Notícia

Gazeta Mercantil

Aprendizagem ao longo da vida

Publicado em 04 outubro 1996

Por Marcos Formiga
A Educação Permanente e Continuada se faz, comumente, por meio de cursos livres inseridos em sistema de escola formal. No Brasil, a maneira mais conhecida de se promover a Educação Permanente é via Educação a Distância, seja por correspondência, pelo rádio, pela televisão e, agora, em tempos de Internet, mediante rede de computador e por satélite de comunicação. Todos os meios estão acessíveis e são complementares entre si. A mídia à disposição da aprendizagem. Nas últimas três décadas, a Educação a Distância como modalidade de ensino-aprendizagem, foi acrescida de uma nova dimensão, conhecida por Educação Aberta (Open Learning, em inglês). Dessa junção surgiu a Educação Aberta e a Distância, como é chamada no Brasil. Em 16 de setembro, iniciou-se no Centro de Convenções de Wembley (Londres) a Conferência sobre Educação Aberta, analisando, em particular, a sua utilização pelo setor produtivo e pelo mundo dos negócios. A Inglaterra tem um papel pioneiro nesse campo, desenhado com a criação da Universidade Aberta, em 1970. Em toda a Europa pratica-se a Educação Aberta no dia-a-dia das empresas. A Educação a Distância, que também teve seu berço na Inglaterra em meados do século passado, com o aproximar-se da virada do milênio vai tornando-se cada vez mais popular, chegando a todas as pessoas, em todos os lugares e a todas as horas. Trata-se de uma educação flexível e portátil; mais do que isso, apresenta uma excelente relação custo-benefício. Todos sabem que a educação de qualidade custa caro; mas a qualidade por meio da Educação Aberta e a Distância, na medida em que seu acesso se expande, capacitando e treinando grandes contingentes, pode gerar diminuição em seus custos financeiros (em média, 40% mais em conta do que o treinamento tradicional) e maximizar os benefícios sociais para empregados e empregadores. A Educação Aberta e a Distância é um serviço em demanda crescente e tem abastecido uma verdadeira indústria do conhecimento de caráter globalizante. O capital intelectual de toda empresa é o fator dominante do sucesso em seu negócio, e a Educação Aberta e a Distância é o método mais eficiente para o treinamento, o desenvolvimento pessoal e a competência coletiva da equipe. Educação Aberta a Distância tem relação com o sucesso empresarial. Esta reunião é uma prova evidente da importância desta parceria. Outra prova é o certificado de qualidade ISO 9000, almejado por toda empresa que deseja firmar-se no cenário internacional, cada vez mais competitivo. Na América Latina, o Brasil lidera o ranking da ISO 9000 com mais de 1.400 empresas detentoras desse certificado. A Inglaterra é a atual campeã mundial, com mais de 40 mil empresas de qualidade certificada. Esses números também comprovam o feliz casamento entre o conhecimento, representado pelo capital humano, e a visão empresarial "schumpeteriana", que valoriza o desenvolvimento profissional. A palavra de ordem externa das empresas européias, aqui reunidas, é competir e enfrentar competitivamente a concorrência. A interna é prover freqüentes oportunidades de aperfeiçoamento para o crescimento pessoal dos trabalhadores ou funcionários, que permitam a afirmação coletiva (diante dos seus pares) da empresa em um setor de atividade sócio-econômica. Ou seja, o caminho do lucro passa obrigatoriamente pelos neurônios de todos os empregados. A globalização do comércio e a aceleração do desenvolvimento tecnológico exigem dos trabalhadores brasileiros maiores e melhores habilidades e competências, alta motivação em todos os níveis para um confronto permanente, visando fatia ou nicho de mercado. Nessa batalha, só sobrevivem aqueles que participam da luta não como observadores, mas como detentores de seus lucros e benefícios. Em certa medida, é a própria "teoria de Darwin aplicada à Economia", onde somente, os mais fortes (leia-se os mais competentes) sobrevivem. Entre as diferentes e não menos meritórias campanhas de reação ora em curso no Brasil (violência, impunidade, trânsito, analfabetismo, etc), acrescente-se a indispensável capacitação do seu trabalhador. A escolaridade média brasileira, em torno de 3,9 anos* terá de atingir padrões desejáveis como os dos "tigres asiáticos", com uma média de dez anos. Já que a oportunidade do ensino regular foi perdida, aí está a segunda chance, por meio da Educação Permanente e Continuada. O trabalhador, hoje, deve gozar suas férias anuais e merecidas, mas, neste cenário mundial, não há mais tempo para férias do conhecimento. * Superintendente de Teleducação da Fundação Roberto Marinho e vice-presidente da Associação Brasileira de Educação à Distância (Abed) e participante da Conferência Mundial sobre Educação Aberta.