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Aquecimento global

Publicado em 01 fevereiro 2007

Aumenta no nível do mar e conseqüente inundação de ilhas e cidades litorâneas, morte de recifes, desertificação em algumas regiões, erosão e aumenta do índice de chuvas em outras. A descrição desse ambiente diverso (ou mesmo inóspita) pode ser a do Brasil até o final desse século. Tudo por conta do aquecimento global. Essas foram algumas das conseqüências apontadas na série de oito estudos intitulada "Mudanças climáticas e seus efeitos sobre a bidiversidade brasileira", divulgada recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). No conjunto, os estudos analisaram o perfil evolutivo do clima no País e desenharam possíveis cenários do clima nos próximos 90 anos (de 2010 a 2100). Os pesquisadores avaliaram ainda os efeitos da elevação do nível do mar na costa brasileira e identificaram indicadores mais adequados para aferir as mudanças climáticas. "Esses índices já eram esperados. É necessário que a sociedade se prepare, já que essas alterações podem acontecer num período muito curto de tempo", considera Fabio Feldmann, ambientalista e membro do conselho da Y. Takaoka Empreendimentos.
As oito pesquisas sobre "Mudanças climáticas e seus efeitos sobre a biodiversidade brasileira" tiveram como principal financia dor o Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio/MMA), e foram elaboradas por mais de uma dezena de instituições de pesquís brasileiras de excelência. Os outros financiadores foram: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/Ministério da Ciência e Tecnologia), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), o Banco Mundial (Bird) — por meio do projeto Using Regional Climate Change Scenarios for Studies on Vulnerability and Adaptation in Brazil and South América, apoiado pelo Global Opportunity Fund (GOF), do Rei no Unido — e o Instituto Interamericano de Mudanças Globais.
Uma das pesquisas trata da desertificação no País. O pro cesso abrange 1.488 dos cerca de 1.800 municípios que compõem os nove estados do Nordeste, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. O problema atinge ainda algumas cidades do norte de Minas Gerais e do noroeste do Espírito Santo. A área total sujeita ao processo de desertificação aumentou de cerca de 900 mil km° em 2003 para 1,3 milhão de km nos dias de hoje, o que equivale a 15,7% do território nacional. A previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica que, caso a situação não seja revertida, o Brasil poderá, num prazo de 60 anos, ter todo o Semi-Árido transformado em regiões áridas, ou seja, desertos. Já as regiões subúmidas secas se transformariam em semi-áridas.
Outro dado preocupante é que o aumento da temperatura média do ar pode chegar até 4°C acima da média climatológica em 2100, em relação à temperatura média aferida de 1961 a 1990. Na Amazônia, o aquecimento pode chegar, no cenário mais pessimista, a 8°C. Já a temperatura média do ar no País, em 2100, pode aumentar a 28,9°C no cenário de altas emissões, visão mais pessimista, e até 26,3°C na perspectiva de baixas emissões (otimista). Tendo como base a temperatura média aferida de 1961 a 1990 (de 25°C), a elevação representaria um aquecimento de 3,8°C para o cenário de altas emissões e 1,3°C para o cenário de baixas emissões.
Em relação ao nível do mar, foi observada uma tendência de aumento da ordem de 40 cm por século, ou 4 mm por ano. As conseqüências desse possível aumento poderão, segundo o estudo, atingir as cidades litorâneas e 25% da população brasileira, ou seja, 42 milhões de pessoas que vivem na zona costeira, sendo a cidade do Rio de Janeiro e a ilha de Marajó os dois locais mais críticos.

Conseqüências
A mudança clima pode alterar a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas - Pode haver perda de biodiversidade e de recursos naturais, aia quando são considerados também os efeitos das alterações na cobertura de vegetação, causadas especialmente pelos desmatamentos. Outro efeito importante: alterações das rotas migratórias e dos padrões reprodutivos das espécies. Teme-se que a capacidade de absorção de carbono das florestas tropicais, sensíveis a mudanças climáticas, diminua com o tempo, e que estas deixem de funcionar como eliminadoras de carbono e passem a ser fonte de emissão deste gás. No pior cenário, a Amazônia pode virar Cerrado até o final do século XXI, devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa. Os recifes de corais são especialmente vulneráveis às mudanças na temperatura da água; calcula-se que um aumento entre 3°C e 4°C causaria a morte desse ecossistema.