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Diário do Nordeste

Ar de Fortaleza é monitorado

Publicado em 02 abril 2011

Iniciativa propicia informações antecipadas para ações que inibam os efeitos dos desastres por causas naturais

Duas vezes por dia, durante todo o mês de abril, um balão subirá cerca de 25 mil metros portando um radiossonda. O objetivo é coletar informações sobre nuvens "quentes", típicas de regiões tropicais e que evoluem sem formar partículas de gelo em seu interior, de modo que chuvas em grande intensidade possam ser previstas com maior segurança e, assim, alertar os serviços de defesa civil para a atenção com áreas de riscos.

Ontem, às 9 horas, o primeiro balão com gás hélio e transportando um pequeno aparelho, a radiossonda do Projeto Chuva, subiu aos céus. A radiossonda recebe informações da atmosfera, como temperatura, umidade, pressão, direção e velocidade do vento, até uma altitude de 12 mil metros.

Acima de 25 mil metros, houve uma ruptura e o aparelho caiu sobre o litoral. Esse desperdício é esperado e deverá ocorrer por todo o período de avaliações. No entanto, durante a subida, as informações eram repassadas pelo aparelho que foram coletadas na estação de Fortaleza e, em seguida, encaminhadas a um núcleo central, localizado em Brasília.

O trabalho faz parte de experimento, inserido numa série de sete do Projeto Chuva, sob coordenação geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Pioneirismo

O evento inaugural aconteceu na estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inpet), localizada no Passaré. Na ocasião, o coordenador do Projeto Chuva, Luiz Augusto Machado, disse que Fortaleza foi pioneira na atividade, por reunir um aparato técnico que dá suporte à experiência, além das parcerias feitas com o poder público e as universidades locais.

Machado explicou que chuvas provocadas por nuvens quentes não são consideradas nas estimativas de precipitação dos atuais satélites em órbita, uma das principais preocupações do projeto.

Além da emissão diária de dois balões com radiossondas, o serviço terá ainda o amparo de um radar, a ser instalado no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A campanha científica, com base em Fortaleza, foi também organizada pela Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme). Segundo o seu presidente Eduardo Martins, ela é um elemento fundamental em informações mais precisas a curto prazo e que são as fundamentais para que medidas de atendimento às populações residentes em áreas de risco sejam mais efetivas.

"Temos condições bastante favoráveis para implementar de forma pioneira o projeto, tanto pela aproximação com a linha do Equador, quanto do aparato tecnológico aqui implantado, somente comparado ao existe em Curitiba, no Paraná", afirmou o presidente da Funceme.

Ele também destacou a importância de que essas informações serão importantes para alertar as defesas civis.