Notícia

Jornal de Brasília

Aposta científica na rede mundial

Publicado em 05 maio 2002

A Onsa nasceu com o projeto de seqüenciamento genético da bactéria Xylella fastidiosa, que foi capa da revista Nature e projetou o Brasil no ultra-seleto campo da pesquisa genômica internacional. O trabalho foi realizado em dois anos e meio por 192 pesquisadores, em 34 laboratórios. "Nenhum de nós conseguiria decifrar a Xylella sozinho", afirma Simpson. "A rede nos permite trabalhar de maneira extremamente coordenada, independente das distâncias que nos separam." O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) também está apostando na Internet para acelerar a produção científica nacional. Além do Projeto Genoma Brasileiro, iniciado em 2000, lançou na semana passada o programa Institutos do Milênio, composto inteiramente por redes virtuais de pesquisa. São 17 grupos espalhados por todo o território brasileiro, que vão receber R$ 85 milhões para a pesquisa de temas que vão desde o ciclo de carbono na Amazônia a buracos negros, células-tronco e o uso racional da água na mineração. Cada projeto conta com uma média de cem pesquisadores e dez instituições. A Rede de Pesquisa sobre a Tuberculose, por exemplo, agrega cientistas de sete Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. "O trabalho em rede proporciona uma dinâmica especial ao trabalho. O pesquisador faz uma descoberta e pode transmitir esses dados imediatamente para os seus colegas em outro laboratório a milhares de quilômetros", diz o ecólogo José Galizia Tundisi, que presidiu o Comitê Científico Internacional. "E se as informações circulam com maior velocidade, as soluções também chegam com mais rapidez para todo o grupo." Projetos dessa magnitude, envolvendo tantos pesquisadores, eram impraticáveis alguns anos atrás. Imagine 200 pessoas tentando montar um mesmo quebra-cabeça, ao mesmo tempo, e comunicando-se apenas por carta ou telefone. "Muitas coisas que fazemos hoje só são possíveis graças à Internet", resume o físico teórico José Antônio Brum, diretor-geral do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas. "A facilidade e a rapidez para a troca de informações nos permitiram pensar de maneira muito mais intensa." A interatividade da Internet serviu de ponte para aumentar a visibilidade da produção científica brasileira, segundo o diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez.