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Jornal da Ciência online

Aprendizado em risco

Publicado em 05 maio 2021

Fechamento prolongado de escolas e acesso desigual a ensino remoto elevam evasão de alunos e causam defasagem na aquisição de conhecimento

Com escolas fechadas por mais tempo do que a média latino-americana e oferta irregular de ensino remoto, a educação básica brasileira vive um momento crucial, que pode aprofundar dificuldades históricas envolvendo evasão, defasagem e desigualdade de aprendizagem. Publicadas recentemente, pesquisas na área de economia da educação procuram mensurar o impacto da pandemia, especialmente sobre os matriculados na rede pública. Análises do Banco Mundial desenvolvidas para tratar das consequências da Covid-19 no setor de educação indicam que dois em cada três estudantes da América Latina e Caribe podem chegar aos 10 anos de idade sem conseguir ler textos simples, enquanto o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que cerca de 4 milhões de crianças abandonaram os estudos no Brasil no último ano. Para reverter esse cenário, pesquisadores chamam a atenção para a necessidade de investimentos em recursos tecnológicos e no suporte às instituições de ensino, para o estabelecimento de protocolos de segurança, no momento do retorno presencial.

No ano passado, na América Latina e Caribe, cerca de 170 milhões de alunos foram afetados pelo fechamento de escolas por um período médio de 160 dias. Considerando os reflexos da pandemia da Covid-19 na educação até o início de 2021, a região pode registrar o segundo maior aumento de pobreza de aprendizagem do mundo, com um crescimento de 20 pontos percentuais, segundo estudo do Banco Mundial, divulgado em março. “Utilizamos a mesma ideia de linha de pobreza monetária, que estabelece o valor mínimo diário para uma pessoa sobreviver, para criar medidas de pobreza de aprendizagem”, explica um dos autores da pesquisa, o economista gaúcho Ildo Lautharte. Segundo ele, crianças que chegam aos 10 anos sem conseguir ler um parágrafo adaptado à idade são consideradas pobres de aprendizagem e podem sofrer as consequências dessa condição em todo o processo escolar, na medida em que “o domínio da língua portuguesa funciona como um andaime a partir do qual todas as outras disciplinas se desenvolvem”.

Leia a íntegra: Pesquisa Fapesp

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