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Apta estuda evolução muscular de tilápias

Publicado em 17 novembro 2009

A Apta (Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio) de Presidente Prudente iniciou na última semana um experimento que visa acompanhar o desenvolvimento muscular de linhagem de tilápias. O objetivo é estudar o efeito do clima no desenvolvimento das linhagens. "A piscicultura, ao contrário das demais, é bastante ampla, ou seja, engloba uma variedade de espécies. Para conseguirmos um melhor desenvolvimento delas, é preciso estudá-las separadamente", pontua o pesquisador Vander Bruno dos Santos, que escolheu a tilápia por ser a espécie de clima tropical de maior desenvolvimento no país.

Santos explica que, no caso do salmão, pesquisas comprovaram que o maior número de células influenciou no sabor da carne, caracterizando maior firmeza do filé. "Ainda não existem estudos desta natureza em espécies de tilápias", revela. Para o pesquisador, o experimento pode ditar novas regras aos criadores. "Dependendo do tipo de criação, será possível controlar a temperatura, proporcionando maior diferencial de produção", destaca.

O zootecnista conta que sempre trabalhou com linhagem de peixes. "Diferente dos demais vertebrados, o músculo dos peixes é adaptável. Esta pesquisa pode revelar se, assim como outras espécies, como o salmão, as tilápias também apresentem variação de acordo com a temperatura", informa.

Para o experimento, Santos desenvolveu três baterias de caixas d'água em sistema de recirculação - que visa evitar o desperdício de água. São 1.440 tilápias, das linhagens vermelhas, gifts e supreme, distribuídas em 18 tanques (sendo 80 em cada um deles). Os tanques estão acondicionados em uma estufa, onde a temperatura é controlada - sem ultrapassar os 30 graus.

Em cada uma das baterias, o pesquisador estabeleceu uma temperatura específica: na primeira, os peixes se desenvolvem a 22 graus; na segunda, predomina a temperatura ambiente e, na terceira bateria, o aquecimento é de 30 graus. "Já é possível observar que, nos tanques mais quentes, os peixes se alimentam e crescem mais rápido. Agora, é preciso observar se isso resulta no crescimento da célula ou da quantidade de células", ressalta.

A pesquisa é idealizada pelo zootecnista da Apta de Prudente e aprovada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). As análises serão realizadas periodicamente, em parceria com a universidade de Botucatu, que ficará responsável pelo desenvolvimento das lâminas de histologia - onde as células serão analisadas.

A primeira análise deve sair no início de dezembro, sendo o resultado final do experimento previsto para o segundo semestre de 2010. Considerando o destaque regional na produção da batata doce, a pesquisador também iniciará um estudo sobre o aproveitamento dos resíduos da batata doce na alimentação dos peixes. "Estamos apenas aguardando financiamento para iniciar a pesquisa", revela.

O zootecnista desenvolve pesquisas em aquicultura e pesca continental. "As pesquisas nesta área [piscicultura] são muito recentes no Brasil, datam de 20 a 30 anos. Como a região de Prudente possui um grande potencial para este tipo de cultura, é fundamental que os estudos sejam realizados", finaliza.