Notícia

Revista Endeavor

Aposta na reciclagem

Publicado em 01 novembro 2010

Por Revista Endeavor (SP) -

AOS 12 ANOS, IVAN BARCHESE COMEÇOU A FAZER ESTÁGIOS DE FÉRIAS NA empresa do pai. Trabalhava como uma espécie de office-boy na Mêxtra que, na época, produzia insumos para o mercado de fundição. Aos 17, passou a trabalhar diariamente no turno oposto ao do curso de Engenharia Metalúrgica, da Faculdade de Engenharia Industrial, escolhida a dedo por ficar próximo à empresa, no ABC paulista. Quando estava no fim da faculdade, ele e a irmã assumiram o controle do negócio, substituindo o pai, que também era acadêmico da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. "A empresa tinha 18 funcionários", recorda-se Ivan, sobre o ano de 1997.

O desenvolvimento de um novo produto - um aglomerado de pós metálicos na forma de pastilha, chamado Mextral - iniciou uma revolução na empresa, que passou a ter clientes do porte da Alcoa e do Grupo Votorantim. A pastilha, usada na produção de ligas de alumínio, melhora as propriedades do metal, aumentando a resistência e reduzindo a corrosão. A demanda das grandes empresas pelo novo produto - somada à entrada dos novos executivos - forçou a Mextra a ser mais eficiente. "Foi um choque de cultura e gestão", afirma o empresário.

No início, os pós metálicos usados na produção da pastilha eram comprados. Usava-se material primário, extraído da natureza. Há cerca de dez anos, embalado pela onda da sustentabilidade, Ivan decidiu "correr atrás" da reciclagem. A partir daí, desenvolveu uma tecnologia para produzir as pastilhas com material reutilizado e - mais uma novidade - passou a produzir os pós metálicos (de alumínio e de ferro, entre outros) usando reciclados. "Cem por cento da matéria-prima que usamos hoje para fazer pó de ferro é de reciclado", conta Ivan.

Com isso, abriu novos mercados e cresceu. Hoje, a ex-pequena empresa é a maior produtora de pó de alumínio do Brasil, tem duas fábricas na China, uma empresa nos Estados Unidos e unidades produtivas em Diadema e Taubaté - esta última inaugurada com o apoio do BNDES.

Para o desenvolvimento de tanta tecnologia, Ivan contou ao longo dos anos com a ajuda do Sebrae e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Além disso, fez parcerias com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, e, desde 2004, conta com o apoio da Endeavor, principalmente na área de gestão.

Atualmente, sócio único da empresa, diz aproveitar muito os ensinamentos e as atividades da Endeavor. "Quase todo dia" conversa com o mentor Maurício Luchetti. "Não contrato ninguém sem o dedo dele lá", diz. A interlocução tem ajudado a manter no rumo certo a Mextra, que deve faturar este ano 65% a mais que em 2009.

Novidade no campo

O desenvolvimento de uma nova tecnologia ancora o crescimento do negócio do técnico agrícola Antonio Carlos de Gissi

Tino comercial nunca faltou ao empresário paulista Antonio Carlos de Gissi Júnior, de 44 anos. Dono de um diploma de técnico agrícola, trabalhou como vendedor em uma loja de insumos para o campo e logo passou a sócio do negócio. Ambicioso, comprou de um amigo a fábrica de fertilizantes Kimberlit, em 1994, que tinha apenas quatro funcionários.

A fábrica engrenou quatro anos depois. "Nosso grande diferencial foi montar uma área de pesquisa e desenvolvimento", diz ele. Em 2004, pediu a patente de um produto, o KimCoat, criado com o apoio de um cientista da Universidade Estadual Paulista. Ele prometia elevar o aproveitamento do adubo pelo solo, reduzindo a quantidade usada em 50%, com a mesma produtividade. O custo de adubação poderia cair 30%. Deu certo e o KimCoat tornou-se o carro-chefe da Kimberlit.

A empresa cresceu, tem quase 100 funcionários e já chegou ao exterior - Gissi exporta para o Chile e planeja vender para a Colômbia. Mas seu foco ainda está no país. "Temos um grande potencial de crescimento no Brasil", avalia. "A Endeavor nos ensina que devemos gerenciar bem nosso negócio para ter sustentabilidade."

O contato com a Endeavor surgiu de uma conversa com o fundo de investimentos BRZ. O processo de seleção foi concluído em 2009. "Eles dão um norte muito bom", afirma. Os negócios, no entanto, nem sempre foram fáceis e o empresário já precisou vender laranja na praia para viabilizar a empresa. "Foi quando o presidente Fernando Collor confiscou nosso dinheiro", relata. "Eu tinha a revenda, mas os produtores estavam sem dinheiro. Como plantava laranjas em um sítio, eu ia lá com dois funcionários, colhia as laranjas, empacotava e levava para vender na praia, onde as pessoas ainda tinham algum dinheiro."

Para o mentor Henrique Ubrig, o episódio ilustra mais que um aspecto curioso da história de Gissi. "Expõe seu lado criativo e espírito de estar sempre buscando novas soluções", destaca.