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Cana Oeste

Aproveitamento de resíduos agroindustriais minimiza perdas do setor

Publicado em 19 agosto 2009

Pesquisadores da Esalq - Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz da USP, em Piracicaba, estão desenvolvendo pesquisas que visam diminuir o descarte na natureza de resíduos do processamento agroindustrial e assim minimizar as perdas do setor. De acordo com o professor Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição, "muitos resíduos são ricos em compostos bioativos, amplamente reconhecidos pelas suas propriedades promotoras de saúde e aplicações tecnológicas, tais como antioxidantes e antimicrobianos, representando, portanto, potenciais fontes naturais destas substâncias".

Alencar coordena o projeto Prospecção e identificação de compostos bioativos de resíduos agroindustriais para aplicação em alimentos e bebidas, aprovado pela Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. "O estudo de resíduos agroindustriais, por exemplo, de uva, goiaba, tomate, maracujá, massa de levedura da fermentação alcoólica e folhas e talos de vários legumes e hortaliças, contribuirá para o desenvolvimento de tecnologias que proporcionem novos destinos a esses materiais, diminuindo assim o descarte ao meio ambiente", salienta Alencar.

O professor aponta ainda que pesquisas desenvolvidas neste sentido poderão contribuir com a redução de preços, uma vez que a identificação de propriedades antioxidantes de resíduos naturais e de baixo custo possibilitará a substituição dos similares sintéticos. "O ganho pode ser econômico e, ao mesmo tempo, oferecer melhor qualidade ao consumidor. O sobrenadante do isolado e concentrado protéico de soja é um bom exemplo, pois contém isoflavonas de alto valor agregado. O resultado são cápsulas de isoflavonas, utilizadas como repositoras hormonais naturais", lembra o pesquisador.

Inicialmente, o alvo dos pesquisadores são as indústrias que processam tomates, goiabas, setor sucroalcooleiro, vinícolas e resíduos de folhas e talos de legumes e hortaliças, os quais podem ser campos férteis para a busca por compostos antioxidantes e antimicrobianos.

Os materiais para estudos têm vindo de várias partes do País, sendo coletados in loco. Os primeiros resultados sobre o potencial antioxidante dos resíduos da indústria vinícola, de beterraba e de brócolis foram apresentados à comunidade científica, no I Simpósio em Ciência e Tecnologia de Alimentos, que aconteceu no último mês de maio em Salvador (BA). "Tudo isto deverá beneficiar a indústria de alimentos, que será privilegiada por meio da agregação de valor dos seus resíduos e pela possibilidade da utilização de aditivos naturais, contribuindo simultaneamente para melhoria da qualidade de vida dos consumidores, além da geração de patentes brasileiras", diz Alencar.

Fonte: Globo Rural - Rede Globo