Notícia

Agora São Paulo

Apreensão de ecstasy pela PF cresce 725% no país

Publicado em 04 novembro 2007

A apreensão de ecstasy no país pela Polícia Federal cresceu 725% neste ano em relação a 2006. O advento das raves e o aumento do consumo da droga sintética por jovens são fatores que explicam a tendência.

Até outubro, foram apreendidos 157 mil comprimidos. Durante 2006, foram 19 mil. Nesta semana, um jovem de 17 anos morreu em Itaboraí (45 km do Rio), em uma rave -festa de música eletrônica que pode durar 24 horas.

A suspeita é que ele tenha ingerido drogas em excesso. Ao menos 18 pessoas, que apresentavam quadro de alucinação, precisaram ser internadas durante esse mesmo evento.

Os dados da PF mostram que São Paulo lidera a lista de apreensões da droga, com 87 mil comprimidos -a maioria no aeroporto de Guarulhos.

Logo atrás está Santa Catarina, com 35 mil -a PF aponta o fato de o Estado ser palco freqüente de festas de música eletrônica como um dos motivos.

Para a psicóloga Stella Pereira de Almeida, o crescente consumo da droga explica o alto índice de apreensão. Tese de doutorado da USP defendida por ela em 2005 apontou que, de 1.140 usuários entrevistados, 55,3% haviam experimentado a droga dois anos antes.

"É claro e notório que o uso está em ascendência. A droga é fácil de consumir, os efeitos são prazerosos." Segundo ela, a tríade "juventude, vanguarda e música" sempre é associada a algum tipo de droga em determinada época. "O ecstasy, parece, veio para ficar."

Para a PF, a apreensão recorde tem relação com a maior repressão nos aeroportos e em zonas de fronteira. A polícia diz que há outras formas de negociação, como pela internet e por remessas via correio.

A polícia aponta ainda que a apreensão se dá em aeroportos porque a maior parte do ecstasy é fabricada em laboratórios na Europa.

A Secretaria Nacional Antidrogas informou, entretanto, que o primeiro laboratório clandestino de ecstasy foi descoberto já em 2000 no Brasil, o que reforça a suspeita de produção crescente por aqui.

O perfil do traficante de ecstasy é diferente do de outras drogas, como maconha e cocaína. Para a polícia, são jovens de classes média e alta que fazem uso da droga no exterior e que, além de consumidores, tornam-se vendedores para sustentar o vício e obter renda.

O delegado da PF Maurício Manica afirma que o criminoso que vende ecstasy costuma ter atuação discreta. "É um traficante que tem uma rede de contatos, mas não uma organização criminosa violenta", diz.

O ecstasy provoca aumento da energia, sociabilidade e disposição sexual, além de sensação de euforia e bem-estar.

Há, no entanto, efeitos indesejáveis como ansiedade, insônia, alucinação, tensão psíquica, boca seca, taquicardia, hipertensão arterial, perda de apetite e dores.

Para a pesquisadora da USP, como a droga causa dependência, a redução de danos ainda é o método mais indicado para evitar efeitos colaterais.

Neste ano, um projeto de pesquisa coordenado por ela, o Baladaboa, chegou a ser suspenso pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), por ser considerado apológico. Panfletos com dicas de como consumir a droga com menos risco eram entregues durante as raves.