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Aproveitamento de resíduos agroindustriais minimiza perdas do setor

Publicado em 18 agosto 2009

Pesquisadores da Esalq - Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz da USP, em Piracicaba, estão desenvolvendo pesquisas que visam diminuir o descarte na natureza de resíduos do processamento agroindustrial e assim minimizar as perdas do setor. De acordo com o professor Severino Matias de Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição, "muitos resíduos são ricos em compostos bioativos, amplamente reconhecidos pelas suas propriedades promotoras de saúde e aplicações tecnológicas, tais como antioxidantes e antimicrobianos, representando, portanto, potenciais fontes naturais destas substâncias".

Alencar coordena o projeto Prospecção e identificação de compostos bioativos de resíduos agroindustriais para aplicação em alimentos e bebidas, aprovado pela Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. "O estudo de resíduos agroindustriais, por exemplo, de uva, goiaba, tomate, maracujá, massa de levedura da fermentação alcoólica e folhas e talos de vários legumes e hortaliças, contribuirá para o desenvolvimento de tecnologias que proporcionem novos destinos a esses materiais, diminuindo assim o descarte ao meio ambiente", salienta Alencar.

O professor aponta ainda que pesquisas desenvolvidas neste sentido poderão contribuir com a redução de preços, uma vez que a identificação de propriedades antioxidantes de resíduos naturais e de baixo custo possibilitará a substituição dos similares sintéticos. "O ganho pode ser econômico e, ao mesmo tempo, oferecer melhor qualidade ao consumidor. O sobrenadante do isolado e concentrado protéico de soja é um bom exemplo, pois contém isoflavonas de alto valor agregado. O resultado são cápsulas de isoflavonas, utilizadas como repositoras hormonais naturais", lembra o pesquisador.

Inicialmente, o alvo dos pesquisadores são as indústrias que processam tomates, goiabas, setor sucroalcooleiro, vinícolas e resíduos de folhas e talos de legumes e hortaliças, os quais podem ser campos férteis para a busca por compostos antioxidantes e antimicrobianos.

Os materiais para estudos têm vindo de várias partes do País, sendo coletados in loco. Os primeiros resultados sobre o potencial antioxidante dos resíduos da indústria vinícola, de beterraba e de brócolis foram apresentados à comunidade científica, no I Simpósio em Ciência e Tecnologia de Alimentos, que aconteceu no último mês de maio em Salvador (BA). "Tudo isto deverá beneficiar a indústria de alimentos, que será privilegiada por meio da agregação de valor dos seus resíduos e pela possibilidade da utilização de aditivos naturais, contribuindo simultaneamente para melhoria da qualidade de vida dos consumidores, além da geração de patentes brasileiras", diz Alencar.

Redação, com informações da Agência USP