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A Tribuna (Santos, SP) online

Aquecimento global: Alternativas à crise

Publicado em 12 fevereiro 2007

Por Da reportagem

A poeira vai baixando e os aspectos alarmistas do último relatório da ONU sobre os efeitos do aquecimento global vão dando lugar a uma análise mais fria da situação.
O documento, com mais de 1,6 mil páginas, apresenta previsões menos catastróficas do que a sua versão anterior, de 2001. Agora, avalia-se que as temperaturas aumentarão cerca de quatro graus até 2100. Há seis anos, acreditava-se em uma variação entre 1,4 e 5,8 graus.
Para muitos pesquisadores, esse pequeno recuo nas estimativas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) é fruto de uma certa cautela por parte dos 2,5 mil cientistas que revisou os dados.
Já outra parte da comunidade científica continua cética diante das conclusões e há ainda os que acreditam que a situação chegou a tal ponto que não seria mais possível evitar o recrudescimento de fenômenos como furacões, secas e enchentes.

Virtudes
Seja lá como for, uma coisa é indiscutível: o atual sistema de produção de bens de consumo terá que sofrer uma ampla mudança. Um dos setores mais afetados será o que envolve derivados de petróleo, uma gama incrível de artigos, de carros a sacolas de supermercado, cujo método de fabricação é um dos principais emissores de gases que desequilibram o Efeito Estufa.
Não será uma tarefa fácil, mas já há exemplos que mostram que ela é viável. É o que revela, por exemplo, um recente processo desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli/USP). Eles produziram um filme plástico sem uma gota de petróleo. Em seu lugar, entrou o amido de mandioca e sacarose (açúcares).
Além de ser um plástico sem qualquer substância química sintética, ele ainda possui outras virtudes: é biodegradável, comestível e antibacteriano - diminui a proliferação de microorganismos que agem na deterioração dos alimentos, o que, por tabela, reduz a necessidade de se aplicar conservantes (identificados no rótulo das embalagens pelos códigos P1 a P10).
A nova película bioplástica, que ainda tem a capacidade de mudar de cor quando o alimento começa a se deteriorar, é resultado do pós-doutorado da engenheira química Cynthia Ditchfield.
"Utilizamos o amido de mandioca como base com a intenção de agregar valor, uma vez que o Brasil é o segundo maior produtor mundial do tubérculo", disse Cynthia à Agência Fapesp.