamento do problema, mas ocorreu o contrário. O coordenador da pesquisa, o químico Thiago Nogueira, disse à Fapesp que não se verificou uma elevação no nível de acetaldeído apesar do aumento da frota que utiliza o biocombustível renovável feito a partir da cana-de-açúcar.

Entre 2012 e 2013 foi registrada uma concentração média de 5,4 partes por bilhão (ppb) dessa substância, contra três vezes mais (16 ppb) em 1986. Os carros movidos a álcool no passado emitiam uma quantidade maior de acetaldeído, confirma o engenheiro químico Alfredo Castelli, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

A importância de estudar a concentração na atmosfera de compostos orgânicos voláteis e de óxidos de nitrogênio é que eles interferem no clima. Segundo a reportagem da Fapesp, são substâncias que sofrem reações fotoquímicas e dão origem a poluentes como o ozônio. Esse poluente frequentemente ultrapassa os padrões de qualidade do ar na região metropolitana de São Paulo, afirma a professora Maria de Fátima Andrade, coautora do estudo. Mas a conclusão é de que o ar vem melhorando gradativamente.

Pelos animais: A Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa aprovou o projeto de lei do deputado Feliciano Filho (PEN), que proíbe a criação de animais em sistema de confinamento em que lotes de animais são colocados em piquetes ou locais com área restrita impossibilitando-os de se movimentar. O confinamento visa acelerar a engorda, aumentar a produtividade e diminuir os custos do negócio, mas é considerado perverso em relação aos animais ao gerar estresse e lesões. Muitos passam a vida sem ver o sol ou a natureza, diz o deputado. O próximo passo é a aprovação no plenário e depois a lei tem que passar pela caneta do governador Alckmin. As práticas mais comuns de confinamento são as gaiolas em bateria, celas de gestação e gaiolas para bezerros, utilizados, respectivamente, para galinhas poedeiras, porcas prenhes e bezerros criados para vitela.

Wilson Marini

Jornalista - email wmarini@apj.inf.br