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Aquecimento: Inpe discute o que fazer para atenuar efeitos

Publicado em 05 novembro 2009

Jornal do Brasil com Agência Fapesp

Rio - O aquecimento global é um fenômeno que já está mostrando seus efeitos.  Nos polos, geleiras derretem a um ritmo intenso.  Na África, as áreas desérticas aumentam.  Nos centros urbanos, formam-se o que os cientistas denominam ilhas de calor – e a impressão é que está cada vez mais quente.  Diante disso, uma questão crucial a ser levada para discussão em Copenhague, para uma corrente de pesquisadores, é saber quais ações e estratégias os países devem adotar para se adaptar ao novo cenário.

Esta questão é o cerne das discussões de um evento que está ocorrendo no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), reunindo cientistas de 30 países.

– A ideia por trás do evento é estimular a percepção de uma comunidade de cientistas que trabalhe a questão da adaptação nos países, especialmente os países em desenvolvimento, a fim de identificar quais são as grandes lacunas de pesquisa nessa área.  Essa comunidade já existe, mas ainda é pequena.  Queremos que ela tenha um papel maior no debate mundial sobre o clima – disse no primeiro dia do evento o cientista Carlos Nobre, do Inpe.

O evento “Impactos, adaptação e vulnerabilidade: necessidade e prioridades de pesquisa nos países em desenvolvimento” começou na quarta-feira e acaba hoje.  Segundo Carlos Nobre, trata-se do maior encontro internacional sobre adaptação às mudanças climáticas já realizado até hoje envolvendo países em desenvolvimento.

Segundo Nobre, os países mais pobres têm, geralmente, mais dificuldades de adaptação a qualquer transformação, seja ambiental, econômica ou social.  O mesmo ocorre no caso do clima:

– As projeções para o século 21 mostram que muitas das mudanças climáticas têm relação com o ciclo da água e, portanto, afetam especialmente as regiões áridas e semiáridas.  O que ocorre é que justamente essas regiões concentram a maior parte da pobreza no mundo.  A soma dessa característica com a dificuldade de adaptação típica desses países faz com eles se tornem as regiões mais vulneráveis do planeta.

Cooperação

O objetivo do encontro na sede do Inpe, portanto, é identificar as necessidades de pesquisa sobre impactos das mudanças climáticas – e sobre as possibilidades de adaptação – nos países em desenvolvimento.  Os resultados do encontro poderão, segundo Carlos Nobre, motivar pesquisadores dos países mais ricos a trabalhar em cooperação com os colegas de países da América Latina, da África e da Ásia.

– Com isso, os problemas específicos da adaptação às mudanças climáticas ganharão mais destaque nas avaliações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU e, consequentemente, no direcionamento de políticas públicas – disse Nobre.

O climatologista afirma ser importante influenciar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que será realizada em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro, na questão da adaptação, pois se trata de um tema que está claramente em segundo plano em relação à redução das emissões de carbono.

– Todos sabem que a mitigação do efeito estufa é um problema que precisa de uma solução global.  Mas não podemos pensar que a adaptação, por se manifestar localmente, não precise de soluções globais – afirmou Carlos Nobre.

A pesquisadora Patricia Romero Lankao, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR), dos EUA, faz coro com as argumentações de Carlos Nobre.

– A comunidade científica dos países em desenvolvimento conhece de perto os problemas locais e tem capacidade para contribuir para o conhecimento global do tema – disse Patricia, que defende a criação de grupos de trabalho que se dediquem a diminuir a distância entre a ciência feita em países em desenvolvimento e países ricos.